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Sete Lágrimas @ Escola Superior de Música de Lisboa: Lisboa

"En tus brazos una noche"
Romances e Canções de Manuel Machado (Lisboa, c.1590 - Madrid, 1646)

Escola Superior de Música de Lisboa - Grande Auditório
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Projecto financiado por:
Ministério da Cultura/Direcção-Geral das Artes

Produção:
Arte das Musas

Patrocínio:
Delta Cafés



PROGRAMA

A ti digo, ampo de fuego
En tus brazos una noche
Qué bien siente Galatea
De la hermosura de Filis
De los ojos de mi morena
Bien podeis, corazón mio
Paso a paso, empeños mios
Oscurece las montañas
Fuése Lisardo del valle
Mi cansado sufrimiento
Salió al prado de su aldea
Salió a la fuente Jacinta
A la sombra de un peñasco
Qué entonadilla que estaba
Afuera, afuera
Avejuela que al jazmín
Dos estrellas le siguen


O projecto "En tus brazos una noche" é dedicado à obra do compositor português, Manuel Machado (Lisboa, c.1590 - Madrid, 1646), obra esta de grande beleza retórica de âmbito secular, profano e amoroso - Romances e Canções – de enorme valor e em grande parte desconhecida da especialidade e do grande público.

Fruto do trabalho musicológico de Miguel Querol Gavalda, o Sete Lágrimas desenhou, com o apoio do MC e da Delta Cafés, um programa dedicado à interpretação integral das peças completas publicadas de Machado – Romances e Canções - (outras sobreviveram ao terramoto de 1755 mas estão incompletas), que pela primeira vez serão ouvidas em conjunto ou mesmo em primeira audição moderna.

Manuel Machado (Lisboa, c.1590 - Madrid, 18 Abril 1646)
Natural de Lisboa e discípulo de Duarte Lobo. O talento de execução que manifestava em vários instrumentos valeu-lhe a nomeação de músico da Capela Real de Filipe III de Espanha e Portugal.
Muda-se, em 1610, para Madrid juntando-se ao pai, o harpista Lope Machado. A 31 de Agosto de 1639 foi apontado como Músico da Cámara na corte de Filipe IV de Espanha, ao serviço de seu irmão, D. Fernando, e em 10 de Agosto de 1642 foi distinguido "pelos seus longos anos de serviço e pelos de seu pai" com vencimento adicional, a ser pago pelos fundos da Casa de Borgonha. Da extensa obra citada na Primeira parte do index da livraria de musica do muyto alto, e poderoso Rey Dom João o IV. nosso senhor (Lisboa, 1649) sobrevivem apenas vinte canções seculares (algumas incompletas) com texto em castelhano que igualam, em expressividade e lírica, a obra dos compositores espanhóis do mesmo período. Nestas canções é possível ouvir-se harmonias excepcionalmente ricas e mudanças de métrica e ritmo que refletem as alterações de humor da poesia amorosa que tão bem musicou. Machado encontrou sempre os meios musicais certos para sublinhar o sentido e a retórica desta poesia e acrescentou "estrivos"e "coplas" aos seus Romances, seguindo as práticas formais de um Barroco precoce. As suas obras estão referidas em vários cancioneiros da época como o Cancionero de la Sablonara (4), o Libro de tonos humanos (10), o Cancionero de Onteniente (6) o Cancionero de Casanatense (1) provando que merecia de bastante popularidade na ibéria de XVII.

Bibliografia: Joaquim Vasconcelos, Os musicos portuguezes: biographia-bibliographia, 1870; Stanley Sadie ed., The New Grove Dictionary of Music and Musicians, 1980; Judith Etzion, The Cancionero de la Sablonara, a critical edition, Tamesis, 1996


Sete Lágrimas

Filipe Faria, voz e co-direcção artística
Sérgio Peixoto, voz e co-direcção artística
Pedro Castro, flautas de bisel
Inês Moz Caldas, flautas de bisel
Sofia Diniz, viola da gamba tenor e soprano
Tiago Matias, tiorba, vihuela e alaúde, colascione


INFORMAÇÕES: Entrada gratuita



BIOGRAFIA COMPLETA
Sete Lágrimas

... though the title doth promise tears, unfit guests in these joyful times, yet no doubt pleasant are the teares which musick weeps, neither are tears shed always in sorrow, but sometimes in joy and gladness. Vouchsafe then your gracious protection to these showers of harmony (…) they be metamorphosed into true tears....
John Dowland (?1563-1626)

... embora o nome prometa lágrimas, convidadas pouco aprazíveis nestes tempos de alegria, são sem dúvida agradáveis as lágrimas que a música chora, nem sempre vertidas em tristeza mas também em alegria. Permita a vossa graciosa protecção a estes aguaceiros de harmonia que sejam metamorfoseados em verdadeiras lágrimas.
Trad. livre


Sob a direcção artística de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, Sete Lágrimas é um dos mais inovadores consorts europeus, especializados em música antiga e contemporânea, que procura, a cada programa, o diálogo entre a ancestralidade e a contemporaneidade e explora a ténue fronteira entre a música erudita e as tradições seculares.

