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Musick's Recreation _ Alemanha \Germany Colômbia \Colombia Austrália \Australia

Concerto \Concert

SÁBADO SATURDAY 25 NOV. 21H30-22H30
ANTIGA CÂMARA - SALVATERRA DO EXTREMO

CONCERTOS: Entrada livre sujeita à lotação das salas
Por motivos de segurança a porta será encerrada assim que a lotação estiver preenchida. As portas abrem +-30‘ antes do início dos concertos.

CONCERTS: Free entry subject to room capacity
For safety reasons, the door will be shut as soon as the room is full to capacity. Doors open +-30’ before the concerts start.


Musick's Recreation
Milena Cord-to-Krax

ALEMANHA \GERMANY COLÔMBIA \COLOMBIA AUSTRÁLIA \AUSTRALIA

A flauta doce, avis rara na Itália do século XVII?
Il flauto dolce, rara avis in 17th century Italy?

Sonatas, baixos ostinatos e canções com nova ornamentação.
Sonatas, ostinato basses and newly ornamented songs


A procura do raro e do comum.
Pursuit of the rare and of the common.

 

Milena Cord-to-Krax, flauta \recorder
Alex Nicholls, violoncelo \cello
Cesar Queruz, tiorba \theorbo

 

PROGRAMA \PROGRAMME

Jacobus Clemens non Papa (ca. 1510/1515-1555/1556) & M. Cord-to-Krax (diminuições a partir de F. Rognioni ca.1570 - depois de 1626)
Frais et gaillard
Manuscrito sem título na Biblioteka Gdańska Polskiej Akademii Nauk (PL-GD)

Biagio Marini (1594-1663) & M. Cord-to-Krax
Canção (a confirmar)

Alessandro Piccinini (1566-1638)
Tocatta

Giovanni Battista Fontana (ca.1571-1630)
Sonata seconda
Sonate a 1. 2. 3. per il violino, o cornetto, fagotto, chitarone, violoncino o simile altro istromento (1641, Venice)

Barbara Strozzi (1619-1677) & M. Cord-to-Krax
Que si può fare
Arie di Barbara Strozzi [...] Opera Ottaua (1664, Venice)

Nicola Matteis (ca. 1650-ca. 1703/1713)
Diverse bizzarie Sopra la Vecchia Sarabanda ò pur Ciaccona
Ayrs for the Violin (1676, London)

 

PT O papel da flauta de Bisel durante o século XVII, em Itália, ainda não é claro, mas sabe-se que era utilizada, como confirmam a iconografia e os instrumentos preservados desse período. Qual poderia ser, então, o repertório de um flautista que tocasse flauta de Bisel? Além das sonatas da primeira metade daquele século, a tradição medieval e renascentista de ornamentar a música vocal continuava viva quando F. Rognoni publicou o seu tratado sobre este tema, em 1620. Este facto levanta a suspeita de que a prática de interpretar música vocal de forma instrumental tenha persistido, mesmo já quando ninguém se dedicava à música polifónica e as canções monódicas com acompanhamento se tornaram dominantes. Entre sonatas, baixos ostinatos e canções com nova ornamentação, convidamo-lo a conhecer o que pode ter sido o percurso de um flautista de flauta de Bisel no século XVII – essa avis rara –, oferecendo-lhe uma noite de música de câmara interessante, emocional e invulgar.

EN The role of the recorder in 17th century Italy is not quite clear, yet it was used as we can see from that period’s iconography and preserved instruments. So, what could have been a recorder player’s repertory? Apart from sonatas of the first half of this century, the tradition of Medieval and Renaissance times of embellishing vocal music was still alive when F. Rognoni published his treatise on this topic in 1620. This fact leads to the suspicion that the practice of playing vocal music instrumentally could have gone on even when nobody played polyfonic music anymore but accompanied monodies became mainstream. In between Sonatas, ostinato basses and newly ornamented songs we invite you on what could have been a way of a recorder player in the 17th century, this rara avis, on providing an interesting, emotional and different chamber music evening.

