Noa Noa + João Hasselberg @ Festival Fora do Lugar: Aveiro

Museu de Aveiro
Concerto Fora do Lugar, Fora de Tempo 2015
do IV Festival Fora do Lugar 2015
Idanha-a-Nova em Aveiro

16/10/215
Sexta-feira, 21h30
Entrada livre sujeita à lotação da sala

Noa Noa
Língua*

Filipe Faria
Tiago Matias
João Hasselberg (convidado)

La Mare de Déu/Els pobres traginers, trad. (Català)
El cant dels occels, trad. (Català)
Ró-ró, trad. (Mirandés)
Ayer vite na fonte, trad. (Asturianu)
Ya cantan los gallos, vilancico anón., séc. XVI, Cancioneiro de Elvas (Castellano)
Por riba se ceifa o pão trad. (Português)
No piense Menguilla ya, José Marín (?1618/19-1699)
Baila nena, trad. (Galego)
El testament d'Amèllia, trad. (Català)
Iruten ari nuzu, trad. (Euskara)
Díme, paxarín parleru, trad. (Asturianu)
Tanchão, trad. (Português)
Negra sombra, trad. (Galego)
Ganinha, minha ganinha, lundun anón. séc. XVIII (Português)
La Margarideta, trad. (Català)

* Concerto integrado na digressão de lançamento do disco "LÍngua, vol.2" de Noa Noa (MU0114/2015 por Arte das Musas)

Biografia

Fundado por Filipe Faria e Tiago Matias em 2012 – antecipando o 110º aniversário da morte do pintor pós--impressionista Paul Gauguin (1848-1903) – Noa Noa procura explorar, em música, as fronteiras da liberdade criativa que os artistas da viragem do século XIX para o XX propunham alcançar.
A liberdade criativa que se vivia na Europa de então encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores contemporâneos para novas obras, linguagens e estéticas.
Em Noa Noa, Filipe Faria e Tiago Matias assumem o papel antigo do músico multifacetado e multi-instrumentista bebendo tanto duma intensa experiência profissional de mais de uma década na área da Música Antiga como do gosto comum pelo risco e pela capacidade íntima da música. De uma visão descomplexada e informal dos repertórios europeus para voz e alaúde, dos séculos XVI a XVIII, às músicas populares da Ibéria e da Europa com os cheiros e travos inevitáveis do torna viagem – marca de água da Europa pós aventura marítima – a música de Noa Noa assume uma construção moderna tendo como ponto de partida o diálogo essencial da voz com a multiplicidade de instrumentos antigos de corda pulsada.
Desde a sua fundação o grupo apresentou-se em concerto em Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova e Monsanto (Festival Fora do Lugar de Músicas Antigas; Centro Cultural Raiano), Aveiro (Teatro Aveirense e Museu de Aveiro), Águeda (Fundação Dionísio Pinheiro), Braga (Auditório Vita), Cascais (Centro Cultural de Cascais), Coimbra (Grande Auditório Conservatório de Coimbra), Lisboa (ISA; FNAC Chiado), Oliveira do Bairro (Quartel das Artes) e Almada (Teatro Azul) entre outros com os convidados especiais Artur Fernandes (Danças Ocultas), Cardo-Roxo, Adufeiras de Idanha-a-Nova, Rancho Folclórico Vindimadeiras da Mamarrosa, Joana Espadinha (voz), João Hasselberg (contrabaixo) e João Pedro Leitão e Ana Bacalhau (Deolinda).
Desde 2013 denvolve uma parceria com a artista Cristina Rodrigues que resultou na instalação “A Manta”, peça icónica do Museu Rural para o Século XXI/21st Century Rural Museum do projecto Design for Desertification DfD (Manchester Metropolitan University, MIRIAD e Oralities Project/UE) que esteve patente na Sé Catedral de Idanha-a-Velha, MUDE Museu do Design (Lisboa), Museu Nacional de Arqueologia/Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), Manchester Cathedral (Inglaterra). Em 2015 está patente no Mosteiro de Alcobaça com produção Everything is New.
Em 2014, Noa Noa lança o seu primeiro trabalho discográfico - com o apoio, SEC/DGARTES e CMIN - dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, uma manta de sons “para além do Ebro” que resultou no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este projecto, intitulado “Língua (vol.1)”, viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade. Este disco atingiu o primeiro lugar do TOP de vendas FNAC na área da Música Clássica/Música do Mundo/Jazz durante quatro meses tendo sido um dos discos mais vendidos em Portugal entre Julho e Novembro de 2014. A primeira edição esgotou em quatro meses estando a ser preparada a segunda edição. 
Em 2015 Noa Noa lança o seu segundo CD, o segundo volume do projecto “Língua”, e tem agendada - entre outros concertos - uma digressão integrada no projecto europeu Big Bang da Zonzo Compagnie (Bélgica)/CCB/Fábrica das Artes (Portugal) que se inicia no Centro Cultural de Belém (Lisboa) e que passa pelo BOZAR (Bruxelas, Bélgica), deSingel (Antuérpia, Bélgica), Opera de Ghent (Ghent, Bélgica) e Opera de Lille (Lille, França).
Até 2017 - com o apoio SEC/DGARTES - Noa Noa tem programada a edição de mais dois trabalhos discográficos sendo o primeiro dedicado ao Cancioneiro de Elvas.
Em parceria com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e a Arte das Musas, Noa Noa assume, no início de 2013, o estatuto de Artists-in-Residence neste concelho – com base na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha. Esta parceria concretiza-se na promoção de residências artísticas regulares que permitem olhar para o universo musical muito particular desta região raiana a partir de dentro, junto da população, dos músicos e artistas locais e dos seus espaços e hábitos. No mesmo ano Noa Noa assume ainda o estatuto de projecto parceiro do Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas.
O nome do ensembleé inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.
Noa Noa é apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes e é representado pela produtora Arte das Musas.