Fundado no ano 2000, em Lisboa, apresenta-se pela primeira vez em 2001 com a estreia nacional e integral do “Primeiro Livro de Madrigais para Duas Vozes”, de Thomas Morley de 1595. Este repertório, que encerra em si a magia do Renascimento europeu, fazia da música e dos paradigmas clássicos uma forma de arte nova - apta a comunicar com o público de um modo ainda não experimentado -, e lançou o mote para os futuros projectos do grupo.

Em 2007, o grupo estreia a sua discografia com a edição, pela etiqueta MU, de um projecto dedicado à música antiga europeia de Corelli, Martini e Schütz, intitulado “Lachrimæ #1”. Este CD alcançou grande sucesso na crítica (Público, Diário de Notícias e Jornal de Letras ****) e na recepção do público e abriu as portas para uma nova fase da sua carreira. Integrado num projecto a seis anos, com o apoio do Ministério da Cultura, Sete Lágrimas lança, em 2008, o CD intitulado “Kleine Musik” (Público, Diário de Notícias e Jornal de Letras ****), um projecto de música antiga e contemporânea dedicado a Heinrich Schütz que contemplou a encomenda de nove peças ao compositor inglês Ivan Moody sobre os mesmos textos musicados por Schütz no século XVII. Ainda nesse ano edita o terceiro título, intitulado “Diaspora.pt” (Público, Diário de Notícias e Jornal de Letras ****, Expresso - Recomendação de Natal), no qual explora as relações estéticas, conceptuais e linguísticas da música dos países do cinco continentes visitados pelos Descobrimentos, pela secular diáspora cultural portuguesa e pela lusofonia. Este projecto alcança o TOP 5 de vendas das lojas FNAC, tendo mesmo atingido o primeiro lugar desta tabela e, em 2010, foi escolhido para figurar no “Guia da Música Clássica FNAC” como “discografia essencial”. No mesmo ano a carreira do Sete Lágrimas foi destacada na publicação “Alma Lusitana” desta cadeia de lojas.

O grupo desenvolve ainda, desde 2006, projectos de composição de música original e arranjos de música antiga para o cinema, o teatro e a televisão. A este propósito efectua a banda sonora original, baseada em música dos séculos XVI a XVIII, de uma série de 13 programas da estação televisiva SIC (2006). Ainda nesse ano foi escolhido como grupo residente do “Festival Terras sem Sombra” (2006-2010) sendo responsável por apresentar o programa síntese da temática nos concertos de Abertura ou Encerramento de cada edição.

Em 2009 o grupo edita o seu quarto trabalho discográfico, “Silêncio” (Diário de Notícias *****, Público e Jornal de Letras ****), com a estreia de seis obras especialmente encomendadas aos compositores Ivan Moody (Inglaterra/Portugal), Andrew Smith (Inglaterra/Noruega) e João Madureira (Portugal). Este projecto de nova música sacra para instrumentos “antigos”, encomendado pela Arte das Musas especialmente para o grupo (tal como em “Kleine Musik”), promove um olhar contemporâneo sobre três textos do Antigo e Novo Testamento que resultou nas obras Genesis I-III, Lamentation I-III e Passio I-III, para além de peças da tradição medieval inglesa e russa e das Cantigas de Santa Maria, de Afonso X.

Em 2010, lança o seu quinto trabalho discográfico, “Pedra Irregular” (Expresso *****, Público, Diário de Notícias e Jornal de Letras ****), dedicado ao nascimento do barroco em Portugal e à obra de Diogo Dias Melgaz, António Teixeira, Francisco António de Almeida e Carlos Seixas. Este projecto foi o resultado de um desafio do musicólogo professor Rui Vieira Nery (ex-Secretário de Estado da Cultura) e resultou em inúmeros concertos nos principais Festivais nacionais. A convite da Pastoral da Cultura e do Pe. Tolentino Mendonça apresenta em Lisboa, no mesmo ano, em estreia absoluta, a encomenda da obra “Missa de Pentecostes” de João Madureira (n. 1971), especialmente escrita para o grupo. Nesta sequência lança ainda, no mesmo ano, o seu sexto trabalho discográfico, intitulado “Vento” (Público ****/2), integralmente dedicado a esta obra, tendo a sua primeira edição esgotado no primeiro mês de vendas.

Ainda em 2010 apresenta, a convite da Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, o programa “Diaspora.pt” integrado na VII Cimeira dos Ministros da Cultura da Comunidade de Países de Lingua Portuguesa, e inicia, com enorme sucesso, a internacionalização do seu trabalho a convite do Festival de Musica Antigua de Gijón (Julho) e do Festival de Música Antiga de Úbeda y Baeza (Dezembro), ambos em Espanha.

Neste ano é reforçada a internacionalização da distribuição da sua discografia na Europa, Israel e Estados Unidos da América, para além da presença na maior loja on-line de música, iTunes.

