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SÁBADO SATURDAY 25 NOV. 10H00-15h00

Público Geral

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A relevância da biodiversidade das florestas
The importance of forest biodiversity

JORGE PAIVA

Biólogo, Centro de Ecologia Funcional. Universidade de Coimbra
Biologist, Centre for Functional Ecology. University of Coimbra


A relevância da biodiversidade das florestas

Qualquer pessoa sabe que precisa de comer para viver e crescer e que a comida é constituída por material biológico (vegetal, animal ou de outros organismos).
Também toda a gente sabe que qualquer motor para trabalhar precisa de um combustível que, através de reacções químicas exotérmicas (combustão) liberta calor (energia) suficiente para que o motor funcione. Os carburantes (gasolina, gasóleo, álcool, gás, etc.) são compostos orgânicos com Carbono (C), Hidrogénio (H2) e Oxigénio (O2). O combustível que não é consumido, por não ter utilidade na produção de energia (calor), é expelido pelos tubos de escape, sendo até poluente.
Todos sabemos que o nosso corpo que tem vários “motores”. O coração é um desses “motores” que está sempre a “bater” (trabalhar) e que não pode parar. Quando pára, morre-se. Se o coração é um motor, tem de haver um combustível para que este motor funcione. Esse combustível é a comida, que não é de plástico, nem são pedras, mas sim produtos vegetais e animais. Essa comida que ingerimos é transformada no nosso organismo em energia (calor), através de reacções exotérmicas (digestão) semelhantes à referida combustão, que vai fazer com que os vários motores do nosso corpo, entre os quais o coração e os pulmões, trabalhem e nos mantenham vivos.
Na comida estão as substâncias combustíveis com Carbono (C), Hidrogénio (H2) e Oxigénio (O2), como são os hidratos de carbono (açucares, farinhas, etc.), lípidos (gorduras, como o azeite, a manteiga, etc.) e proteínas (na carne, no peixe, nas leguminosas, como o feijão, a fava, a ervilha, etc.). Estas últimas têm mais um elemento, o Azoto (N2), que, apesar de nos ser muito útil em reduzida quantidade, é muito tóxico. Assim, tal como acontece com os veículos automóveis, da comida que ingerimos, o que não é transformado em energia é expelido do nosso corpo sob a forma de fezes. Mas nós temos de ter outro escape para o azoto, que é a urina.
Assim, qualquer pessoa entende que os outros seres vivos são a nossa “gasolina” (combustível) e que se não os protegermos e eles desaparecerem do Globo Terrestre, também nós vamos desaparecer, por ficarmos sem carburante.
Todos os seres vivos necessitam dessas substâncias orgânicas como nutrientes (“combustíveis”). As plantas, porém, não precisam de comer, porque são os únicos seres vivos que são capazes de as sintetizarem (produzirem), “acumulando” no seu corpo o calor (energia) do Sol (a fonte de energia que aquece o Planeta Terra) com a ajuda de substâncias (CO2 e H2O) existentes na atmosfera e reacções químicas endotérmicas (fotossíntese). Como os animais não são capazes de fazer isso, têm que comer plantas (animais herbívoros) para terem produtos energéticos ou, então, comerem animais que já tenham comido plantas (animais carnívoros). Nós, espécie humana, tanto comemos plantas como animais, por isso, dizemos que somos omnívoros.
Entre as plantas, há enormes diferenças na quantidade de biomassa que produzem e no volume de gás carbónico (CO2) que retiram da atmosfera e o de oxigénio (O2) que libertam, como, por exemplo entre o que produz uma pequena erva anual e uma árvore que está todo o ano ao sol. Por isso, as florestas são ecossistemas de biodiversidade elevada. Mas. entre as árvores, as maiores produtoras são as da floresta tropical de chuva (pluvisilva), pois, por se encontrarem nas zonas equatoriais, têm o Sol não só praticamente na vertical, como tiram proveito de maior luminosidade, por os dias serem praticamente iguais durante todo ano (12 horas de luminosidade diária). É, por isso, que é nestas florestas que não só se encontram os maiores seres vivos terrestres (árvores com 6000 toneladas), como também são as florestas de maior biomassa vegetal. Portanto, são essas florestas que podem alimentar não só os maiores herbívoros terrestres (elefantes), como a maior quantidade de outros herbívoros e uma enorme diversidade de organismos. As florestas tropicais são, pois, os ecossistemas terrestres de maior biodiversidade, são o “pulmão” do Globo por ser aí que se produz o maior volume de oxigénio (O2) e são a região com maior acção “purificadora” do ar, por ser aí que as plantas absorvem o maior volume de gás carbónico (CO2).
Mas os outros seres vivos não são apenas as nossas fontes alimentares, fornecem-nos muito mais do que isso, como, por exemplo, substâncias medicinais (mais de 80% dos medicamentos são extraídos de plantas e cerca de 90% são de origem biológica), vestuário (praticamente tudo que vestimos é de origem animal ou vegetal), energia (lenha, petróleo, ceras, resinas, etc.), materiais de construção e mobiliário (madeiras), etc. Até grande parte da energia eléctrica que consumimos não seria possível sem a contribuição dos outros seres vivos pois, embora a energia eléctrica possa estar a ser produzida pela água de uma albufeira, esta tem de passar pelas turbinas da barragem e as turbinas precisam de óleos lubrificantes. Estes óleos são extraídos do “crude” (petróleo bruto), que é de origem biológica.
Enfim, sem o Património Biológico (Biodiversidade) não comíamos, não nos vestíamos, não tínhamos medicamentos, luz eléctrica, energia, etc.