Noa Noa

Filipe Faria, voz, assobio, adufe, udu, melódica, bansuri, unhas de cabra, guizos, chocalhos, vassouras, ovos, bombo, colascione
Tiago Matias, vihuela de 7 ordens, guitarra romântica, colascione, viola beiroa, voz, bombo, adufe, unhas de cabra, guizos, vassouras
Convidado:
João Hasselberg, contrabaixo

(mini)-Notas ao programa

A liberdade criativa que se vivia na Europa da viragem do século XIX para o século XX1 encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores e músicos contemporâneos para novas linguagens e estéticas.
Todas as línguas mudam com o tempo. Evoluem e adaptam-se aos usos inovadores das comunidades, às suas idiossincrasias e hábitos. A língua não pode ser entendida como uma entidade imutável, estanque, parada ou desenhada no tempo e pelo tempo. Ela é, pelo contrário, resultado de uma dinâmica imensa da mesma forma e com o mesmo fulgor da comunidade ou da humanidade que muda… vagarosa mas imparável. 
Dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, "Língua" é uma manta de sons “para além do Ebro” que resulta no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este novo projecto de Noa Noa viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade... Este é o segundo dia de viagem.
Filipe Faria, Lisboa/Idanha-a-Nova, 2013/2014

1 O nome do projecto é inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.



ACERCA DO CONCERTO FORA DO LUGAR, FORA DE TEMPO
IDANHA-A-NOVA EM AVEIRO
IV FESTIVAL FORA DO LUGAR 2015

No dia 16 de Outubro de 2015 lá estaremos... fora de casa, pela primeira vez... no concerto FDL FDT Fora do Lugar, Fora de Tempo de apresentação da quarta edição do Festival Fora do Lugar 2015!

O Festival visita, este ano, a cidade de Aveiro numa parceria com a autarquia e o Museu de Aveiro com esta ideia de mostrar ao país as potencialidades do mundo rural como campo fértil para a inovação, criação e experiência artística e cultural.

Depois do concerto Fora do Lugar, Fora de Tempo de apresentação da programação desta edição, o Festival ocupa o território de Idanha-a-Nova, os seus espaços e hábitos, com as suas gentes, durante três semanas intensas, entre 27 de Novembro e 12 de Dezembro num conjunto de 6 concertos, 6 actividades do serviço educativo para escolas, 1 jam masterclass para alunos de música, 4 oficinas, 4 actividades de natureza e 1 experiência gastronómica para todos.