Em 2011 tem agendados vários concertos integrados nas principais programações nacionais dos quais se destaca o do Festival das Artes de Coimbra em que apresenta, em estreia mundial, a encomenda da obra “Lamento” com texto original de José Luís Peixoto e música de João Madureira. Neste ano edita ainda dois novos projectos discográficos: “En tus brazos una noche”, dedicado à obra publicada do compositor Manuel Machado (Lisboa, c.1590 - Madrid, 1646); e “Terra (Diaspora, Vol.2)”, dedicado à memória linguística e musical da presença da cultura portuguesa no mundo, na sequência do excepcional sucesso, nacional e internacional, do projecto “Diaspora.pt”. Estes dois trabalhos serão apresentados em duas digressões nacionais no mesmo ano. “Terra” será apresentado em estreia, em Dezembro de 2011, na Temporada do Centro Cultural de Belém.

Ainda em 2011 reforça a sua carreira internacional com uma digressão do projecto “Mediterrae” na Bulgária, em Itália e em Malta e com a gravação de quatro peças a incluir numa edição europeia de música antiga.

A temporada 2011/2012 conta já com uma digressão em Itália e Áustria e confirma um novo estatuto depois do convite para Ensemble Associado da Temporada do Centro Cultural de Belém – CCB. Ao abrigo deste estatuto apresenta, na temporada principal desta instituição, o “Tríptico da Terra” composto por três concertos com os títulos “Terra”, “Vento” e “Pedra” que conta com a participação especial da cantora cabo-verdiana Mayra Andrade, do fadista António Zambujo e ainda da soprano argentina Maria Cristina Kiehr. Esta parceria resulta ainda, em 2012, na apresentação de dois concertos do Festival “Dias da Música”.

Das centenas de concertos integrados nas temporadas de música de todo país na última década, destaca-se a participação no Festival de Musica Antigua de Gijón (2010), Festival de Música Antiga de Úbeda y Baeza (2010), Festival Terras sem Sombra (2003-2010) Festival Internacional de Música da Madeira (2009), Festival Internacional de Música dos Açores - MusicAtlântico (2009), Festival de Música de Leiria (2009), Encontros de Música Antiga de Loulé (2006), Fundação Calouste Gulbenkian (2008), Temporada Centro Cultural de Belém (2009), etc.

Sete Lágrimas é editado pela etiqueta MU Records e conta com o management da Arte das Musas. É representado em França, Bélgica, Luxemburgo, Suiça e Holanda pela agência belga, Clara Musica. Os projectos discográficos e as suas temporadas de circulação contam, desde 2006, com o apoio do Ministério da Cultura, da Direcção-Geral das Artes e, desde 2010, da Delta Cafés.



NOTAS DE IMPRENSA
Sete Lágrimas


Cristina Fernandes, Público, Ípsilon, 18.03.2011
Crítica ao CD Vento **** (4 estrelas + 1/2)

“Partindo de um efectivo despojado (duas vozes, viola da gamba e tiorba), mas com enormes possibilidades expressivas, o compositor João Madureira (n. 1971) criou uma obra de tocante beleza, intensa espiritualidade e refinamento ao nível da construção musical na sua “Missa de Pentecostes”, uma encomenda da comunidade da Capela do Rato estreada em Maio de 2010 e posteriormente registada no CD “Vento” do agrupamento Sete Lágrimas. (...) A sedução contemplativa da obra deve também muito à inspirada interpretação dos Sete Lágrimas, onde sobressaem as vozes límpidas e expressivas de Filipe Faria e Sérgio Peixoto, as sonoridades envolventes da viola da gamba de Sofia Diniz e a tiorba cintilante de Hugo Sanches.”


Paula Moura Pinheiro, Câmara Clara, RTP2, 12.12.2010

"... e por falar em música e na evolução que, apesar de tudo, Portugal viveu nas últimas décadas, deixo-o com uma faixa de "Vento" - a Missa de Pentecostes que João Madureira compôs com palavras de Sophia de Mello Breyner e Mário Cesariny, entre outros... os excelentes Sete Lágrimas gravaram esta obra e o CD já está disponível!"


Jorge Calado, Expresso, 28.08.2010,
Crítica ao CD Pedra Irregular ***** (5 estrelas)