 

Notas ao programa

A Itália do século XVII assistiu a mudanças rápidas no estilo compositivo, prática performativa e gosto social. Sabemos exatamente o que um flautista de flauta de Bisel faria durante o Renascimento: tocaria música vocal ou não-vocal em consortes de flauta de Bisel ou mistos, improvisando, ornamentando e, provavelmente, compondo. Já na Itália do século XVII é difícil dizer qual seria o papel desse flautista ou o seu repertório, embora a iconografia e os instrumentos preservados desse período comprovem o seu uso. Existem composições dessa época com partes para flauta de Bisel, mas estas são em número muito reduzido quando comparadas com aquelas que existem para outros instrumentos, especialmente da família do violino, que se tornou na nova estrela da música instrumental. Claro que não podemos pensar apenas nos instrumentos mais amplamente utilizados ou no gosto da família real, já que a música tinha, e continua a ter, lugar em qualquer lugar: dentro de casa, depois do jantar (especialmente antes de existirem smartphones ou a televisão) ou em encontros especiais. Sabe-se que muitos amadores desenvolveram elevados conhecimentos de e gosto pelos seus instrumentos durante as épocas medieval, renascentista e barroca, e as pinturas desses períodos mostram-nos que a flauta de Bisel parece ter sido utilizada em diversos lugares, talvez como hoje em dia se encontra uma guitarra casa sim, casa não.
Qual poderia ser, então, o repertório de um flautista que tocasse flauta de Bisel? Certamente que se encontrariam sonatas da primeira metade do século XVII nas quais o compositor não impunha uma determinada instrumentação. E, evidentemente, existe a música para violino adequada à flauta de Bisel. Este seria o repertório comum e óbvio. Qual seria, então, a parte rara do repertório para flauta de Bisel naquele século? Música vocal. Desde a Idade Média, e provavelmente desde sempre, a música vocal tem sido interpretada instrumentalmente e com ornamentos. Durante o Renascimento, isso era recorrente, mas, no Barroco, a música vocal e instrumental acabam por separar-se, embora não totalmente. Em Inglaterra, podem encontrar-se coleções de canções que comprovam que a sua maioria poderia ser interpretada com flauta de Bisel. Em França, Hotteterre publica canções com ornamentos para flauta, flauta de Bisel ou oboé. Por seu turno, em Itália, F. Rognoni (flautista, violinista e compositor) escreve o tratado Selva de varii passaggi sobre a ornamentação da música vocal polifónica, o qual foi publicado em 1620, num período em que as composições do género monódico com acompanhamento já constituíam a música dominante. A ideia de "poder" interpretar bela música vocal italiana do século XVII, e até a ornamentá-la, é demasiado tentadora para deixar passar.

 

Programme Notes

17th century Italy was a time of rapid changes in compositional style, performance practice and societies taste. We know exactly what a recorder player would have normally done in Renaissance times: playing vocal or non vocal music in mixed consorts or recorder consorts, improvise, embellish and probably compose. In 17th century Italy we do not exactly know the role of the recorder nor what exactly its repertory was, yet it was in use as we can see from iconography and preserved instruments. Compositions with designed recorder parts in this period do exist but they are very rare compared to other instruments, especially the violin family, which became the new star of instrumental music. Of course we must not only think about the most widely used instruments or the crowns taste, as music did and does happen anywhere, at peoples houses, after dinner (especially when there were no smartphones or television) or in special gatherings. It is known that many amateurs in Medieval, Renaissance & Baroque times aquired high skill and taste on their instruments and as paintings of the time let us know, a recorder seem to have been around at many locations, maybe just as today you find a guitar in every second household.
So, what could have been a recorder player’s repertory? Of course we would find sonatas from the first half of the 17th century in which the composer does not yet impose a certain instrumentation and of course there is violin music suitable to the recorder. This would be the common and obvious repertoire. So what would be the rare part of recorder repertoire in this century? Vocal music. Playing vocal music instrumentally and with embellishments has been in practice since Medieval times and probably since always. It was a most common practice in the Renaissance period while in the Baroque instrumental and vocal art music get more separated but not totally. In England we find collections of songs which state that most of them can be played by the recorder. Hotteterre in France publishes embellished songs to be played by the flute or recorder or oboe. In Italy we find F. Rognoni’s (flautist, violinist and composer) treatise Selva de varii passaggi on embellishing vocal polyphonic music published as late as in 1620, while mainstream music was already concentrating on accompanied monodies. The thought of being “allowed” to play beautiful Italian vocal music of the 17th century and even embellish it, is too tempting to let it unexplored.