Produzido pela Arte das Musas com a parceria da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da Direcção-Geral das Artes, entre outras entidades, esta edição volta a receber músicos maiores do panorama nacional e internacional da Música Antiga e da Música do Mundo no que é uma proposta do mundo rural para olhar as "músicas antigas" como músicas de hoje, como sempre foram, com um inevitável olhar contemporâneo... e estimular novas leituras, diálogos e contaminações com a música de hoje - tudo em fabulosos espaços mais ou menos inesperados. Um Festival de pedra e terra... com gente lá dentro!

O concerto de 16 de Outubro, sexta-feira, no Museu de Aveiro, tem entrada gratuita e será construído em torno do último disco de um dos parceiros do Festival, artists-in-residence em Idanha-a-Velha, lugar aliás onde foi fundado... O projecto Noa Noa de Filipe Faria e Tiago Matias estreia em concerto o novo volume do projecto "Língua" - recentemente editado - com a companhia de João Hasselberg no contrabaixo. Este é o concerto de abertura da digressão de lançamento deste disco que se inicia no Fora do Lugar em Aveiro e passa ainda por Almada, Antuérpia, Bruxelas, Ghent, Lille encerrando no concerto oficial de abertura desta edição do Festival Fora do Lugar, em Idanha-a-Velha, no dia 27 de Novembro.

A quarta edição do Fora do Lugar volta a "ocupar" a paisagem humana e natural de Idanha-a-Nova com música, histórias, passeios, viagens, conversa, troca e aprendizagem, bagagem de cá e de lá e descoberta em lugares inesperados... associando-se ao quadro de referência da candidatura de Idanha à Rede das Cidades Criativas da UNESCO.

Com a direção artística de Filipe Faria, o Fora do Lugar - Festival Internacional de Músicas Antigas - é hoje um dos projectos culturais mais relevantes na área da música na região. Pondo em diálogo diferentes formas e tempos da música desafia a uma atitude perante as músicas antigas, abordando, de uma forma inovadora, os diálogos decorrentes dos binómios erudito/popular e antigo/contemporâneo.

Como escreve Armindo Jacinto, presidente do Município de Idanha-a-Nova, "A fronteira entre estas noções, longe de ser linear, surge aqui como uma experiência que, mais do que tudo, nos faz reflectir sobre os processos históricos que conduzem de uma linha musical a outra, feitos de permanências, mudanças e rupturas, muitas delas surpreendentes. Ao longo da história da música, passado e presente cruzam caminhos incessantemente. Não é por isso de estranhar um programa com presenças tão diversas...
Um conceito provocador? Sim, e tão assumido como os próprios espaços de realização do festival que rompem, também eles, com as convenções e estereótipos vigentes. Eficaz? Os resultados das edições anteriores falam por si, reforçando a validade de uma opção política que ilustra, ao nível local, a capacidade de produzir cultura num cenário onde muitos não concebem pensá-la neste moldes: o país perdido das pequenas aldeias quase desertas.
Daqui releva uma das virtudes maiores do projecto, a possibilidade de chegar até onde mais ninguém se deu ao trabalho de ir.".

2015 é igualmente o ano de um importante reconhecimento europeu ao Fora do Lugar com a atribuição do selo de qualidade europeu EFFE - Europe for Festivals, Festival for Europe - um projecto da EFA - European Festivals Association - e da Comissão Europeia. Idanha é a sua casa.

A entrada no concerto de Aveiro e em todos os concertos do Festival é livre apenas sujeita à lotação das salas.

Contamos com a vossa presença em Aveiro no dia 16 de Outubro para a primeira festa do ano... e depois... :)

Até já!
Filipe Faria

O programa detalhado pode ser consultado muito em breve no site www.foradolugar.pt e na página da rede social Facebook www.facebook.com/foradolugar. Mais informações através do e-mail festival@foradolugar.pt.