"Barroco bem afeiçoado - Há muito que ansiava pela oportunidade de escrever sobre este agrupamento, Sete Lágrimas - um nome (com licença de John Dowland) cujas palavras davam livros: o primo sete (como as notas de dó a si, os dias da semana e os pecados mortais) e as pérolas de água debitadas pelos nossos olhos, em momentos de tristeza e alegria, de dor e maravilha. Chego atrasado, mas não venho menos entusiasmado. O mote deste CD é o nascimento do Barroco em Portugal. Para o efeito, foram escolhidas algumas “pedras” ou peças - na citação de Garcia de Orta, “huns barrocos mal afeiçoados e não redondos” (que os redondos não têm ponta por onde se lhes pegue). Como se sabe, a qualidade da música barroca portuguesa é notável (sem atingir, todavia, o suprassumo da melhor produção estrangeira). (...) Não há aqui grandes novidades, mas os arranjos e combinações são inventivos e a qualidade da execução vence tudo, produzindo texturas variadas. Se há algo que domina é a clareza - com destaque para os timbres tenoris e para a sonoridade brilhante do oboé e da flauta barroca. De facto, não sei que mais admirar, se a justeza das vozes (belo solo de soprano no #13, de Carlos Seixas), se a inteligência da articulação e do fraseado. Não admira que os Sete Lágrimas tenham conseguido criar o seu próprio nicho num apertado panorama internacional. A produção e o design do disco (...) são excelentes. Um texto curto e simbólico, distribuído por sete linhas, que nos põe a pensar, é apenas um exemplo do bom gosto que preside a tudo o que sai das cabeças deste Consort. Como dizem os americanos: “A Class Act!”"


Cristina Fernandes, Público, 3.09.2010
Crítica ao CD Pedra Irregular ****(4 estrelas)

“Os Sete Lágrimas mostram novas facetas e novas cores de alguns nomes Maiores do barroco nacional. - “Pedra Irregular”, o mais recente CD dos Sete Lágrimas, evoca simbolicamente a origem portuguesa da palavra “barroco”, sinónimo de pedra irregular, e o nascimento desta corrente estética em Portugal, através de uma criteriosa selecção de obras (...). Com a excepção de algumas sonatas de Seixas, o repertório é de natureza sacra e foi composto para coro (com ou sem solista) e baixo contínuo, mas os Sete Lágrimas recriam-no através de combinações variadas que recorrem apenas a três cantores (a soprano Mónica Monteiro e os tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto), instrumentos melódicos (oboé, flauta e violino barroco) e uma ampla secção de baixo contínuo (violoncelo e contrabaixo barroco, tiorbas e órgão). Algumas peças vocais (como “Adjuva nos” de Melgaz e “Tanta grassabatur” de Teixeira) surgem assim em versões puramente instrumentais, enquanto outras assumem configurações mistas. Em ambos os casos, os instrumentos contribuem para uma maior riqueza de colorido e uma maior nitidez da textura.
Se as peças com efectivos mais amplos (como “Siquaeris miracula”, de Almeida, ou “Hodie nobis” e ”Sicut cedrus” de Seixas) são as que ilustram melhor o esplendor do estilo barroco e avultam entre os momentos mais altos da gravação, em boa parte dos casos o grupo cria um ambiente intimista e meditativo, mais próximo da música de câmara do que do contexto sumptuoso das cerimónias litúrgicas do tempo de D. João V, em que provavelmente algumas destas peças chegaram a ser interpertadas. Há também situações em que a voz superior (soprano) é cantada uma oitava abaixo por um tenor, originando um ambiente sonoro mais sombrio e opaco, como sucede, por exemplo, em “O quam suavis” de Almeida.
Um conjunto vocal mais amplo seria mais fidedigno em termos históricos e a adição de instrumentos no contexto das práticas de execução da época carece de mais investigação. No entanto, a filiação dos Sete Lágrimas não é a das “interpretações historicamente informadas”, ainda que os seus membros tenham formação nessa área e usem instrumentos antigos. É antes a da experimentação e da proposta de um olhar próprio, como o grupo tem demonstrado através de uma original discografia onde cabem projectos como “Kleine Musik”, “Diaspora.pt”, ou “Silêncio”. Nesse sentido, “Pedra Irregular” é uma aposta ganha, até porque contribui para realçar a qualidade da música e relevar novas facetas de cada obra através de uma interpretação cuidada e de um estudo atento à retórica barroca e à relação texto música."


Cristina Fernandes, 30 Dias – Oeiras, Julho/Agosto 2010
Crítica ao CD Pedra Irregular

“Quando o agrupamento Sete Lágrimas, dirigido por Filipe Faria e Sérgio Peixoto, apresentou em 2008 o programa “Pedra Irregular – O nascimento do Barroco em Portugal” no ciclo Música em São Roque, alguém comentava na assistência: “Mas isto é música portuguesa por intérpretes portugueses? Fantástico, parece incrível!” Este é apenas mais um dos milhares de exemplos do secular complexo de inferioridade português. Mas por detrás do preconceito, mostrava-se o espanto e o entusiasmo perante a qualidade da música e da interpretação, ambas próximas dos padrões internacionais. (...)”