The importance of forest biodiversity

All of us know that in order to survive and to grow, one has to eat and that food is made up of biological material (vegetables, animals or other organisms).
We also know that an engine needs fuel in order to run, that it is through exothermic chemical reactions (combustion) that sufficient heat (energy) is released, thus allowing the engine to function. Fuel (gasoline, diesel fuel, alcohol, gas, etc.) is composed of organic compounds of Carbon (C), Hydrogen (H2) and Oxygen (O2). Any fuel that is not useful for producing energy (heat) and not consumed is expelled through the exhaust pipe as a pollutant.
All of us know that our bodies have various "engines". One of these "engines" is the heart, which beats (works) repeatedly and must not stop. If it stops, we die. If the heart is an engine, it needs fuel for it to function. This fuel is food. Not plastic or rocks, but plants and animals. The food we eat is transformed in our bodies into energy (heat) through exothermic reactions (digestion), much like the combustion mentioned earlier, which makes various engines in our bodies work, such as the heart and lungs, to keep us alive.
Contained in the food are substances that are combustible, made up of Carbon (C), Hydrogen (H2) and Oxygen (O2), such as carbohydrates (sugars, flours, etc.), lipids (fats, including olive oil, butter, etc.) and proteins (in meat, fish and legumes such as black beans, fava beans, peas, etc.). The latter contain an additional element, Nitrogen (N2), which while very beneficial in small quantities, is highly toxic. Much like automobiles, the food we eat that isn't transformed into energy is expelled from our bodies in the form of faeces. There is, however, another escape route for nitrogen: through our urine.
We all understand, then, that other living things are our "gasoline" (fuel) and that if we don't protect them and they disappear from Planet Earth, we will also disappear because we won't have any fuel.
All living things need these organic substances for nutrients ("fuel"). Plants, however, do not need to eat. They are the only living things that have the ability to photosynthesise (produce), "accumulating" heat (energy) from the Sun (the source of energy that warms Planet Earth) in their bodies with the aid of existing substances (CO2 and H2O) in the atmosphere and endothermic chemical reactions (photosynthesis). Since animals are not able to do this, they must eat plants (herbivores) in order to have energy, or they eat animals that already consumed plants (carnivores). As for the human species, we eat both plants and animals, which is why we are called omnivores.
Among plants, there are enormous differences in the amounts of biomass they produce, the volume of carbonic acid gas (CO2) they remove from the atmosphere and the oxygen (O2) they release. Take, for instance, a small annual herb versus a tree that is exposed year-round to the sun. For this reason, forests are ecosystems that are high in biodiversity. Amongst the trees, the greatest producers are those that live in the tropical rainforests (pluvisilva). Since they are found in equatorial zones, not only is the Sun practically straight above, but they also benefit from greater sunshine, with the days being virtually identical throughout the year (12 hours of sunshine a day). Thus, not only are these forests places where one can find the largest living things on the planet (trees weighing 6,000 tonnes), they also contain the greatest vegetable biomass. These forests can sustain not only the largest herbivores on land (elephants), but also the largest numbers of other herbivores and they contain an enormous diversity of organisms. Tropical forests are the richest ecosystems on land in terms of biodiversity. They are the "lungs" of the planet because they are able to produce the largest volume of oxygen (O2). And they are in a region with the greatest air "purifying" activity, for it is there that plants absorb the greatest volume of carbon dioxide (CO2).
Other living things are not only sources of food for us. They provide much more, such as medicinal substances (more than 80% of medicines are extracted from plants, while nearly 90% are of biological origin), clothing (practically everything we wear is of animal or plant origin), energy (firewood, petroleum, beeswax, resins, etc.), and materials for construction and furniture (wood), etc. In fact, a large part of the electrical energy we consume would not be possible without the contribution of other living things, for even though electricity can be produced by water from a dam, the water must first pass through turbines, which themselves depend on lubricating oils. These oils are extracted from "crude" (raw petroleum), which is biological in origin.
Without Biological Heritage (Biodiversity), we cannot eat, we cannot dress and we have no medicines, electricity, energy, etc.

 


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