Back to All Events

Noa Noa + Artur Fernandes (Danças Ocultas) + João Hasselberg @ Festival Fora do Lugar: Monsanto

13 Dezembro 21h30
Monsanto
S. Pedro de Vir-a-Corça

Noa Noa* e convidados
Língua
Projecto artístico parceiro do Festival Fora do Lugar

Todas as línguas mudam com o tempo. Evoluem e adaptam-se aos usos inovadores das comunidades, às suas idiossincrasias e hábitos. A língua não pode ser entendida como uma entidade imutável, estanque, parada ou desenhada no tempo e pelo tempo. Ela é, pelo contrário, resultado de uma dinâmica imensa da mesma forma e com o mesmo fulgor da comunidade ou da humanidade que muda… vagarosa mas imparável. Língua é o título do novo projecto Noa Noa dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, uma manta de sons “para além do Ebro” que resulta no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este projecto viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade.

Notas:
Entrada livre, sujeita à lotação da sala.
Por motivos de segurança, a porta será encerrada assim que a lotação estiver preenchida. 
As portas abrem 30’ antes do início do concerto.

Filipe Faria, voz, percussão, gaita, flauta, assobio, colascione, melódica, pianinho e guitarra barroca
Tiago Matias, vihuela, tiorba, guitarra barroca, colascione, melódica, percussão e voz
Artur Fernandes, concertina
João Hasselberg, contrabaixo

Noa Noa
Fundado por Filipe Faria e Tiago Matias em 2012 – antecipando o 110º aniversário da morte do pintor pós–impressionista Paul Gauguin (1848-1903) – Noa Noa procura explorar, em música, as fronteiras da liberdade criativa que os artistas da viragem do século XIX para o XX propunham alcançar. A liberdade criativa que se vivia na Europa de então encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores contemporâneos para novas obras, linguagens e estéticas. Em Noa Noa, Filipe Faria e Tiago Matias assumem o papel antigo do músico multifacetado e multi-instrumentista bebendo tanto duma intensa experiência profissional de mais de uma década na área da Música Antiga como do gosto comum pelo risco e pela capacidade íntima da música. De uma visão descomplexada e informal dos repertórios europeus para voz e alaúde, dos séculos XVI a XVIII, às músicas populares da Ibéria e da Europa com os cheiros e travos inevitáveis do torna viagem – marca de água da Europa pós aventura marítima – a música de Noa Noa assume uma construção moderna tendo como ponto de partida o diálogo essencial da voz com a multiplicidade de instrumentos antigos de corda pulsada. Na Temporada 2012/2013 o grupo tem agendada uma tournée em Idanha-a-Velha, Aveiro, Braga e Lisboa bem como a participação especial na instalação “A Manta” de Cristina Rodrigues, peça icónica do Museu Rural para o Século XXI/21st Century Rural Museum/Idanha-a-Velha resultado da parceria com o projecto Design for Desertification DfD, Câmara Municipal de Idanha-a-Nova (CMIN), Manchester Metropolitan University, MIRIAD e Oralities Project/UE, patente na Sé Catedral de Idanha-a-Velha até Setembro de 2013. Esta instalação viaja para o Brasil em Outubro do mesmo ano, para o MAM/São Paulo. No último trimestre de 2013, Noa Noa lança o seu primeiro trabalho discográfico dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, uma manta de sons “para além do Ebro” que resultou no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este projecto, intitulado “Língua (vol.1)”, viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade. Em parceria com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e a Arte das Musas, Noa Noa assume, no início de 2013, o estatuto de Artists-in-Residence neste concelho – com base na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha. Esta parceria concretiza-se na promoção de residências artísticas regulares que permitem olhar para o universo musical muito particular desta região raiana a partir de dentro, junto da população, dos músicos e artistas locais e dos seus espaços e hábitos. No mesmo ano Noa Noa assume ainda o estatuto de projecto parceiro do Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas. O nome do ensemble é inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa. Noa Noa é apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes e é representado pela produtora Arte das Musas.

Artur Fernandes. Formação musical assente em áreas complementares: De um lado, a música folclórica, desde os 13 aos 28 anos, ao toque do Acordeão Diatónico em agrupamentos locais e em casa duma longa família de músicos em Águeda; Do outro lado a música erudita, desde os 18 aos 30 anos ao toque do Saxofone no Conservatório de Aveiro e nas pautas da Composição na Universidade de Aveiro. Actividade artística dividida entre a revivificação de Música Tradicional e a criação de “Música Tradicional Imaginária”: com Danças Ocultas (6 álbuns editados e concertos em 18 países da Europa, África e Ásia); com outros projectos artísticos pontuais relacionados com a revivificação da tradição; como Convidado de outros artistas em áreas como o Pop/Rock, Tradicional, Jazz, Popular. Como compositor de música para Cinema, Teatro e Dança Contemporânea. Actividade pedagógica repartida entre o ensino do Acordeão Diatónico num âmbito regional e orientação de Estágios e Workshops em Portugal, Espanha e França, e o ensino de Composição e outras disciplinas musicais no Instituto Piaget / Viseu nas Licenciaturas em Música e em Educação Musical.