Eduardo G. Salueña, La Nueva España, 23.07.2010
Crítica ao concerto Diaspora.pt (Festival de Música Antigua de Gijón)

"El mestizaje a través de la diáspora - Un debut de éxito del ensemble portugués Sete Lágrimas. Dentro de la atractiva programación que este año ofrece el Festival de Música Antigua de Gijón, el martes día 20 se presentó una propuesta diferente y muy sugerente. (...) Sete Lágrimas es un sexteto formado por las voces de Filipe Faria y Sérgio Peixoto (quienes asumen, a su vez, la dirección artística del conjunto), el buen hacer de Tiago Matias y Pedro Castro a un amplio elenco de instrumentos de cuerda pulsada y de viento respectivamente junto al contrabajo de Mário Franco y las percusiones de Rui Silva, dúo que aporta un influjo más dinámico y contemporáneo al resultado final. (...) Las voces de Faria y Peixoto son muy flexibles, muy dulces cuando entonan polifonía e incluso más teatrales y rítmicas en el caso de la mexicana «Xicochi conentzitle» (...). (...) sintetiza un concienzudo trabajo y un original acercamiento al mundo de la música antigua en lengua portuguesa. (...)"


Bernardo Mariano, Diário de Notícias, 26.06.2010
Crítica ao CD Pedra Irregular **** (4 estrelas)

"Incursão do ensemble Sete Lágrimas no barroco nascente (e pleno) português, contemplando obras de Diogo Dias Melgaz, Francisco António de Almeida, Carlos Seixas e António Teixeira. Com oboé/flauta doce, violino, tiorba, guitarra, violoncelo, contrabaixo e órgão positivo, mais o soprano Mónica Monteiro juntando-se aos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto. Participação instrumental sempre bem [...]; as transcrições funcionam, sem dúvida. [...]"


Paula Moura Pinheiro, Câmara Clara, RTP2, 30.05.2010

"Deixo-os com o Sete Lágrimas, um duo de tenores que faz emergir a contemporaneidade da Música Antiga. Filipe Faria e Sérgio Peixoto são responsáveis por alguns dos mais belos concertos e discos dos últimos anos em Portugal! [...] O que vamos escutar, aqui, [...] é uma faixa do "Diaspora.pt" um trabalho que tem dois anos e cuja actualidade não vai passar nunca!"


Bernardo Mariano, Diário de Notícias (NS), 23.01.2010
Crítica ao CD "Silêncio" ***** (5 estrelas)

Nos 25 anos do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, este "Silêncio" do [...] Sete Lágrimas [...] faz para a nova música de cariz sacro-religioso [...] um resgate. Não que o género esteja em risco ou moribundo, mas são expressões antigas que aqui são resgatadas por três criadores - Ivan Moody (rito ortodoxo russo), Andrew Smith (rito anglicano), João Madureira (rito católico romano) - e usados como fermento de novas criações: Génesis (Moody), Lamentações de Jeremias (Smith), Paixão (Madureira), todos em três partes, mais canção de Natividade (Moody), canção mariana (Smith) e [cantiga] de Santa Maria (Madureira), seis obras, seis encomendas do Sete Lágrimas. O resgate de que falamos acima é tanto mais de relevo quanto ele é realizado de forma muito diferente pelos três criadores, o que confere enorme riqueza à audição. Num ensemble de intérpretes muito justo e homogéneo, a convidada Zsuzsi Tóth (soprano) revela-se uma evidente mais-valia neste projecto, pela beleza do timbre e precisão da intonação. [...]


Pedro Boléo, Público, 20.11.2009
Crítica ao concerto Silêncio (Centro Cultural de Belém)

“[A] soprano húngara convidada, Zsuzsi Tóth, [...] deu um espectáculo vocal único. Muito bem estiveram também Sérgio Peixoto e Filipe Faria, os dois tenores fundadores do projecto […] Diana Vinagre (violoncelo) e Hugo Sanches (tiorba e alaúde) dão enorme confiança ao grupo. Pedro Castro brilha nas flautas (também com Inês Moz Caldas) e nos oboés. Mas Sete Lágrimas é um grupo em que a presença vocal é o essencial: Filipe Faria e Sérgio Peixoto, os dois excelentes jovens tenores, estiveram muito bem na peça final. E Zsuzsi Tóth, soprano de gestos quase imperceptíveis, com qualquer coisa de feiticeira. [...] A provar que a nova música religiosa não tem de ser pausada e tristonha por «estilo», nem só lamentosa - pode ter a alegria da descoberta, da interrogação, da sensualidade, da surpresa, mesmo quando se fala da angústia do mundo, da lamentação e da morte.
Não tinha com Mozart?”


Monica Hall, Lute News - The Lute Society Magazine, LXXXIX, 2009
Crítica ao CD Kleine Musik

“[...] Kleine Musik feature some of the finest singing I have heard for a long time. [...] The group are Portugal-based although not all members are Portuguese and Moody, a member of Greek Othodox Church and something of an authority on Iberian church music is therefore an apt choice as a collaborator. The three singers, soprano Ana Quintans and tenors Filipe Faria and Sérgio Peixoto are suberb. As well as a basic continuo group of theorbo, viola da gamba and theorbo, some of the pices, ancient and modern, include obligato parts for various flutes and baroque oboe, all brilliantly played.”