 

Imprensa \Press

«... Michael Thomas no violino e Vicente Parrilla e Milena Cord-to-Krax na flauta de Bisel. A sua interpretação foi sensacional, tremenda.»
Diario de Almeria, 2013

"...Michael Thomas on the violin and Vicente Parrilla and Milena Cord-to-Krax on the recorder. Their interpretation was sensational, tremendous."
Diario de Almeria, 2013

 

BIOS PT

Musick's Recreation é um projeto de música renascentista e barroca da autoria da flautista Milena Cord-to-Krax. A alegria, a tristeza, a articulação, a afeição, o silêncio, o ritmo, a emoção e a reflexão são algumas das ferramentas e virtudes dos contadores de histórias que nós, narradores de melodias, tentamos igualmente transmitir nas nossas interpretações: desde o acompanhamento – sempre dialogado – até à expressão individual que confere a cada instrumento a sua própria voz.
O presente projeto centra-se especificamente na criatividade historicamente informada, o que pressupõe colocar em prática os processos criativos que os músicos dos períodos renascentista e barroco costumavam utilizar, tais como ornamentações, variações, diminuições, composição e arranjos. Em maio de 2016, realizámos a nossa primeira gravação: a Suite N.º 5 para Violoncelo Solo de J. S. Bach, com arranjo para flauta de Bisel e baixo contínuo da autoria de Milena Cord-to-Krax, que assim a converteu numa composição de música de câmara.

Milena Cord-to-Krax nasceu em Colónia, na Alemanha, em 1988. Começou a tocar flauta de Bisel aos 6 anos, tendo Eva Morsbach como professora, e mais tarde prosseguiu os estudos do mesmo instrumento com Bárbara Sela e Vicente Parrilla no Conservatório de Sevilha. Assistiu a masterclasses de Dan Laurin, Michael Schneider, Fernando Paz e Wilbert Hazelzet. Na qualidade de solista, tocou lado a lado com Vicente Parrilla com a Orquestra Ciudad de Almería, dirigida pelo violinista Michael Thomas; foi cofundadora do consorte de flautas Vox Tremula; tem recebido convites para tocar com diversos agrupamentos, incluindo Musica Prima; colaborou em performances multidisciplinares, por exemplo, com bailarinos profissionais numa performance baseada em improvisação, e toca com a Orquesta Barroca do cravista sevilhano Alejandro Casal. Em maio de 2016, Milena realizou a sua primeira gravação profissional: a Suite BWV 995 de Bach, com arranjo da sua autoria para flauta de Bisel e baixo contínuo.

César Queruz iniciou a sua formação em música com guitarra clássica, tendo como professor Sergio Restrepo Mesa, em Bogotá, na Colômbia. Depois de estudar com Esteban Campuzano no Instituto Superior de Artes em Havana, César Queruz completou um curso superior em performance musical na Pontificia Universidad Javeriana, onde estudou com Carlos Posada. Em 2005, completou um curso de pós-graduação no Conservatório Richard Strauss, em Munique, e em 2007, terminou uma pós-graduação em teatro na Hochschule für Musik, na mesma cidade, focando-se igualmente em guitarra clássica. Depois de trabalhar em Londres durante 5 anos e de ter conhecido o seu primeiro professor de tiorba, Jakob Lindberg, César iniciou os seus estudos em guitarra barroca e tiorba. Atualmente, encontra-se a frequentar o mestrado em performance orquestral de música barroca, especificamente para tiorba, na Universität der Künste, em Berlim, sob a orientação de Björn Colell. César Queruz tocou na qualidade de solista e em agrupamentos na Austrália, Ásia, Europa e América do Sul, incluindo com Capella Krakoviensis (Polónia), Solistenensemble Kaleidiskop (Berlim), a London Early Opera, entre outros.

Alexander Nicholls é um violoncelista australiano de inspiração histórica e especializado em práticas de performance de violoncelo dos séculos XVIII e XIX. Detém uma licenciatura em interpretação musical (Universidade da Austrália Ocidental) e em estudos musicais (Universidade de Sydney), esta última completada com distinção, além de um mestrado em música com especialização em performance histórica (Juilliard School).
Exerceu funções de violoncelista principal em orquestras sob a direção de Jordi Savall, William Christie, Masaaki Suzuki e Nicholas McGegan, tendo participado em diversas tournées, tanto no seu país como no estrangeiro. Participou ativamente em vários agrupamentos de música historicamente informada na Austrália, incluindo The Australian Brandenburg Orchestra, Australian Romantic and Classical Orchestra e The Orchestra of the Antipodes. É um investigador ávido na área das práticas de interpretação historicamente informada e, atualmente, encontra-se a desenvolver uma pesquisa inédita sobre as práticas de composição musical dos séculos XVIII e XIX e o modo como estas se relacionam com a interpretação musical. Vive presentemente em Berlim e tem especial interesse em explorar oportunidades performativas (Orquestra, Agrupamento de Câmara / Solo) e académicas.