João Hasselberg nasceu em 1986, Lisboa, Portugal. Estudou baixo eléctrico no Hot Clube de Portugal e contrabaixo no Conservatorio de Amsterdão na Holanda onde se graduou com 9 em 10 valores. -Fez tournées em França, Inglaterra, Espanha, Holanda, Portugal, Alemanha, Roménia, Italia, Luxemburgo, Suíça, Mónaco, China, Marrocos. Tocou no “Later with Jools Holland Show”, e em salas como o Barbican Center (Londres), Half-Note (Atenas), Tempodrom (Berlim), Alte Oper (Frankfurt), Kolner Philarmonie (Colonia), LaeiszHalle (Hamburgo) e em festivais como o London Jazz Festival, Cully Jazz (Suíça), Barcelona International Jazz festival, Cartagena Jazz festival, Den Suíça Hague, Jazz Ahead (Alemanha), IJ Jazz Festival, Breda Jazz Festival, Meer Jazz festival, Trytone Jazz Festival, (Holanda), Europa Fest (Roménia), Festa de Jazz do S.Luis, Festival de Valado dos Frades, Jazz no Castelo, Seixal Jazz, Cool Jazz Fest, Sudoeste TMN (Portugal). Ganhou o 1º lugar no “Premio Jovens Músicos 2011” na categoria de Jazz Combo. Ganhou o 3º prémio na Bucharest International Jazz Competition em 2007, com o grupo “Inner Energy” e foi finalista na European Keep an Eye Jazz Award com Gille Estopey Trio em 2009. Tocou e toca com Perico Sambeat, Luisa Sobral, Gerard Presencer, Spyros Manesis, David Murray, Gianni Gagliardi, Alípio C. Neto, Júlio Resende, Afonso Pais, João Paulo Esteves da Silva, João Firmino entre muitos outros. Estudou com Ben Street, Larry Grenadier, John Clayton, Reuben Rogers, Frans van der Hoeven, Clemens van der Feen, Arnold Dooyewerd e Alejandro Erlich Oliva. Lecciona no Hot Club de Portugal e deu workshops de contrabaixo em França, Grécia e Alemanha. Gravou: Em 2013: João Hasselberg “Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting” Sintoma Records; Luisa Sobral “There is a Flower In My Bedroom”; Mariana Norton “10 Sides to my Story”; Bruno Santos “Ensemble” TOAP Records; Simone de Oliveira “Pedaços de Mim” Get Records; Afonso Pais e Rita Maria “O Miope e o Arco Iris” Sintoma Records; João Firmino Trio “A casa da Arvore” Sintoma Records. Em 2011: Spyros Manesis Trio “Undelivered” for JACC Records; Luísa Sobral for label Universal Music, João Firmino Group “A Bolha” for Label JACC Records. Em 2008: Gilles Estoppey Trio “Amter” for the label Dynemec. Em 2007: Joana Espadinha’s “Fuse and Jazz”. Em 2006: IMI Kollektief “Snug as a Gun” Clean Feed.

Filipe Faria. Lisboa, Portugal, 1976. Músico, produtor cultural, project designer, fotógrafo, videógrafo, criativo. Fundador e director da produtora cultural Arte das Musas (2002-). Fundador e director da label MU Records (2006-): 11 discos, 2 livros. Músico freelancer (1998-2008). Fundador, produtor e co-director artístico do consort de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas (2000-): 9 discos, >200 concertos em Portugal, Espanha, França, Itália, Malta, Bulgária, Bélgica, Noruega, Suécia, China, etc. (Ensemble Associado Temporada 2012/13 CCB/Lisboa). Fundador e co-director artístico de Noa Noa (2012-). Fundador, produtor e director do projecto artístico-etnográfico Olha para mim (2013-). Fundador, produtor e director artístico do Festival Terras sem Sombra (2003-2010) no Alentejo (Portugal). Fundador, produtor e director artístico do Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas (2012-), em Idanha-a-Nova (Portugal). Horticultor amador. Pai.

Tiago Matias. Aveiro, Portugal, 1978. Músico, produtor, professor, director musical. Guitarrista (-2005). 1º prémio no concurso “Música en Compostela” (2004). Desde 2005 dedica-se aos instrumentos antepassados da guitarra: alaúde, tiorba, vihuela, guitarra barroca, guitarra romântica e colascione. Produtor e director do Coro e Orquestra de Câmara da Bairrada (2005-). Fundador e co-director artístico de La Farsa (2006-). Fundador e co-director artístico de Noa Noa (2012-). Músico do consort de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas (2008-), entre outros. 7 discos: Vocal Ensemble, Sete Lágrimas, etc. Produtor cultural na Arte das Musas (2013-). Monitor de montanhismo do Grupo de Espeleologia e Montanha de Aveiro (2005-).