Robert Levett, International Record Review, 02.2009
Crítica ao CD Kleine Musik

“Kleine Musik is a record of responses: by two composers to the same texts; by one composer to the music of another; by composer to performer; by performer to composer, music and text. The multiple intersections blaze up into a delicately powerful coalescence. [...] In 2007 the present performers, Portuguese early and contemporary music ensemble Sete Lágrimas, commissioned the British composer [...] Ivan Moody (b. 1964) to set the same texts as Schütz. [...] Tenors Filipe Faria and Sérgio Peixoto (who together comprise Sete Lágrimas proper) sing with lightness, clarity and a great deal of expressive power, given the modest scale of these compositions. Ana Quintans’ pellucid soprano is likewise ideal for this repertoire. The instrumental ensemble nicely amplifies the meaning of the texts through subtle and imaginative phrasing and articulation (especially so in the case of violone player Duncan Fox). Well recorded and tastefully packaged, Kleine Musik blurs the boundaries between old and new in a way that¹s reminiscent of the best of religion and art.”


Time Out, 01.2009
Crítica ao CD Diaspora.pt

“Na linha de alguns discos recentes de Jordi Savall, como Diáspora Sefardi, Paraísos Perdidos ou A Rota do Oriente, em Diaspora.pt o ensemble português de música antiga Sete Lágrimas propõe um itinerário pelo tempo e pelo espaço – neste caso o fio condutor é a expansão da língua e cultura portuguesas pelo mundo, decorrente dos Descobrimentos, e a sua miscigenação com as tradições dos povos «descobertos». Tal como tem acontecido nos referidos discos de Jordi Savall, o Sete Lágrimas não só aproxima tradições musicais de diferentes culturas como esbate a distinção entre músicas de proveniência erudita e música de origem popular. O CD inclui vários vilancicos dos séculos XVI e XVII compostos quer em Portugal, quer além-mar, e dois deles fazem parte da colecção de «vilancicos negros» ou «negrillas» do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, que foi recentemente alvo de gravação pelo Coro Gulbenkian. O Sete Lágrimas escolhe uma abordagem radicalmente diversa do Coro Gulbenkian: recorre apenas a duas vozes e dá proeminência às cordas dedilhadas e percussão.”


Maria Augusta Gonçalves, JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, 01.2009
Crítica ao CD Diaspora.pt

“Mais de cinco séculos de diáspora, de cruzamento de culturas e práticas musicais e o cuidado do projecto Sete Lágrimas, dos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, podem fazer deste disco um dos melhores exemplos da «world music» e levar o conceito ao extremo [...]. Mas Diaspora.pt merece mais do que um rótulo – merece o reconhecimento da investigação que o sustenta, da totalidade que está na sua base e mantém viva a dinâmica de interacção musical entre Portugal e o mundo. [...] Passo a passo, sucedem-se tesouros e revelações, todos tão raros e fascinantes como a pequena peça instrumental de Damião de Góis ou a lírica de Camões, sobre ricercada de Diego Ortiz, todos tão fortes e delicados como os vilancicos de Gaspar Fernandes ou as canções de Eugénio Tavares e Manuel Machado. A atracção do disco reside igualmente na qualidade dos intérpretes [...].”


João Gobern, Sábado, 11.02.2009
Crítica ao CD Diaspora.pt

“[Diaspora.pt] é um caso de paixão à primeira vista: as vozes superiores, as guitarras condutoras, a percussão comedida vão criando espaços para a recuperação de uma série (sublime) de temas da música antiga, juntando-lhe uma viagem por pontos fulcrais da diáspora portuguesa – daí o título. De Macau a Cabo Verde, do Brasíl a Timor, sem esquecer a própria «produção» ibérica, o percurso é fascinante, tanto pela variedade como pelo cuidado posto na recolha e na transposiçao. Um belo exemplo no tratamento do património.”


Rui Pereira, Público, 06.02.2009
Crítica ao CD Diaspora.pt

“Um agrupamento português ombreia com prestigiados grupos de música antiga internacionais. Finalmente! Um agrupamento português toma como ponto de partida o riquíssimo repertório ibérico da música antiga, predominante português, e parte para uma ilustração musical de diáspora portuguesa à imagem do que têm feito outros ensembles estrangeiros de renome. Sem qualquer tipo de complexos, a ombrear mesmo com grupos de relevo, este projecto artistico do agrupamento Sete Lágrimas é uma celebração musical delirante, feita com puro deleite. A escolha de repertório é belíssima, denotando a forte origem popular das diferentes paragens. [...] Os músicos, dos quais destaco as assertivas percussões e guitarras, as surpreendentes vozes masculinas e as sonoridades encantadoras da flauta e do oboé barroco, estão em perfeita sintonia e contornam estilos diversos com grande mestria. A comparação com outros projectos artísticos torna-se inevitável, como é o caso da peça «Olá zente que aqui samo» que nos lembra o recente registo de L’Arpeggiata com os King Singers (principalmente pelo estilo vocal), com as incursões nas músicas das colónias portuguesas um pouco á imagem do que Saval tem feito com artistas da «world music».”