 

BIOS EN

Musick's Recreation is a Renaissance & Baroque music project by recorder player Milena Cord-to-Krax. Joy, sorrow, articulation, affection, silence, rythm, emotion and reflection are some of the tools and virtues of storytellers which we, as narrators of melodies, attempt to comunicate likewise with our interpretations: from the accompaniment, always dialogued, to the individual expression which endows every instrument its own voice.
This project has a special focus on historically informed creativity, which means to put into practice the creative processes musicians in Baroque and Renaissance times used to do, such as ornamentations, variations, diminutions, composition and arrangements. In may 2016 we realized our first recording, the Suite Nr. 5 for solo cello by J.S. Bach arranged for recorder and basso continuo by M. Cord-to-Krax converting it from a solo into a chamber music piece.

Milena Cord-to-Krax was born in Cologne, Germany in 1988. She started to play recorder at the age of 6, being her teacher Eva Morsbach, later she studied recorder with Bárbara Sela and Vicente Parrilla at Seville’s conservatory. She received Masterclasses from Dan Laurin, Michael Schneider, Fernando Paz and Wilbert Hazelzet. She performed as soloist next to Vicente Parrilla with the Orquesta Ciudad de Almería directed by violinist Michael Thomas; she cofounded the recorder consort Vox Tremula; she gets invited to play with ensembles such as Musica Prima; she collaborated in multidisciplinary performances for example with professional dancers in an performance based on improvisation and she performs next to Orquesta barroca de Sevilla’s harpsichordist Alejandro Casal. In May 2016 Milena did her first professional recording playing Bach’s suite BWV 995 arranged by her for recorder and basso continuo.

César Queruz begun his musical studies on the classical guitar with Sergio Restrepo Mesa in Bogotá, Colombia. After studying with Esteban Campuzano in the Superior institute of Arts in Havana, Cesar obtained his degree in musical performance at the Javeriana University where he studied with Carlos Posada. In 2005 he completed a postgraduate course at the Richard Strauss Conservatoire in Munich and in 2007 another postgraduate at the Hochschule für Musik in Theater in Munich also focused in classical guitar performance. After working in London for 5 years and having meeting his first theorbo teacher Jakob Lindberg, Cesar embarks on the study of the baroque guitar and the theorbo. At the moment he is doing a masters degree in orchestral performance of baroque music in the theorbo at the UDK in Berlin with Björn Colell. Cesar has performed as a Soloist and Ensemble musician in Australia, Asia, Europe and South America, with Capella Krakoviensis from Poland, Solistenensemble Kaleidiskop from Berlin, the London Early Opera, among others.

Alexander Nicholls is an Australian historically-inspired violoncellist, specialising in 18th and 19th century cello performance practices. He has completed a Bachelor of Music Performance (UWA), a Bachelor of Music Studies with First Class Honours (USyd) and holds a Master of Music in Historical Performance from The Juilliard School.
He has worked as principal cellist under the direction of Jordi Savall, William Christie, Masaaki Suzuki, and Nicholas McGegan and toured extensively both internationally and domestically. He has also been an active participant in a variety of historically-informed ensembles in Australia including The Australian Brandenburg Orchestra, Australian Romantic and Classical Orchestra, and The Orchestra of the Antipodes. He is an avid researcher in the area of historical performance practice and is currently working on original research focusing on the compositional musical practices of the 18th and 19th centuries, and how they relate to the performance of music. Currently resident in Berlin, he is keen to explore performance (Orchestra / Chamber Ensemble / Solo) and academic opportunities.

 


INFO

Arte das Musas
mail@artedasmusas.com

www.artedasmusas.com

Mais informações em www.foradolugar.pt
Further information at www.foradolugar.pt

Concertos: Entrada livre sujeita à lotação das salas
Por motivos de segurança a porta será encerrada assim que a lotação estiver preenchida. As portas abrem +-30‘ antes do início dos concertos.

Concerts: Free entry subject to room capacity
For safety reasons, the door will be shut as soon as the room is full to capacity. Doors open +-30’ before the concerts start.

 

Earlier Event: November 25
Jantar Pobre \Pauper's Dinner
Later Event: November 30
Saída de Campo \Country Outing