Jorge Lima Alves, Expresso, 13.12.2008
Crítica ao CD Diaspora.pt (publicação recomendações de Natal)

“Para «cantar» a diáspora portuguesa o grupo Sete Lágrimas (dirigido por Filipe Faria e Sérgio Peixoto) juntou as vozes de Rosa Caldeira e do fadista António Zambujo.
A obra resultante propõe uma belíssima viagem no tem e no espaço através de vilancicos do século XVI, chorinhos brasileiros e mornas cabo-verdianas, a par de música tradicional de Macau, Goa ou Timor. Uma prenda inestimável!”


Cristina Fernandes, Público, 14.11.2008
Crítica ao concerto Pedra Irregular (Festival de Música em São Roque)

“Vocacionado para a música antiga e contemporânea, o Sete Lágrimas Consort constitui um dos mais interessantes projectos surgidos em Portugal, nos últimos tempos, conforme se pode comprovar através de dois CD já editados (Lachrimæ #1 e Kleine Musik), aos quais se seguirá, em breve, Diaspora.pt. Dirigidos pelos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, o grupo apresentou no ciclo Música em São Roque um criterioso programa intitulado «Pedra Irregular – O Nascimento do Barroco em Portugal». [...] foi traçado um percurso com algumas das mais belas obras escritas entre os finais do século XVII e meados do século XVIII. [...] Algumas obras vocais [...] foram tocadas apenas em versão instrumental e as restantes foram objecto de combinações vocais e instrumentais variadas, que permitiram acentuar os contrastes da textura musical e obter ambientes tão diversos como o intimismo contemplativo [...] ou a exuberância italianizante [...].
O colorido que se ganhou desta forma mostrou facetas que outras interpretações deixam na sombra. [...] O resultado foi revelador [...]. O uso de um conjunto vocal mais amplo seria talvez mais fidedigno, mas os Sete Lágrimas não se definem como um grupo filiado nas «interpretações historicamente informadas» no sentido convencional, embora tenham formação nessa área. Preferem apostar na experimentação e na recriação do repertório, de resto uma tendência cada vez mais comum também a nível internacional. Com timbres de cores suaves, as vozes de Filipe Faria e Sérgio Peixoto combinaram-se com elegância e bom gosto e a soprano Mónica Monteiro teve uma prestação de crescente eloquência[...]. [...] A clareza de fraseados do oboé de Andreia Carvalho, num sugestivo diálogo com o violino de Denys Stetsenko, e um grupo de contínuo que nunca incorreu na monotonia completaram um trabalho de conjunto de grande consistência técnica e artística.”


Time Out, 09.2008
Crítica ao CD Kleine Musik

“[…] O resultado é um diálogo admirável, com muito mérito para Moody, que consegue estar em sintonia com o espírito de Schütz sem cair num neo-barroquismo espúrio.
Os tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, que lideram o ensemble, e a soprano Ana Quintans, dão provas de engenho e arte […]. A gravação é clara e confere presença sólida a vozes e instrumentos.”


Maria Augusta Gonçalves, JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, 13.08.2008
Crítica ao CD Kleine Musik

“O maior compositor alemão do Barroco intermédio, Heinrich Schütz, os seus Pequenos Concertos Espirituais (Kleine Geistliche Konzerte), a revisitação dessas peças por um compositor britânico contemporâneo há muito fixado em Portugal, Ivan Moody, e o projecto, bem amadurecido, dos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, Sete Lágrimas.
O conjunto dá origem a um dos mais belos discos de edição nacional, surgidos nos últimos anos. [...] O grupo Sete Lágrimas nasceu há cerca de uma década [...]. [...] Surgiu com o objectivo de ultrapassar barreiras mais ou menos convencionadas entre diferentes repertórios, fossem de música antiga ou contemporânea [...] Sucederam-se assim anos de trabalho e de concertos, até ao momento em que editaram o primeiro disco, Lachrimæ # 1. [...] O programa do primeiro disco demonstrava a atitude única do agrupamento.
Obras [...] [que] cruzavam universos e modos de vida, cuja soma parecia revelar um sentir comum – uma dor que não podia deixar de ser comum –, no confronto que dividia a Europa entre os diferentes credos. O novo disco impõe mais uma vez o «desassossego». [...]
Os textos (e os instrumentos de época) são retomados por Ivan Moody, como num «jogo de espelhos», conforme confessa na apresentação do CD: «reflectir como num espelho era ideia central deste projecto, devendo estar presente que todos os espelhos distorcem». E essa é a grande lição deste disco, o que o transforma em algo único e magnifíco. [...] As vozes de Sérgio Peixoto, Filipe Faria e, em particular, da soprano Ana Quintans materializam as melhores respostas, acompanhadas por Inês Moz Caldas (flauta de bisel), Pedro Castro (flauta e oboé barroco), Kenneth Frazer (viola da gamba), Duncan Fox (violone) e Hugo Sanches (teorba). Juntos fazem com que a música corra, expressiva, exigente, atenta ao pormenor, à eloquência imposta pelo mestre e pelo próprio enigma.”


Cristina Fernandes, Público, 20.06.2008
Crítica ao CD Kleine Musik

“Depois de uma estreia discográfica auspiciosa com Lachrimæ #1, o agrupamento Sete Lágrimas acaba de lançar mais uma gravação de grande consistência artística e conceptual. [...] [Um] deliberado jogo de espelhos. A combinação entre música antiga e contemporânea pode encontrar-se em vários projectos discográficos internacionais, mas tem sido bastante rara no contexto português. Kleine Musik não é apenas uma conjugação de universos cuidadosamente estudada [...]. É também uma justa homenagem a Schütz, um dos maiores compositores da história da música, que tem estado quase sempre ausente dos programas de concerto em Portugal, mas que faz parte do repertório do Sete Lágrimas desde o início da sua actividade. Se os pequenos trechos do compositor alemão incluídos no primeiro CD se encontravam entre as interpretações mais conseguidas dos tenores Filipe Faria e Sérgio Peixoto, neste segundo trabalho confirma-se a sua afinidade com a estética do compositor alemão e com a sua expressividade profunda e intimista. As suas vozes fundem-se bem ao nível do timbre e nota-se uma sintonia cuidada dos fraseados e das intenções retóricas, bem como uma cumplicidade eficaz com a componente instrumental, a cargo de intérpretes experientes no âmbito da música antiga. As faixas mais impressionantes do disco devem-se, porém, à interpretação de Ana Quintans, pelo seu elevado nível técnico, pelo brilho vocal e pela força emocional. A soprano, que tem feito carreira internacional no repertório barroco, soube também adaptar-se ao universo menos familiar de Ivan Moody [...]. A transição entre o antigo e o novo pode ser uma tarefa arriscada mas neste caso é conseguida de forma convincente, tanto pelo conteúdo musical como pela coerência interpretativa.”


Bernardo Mariano, Diário de Notícias, 14.07.2008
Crítica ao CD Kleine Musik

“O resultado aí está, com a estreia absoluta das nove pequenas obras de Moody, [...]. Desafio ganho, na medida em que o acerto, beleza e propriedade das vozes, o ambiente das linhas instrumentais por trás e o contraste estabelecido entre as linguagens barroca e moderna funciona muito bem. Boa dicção do alemão [...]. Som excelente.”


Pedro Boléo, Público, 01.06.2007
Crítica ao CD Lachrimae #1

“De chorar por mais
Duas boas notícias: a primeira é a estreia em disco de um projecto musical já com alguns anos actividade chamado Sete Lágrimas, um grupo que deu os primeiros passos em 2000, ainda com o nome L’Antica Musica. a segunda boa notícia é que, no mesmo gesto, surgiu uma nova editora a Mu Records. Este disco é sinal de uma capacidade de iniciativa de jovens músicos (neste caso dois tenores do Coro Gulbenkian) que deve ser saudada. Ainda por cima quando o disco Lachrimæ #1 é resultado de um trabalho musical cuidado, com algumas boas escolhas entre o repertório da música renascentista e barroca. As vozes de Filipe Faria e Sérgio Peixoto seguram com muita sensibilidade as linhas das polifonias de autores anónimos do século XVI e de peças de Giovanni Battista Martini (1706-1784). O conjunto instrumental cumpre bem a sua função, acompanhando as vozes, participando activamente na polifonia ou interpretando Sonatas e Corelli de finais do século XVII. Fica a sensação de que podia ir ainda mais longe na exploração tímbrica dos instrumentos e dar mais energia ao conjunto (mesmo se é um tom melancólico o que se procura em certas peças). Mas o resultado final é, sem dúvida, de muita qualidade.”


Bernardo Mariano, Diário de Notícias, 06.04.2007
Crítica ao CD Lachrimae #1

“[...] Combinação interessante de obras [...] e interpretações de bom nível, sobretudo nas peças francesas e nos motetes.”


Jean-Luc Bresson, Le Jouer de Luth - Société Française de Luth, 2007
Crítica ao CD Lachrimae #1

“Le titre annonce d’emblée un climat poétique sans équivoque: «Larmes». [...] L’atmosphére qui domine évoque une poignante méditation déclinée selon différents modes, d’une œuvre à l’autre. Dès les primières secondes, l’auditeur est saisi apr le climat emprunt de spiritualité qui domine l’ensemble. Il est invité à emprunter les voies d’une temporalité tournée vers l’interieur. Le temps s’écoule en longues plages sensibles. La pochette de ce disque montre la photographie d’un visage, surexposée au point de confiner à la plus parfaite blancheur. L’image conduit vers le blanc comme la méditation conduit vers le silence, ce silence qui émane des «limbes insondés de la tristesse» selon l’expression chére à Baudelaire. Si dans cet enregistrement la voix joue un rôle essentiel comme céhicule de l’émotion diffusée, elle est sotenue par de beaux accompagnements.”