Noa Noa + João Hasselberg @ Festival Sons de Almada Velha: Almada

Igreja da Misericórdia
Festival Sons de Almada Velha
Almada

17/10/215
Sábado, 19h00
Entrada livre sujeita ao levantamento do bilhete (a partir das 18h)

informações:
AMA - Academia de Música de Almada
21 294 58 07
21 294 58 06
96 017 57 67
Câmara Municipal de Almada
21 272 40 08

Noa Noa
Língua*

Filipe Faria
Tiago Matias
João Hasselberg (convidado)

La Mare de Déu/Els pobres traginers, trad. (Català)
El cant dels occels, trad. (Català)
Ró-ró, trad. (Mirandés)
Ayer vite na fonte, trad. (Asturianu)
Ya cantan los gallos, vilancico anón., séc. XVI, Cancioneiro de Elvas (Castellano)
Por riba se ceifa o pão trad. (Português)
No piense Menguilla ya, José Marín (?1618/19-1699)
Baila nena, trad. (Galego)
El testament d'Amèllia, trad. (Català)
Iruten ari nuzu, trad. (Euskara)
Díme, paxarín parleru, trad. (Asturianu)
Tanchão, trad. (Português)
Negra sombra, trad. (Galego)
Ganinha, minha ganinha, lundun anón. séc. XVIII (Português)
La Margarideta, trad. (Català)

* Concerto integrado na digressão de lançamento do disco "LÍngua, vol.2" de Noa Noa (MU0114/2015 por Arte das Musas)

Organização
Academia de Música de Almada
Câmara Municipal de Almada
condições de participação

Biografia

Fundado por Filipe Faria e Tiago Matias em 2012 – antecipando o 110º aniversário da morte do pintor pós--impressionista Paul Gauguin (1848-1903) – Noa Noa procura explorar, em música, as fronteiras da liberdade criativa que os artistas da viragem do século XIX para o XX propunham alcançar.
A liberdade criativa que se vivia na Europa de então encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores contemporâneos para novas obras, linguagens e estéticas.
Em Noa Noa, Filipe Faria e Tiago Matias assumem o papel antigo do músico multifacetado e multi-instrumentista bebendo tanto duma intensa experiência profissional de mais de uma década na área da Música Antiga como do gosto comum pelo risco e pela capacidade íntima da música. De uma visão descomplexada e informal dos repertórios europeus para voz e alaúde, dos séculos XVI a XVIII, às músicas populares da Ibéria e da Europa com os cheiros e travos inevitáveis do torna viagem – marca de água da Europa pós aventura marítima – a música de Noa Noa assume uma construção moderna tendo como ponto de partida o diálogo essencial da voz com a multiplicidade de instrumentos antigos de corda pulsada.
Desde a sua fundação o grupo apresentou-se em concerto em Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova e Monsanto (Festival Fora do Lugar de Músicas Antigas; Centro Cultural Raiano), Aveiro (Teatro Aveirense e Museu de Aveiro), Águeda (Fundação Dionísio Pinheiro), Braga (Auditório Vita), Cascais (Centro Cultural de Cascais), Coimbra (Grande Auditório Conservatório de Coimbra), Lisboa (ISA; FNAC Chiado), Oliveira do Bairro (Quartel das Artes) e Almada (Teatro Azul) entre outros com os convidados especiais Artur Fernandes (Danças Ocultas), Cardo-Roxo, Adufeiras de Idanha-a-Nova, Rancho Folclórico Vindimadeiras da Mamarrosa, Joana Espadinha (voz), João Hasselberg (contrabaixo) e João Pedro Leitão e Ana Bacalhau (Deolinda).
Desde 2013 denvolve uma parceria com a artista Cristina Rodrigues que resultou na instalação “A Manta”, peça icónica do Museu Rural para o Século XXI/21st Century Rural Museum do projecto Design for Desertification DfD (Manchester Metropolitan University, MIRIAD e Oralities Project/UE) que esteve patente na Sé Catedral de Idanha-a-Velha, MUDE Museu do Design (Lisboa), Museu Nacional de Arqueologia/Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), Manchester Cathedral (Inglaterra). Em 2015 está patente no Mosteiro de Alcobaça com produção Everything is New.
Em 2014, Noa Noa lança o seu primeiro trabalho discográfico - com o apoio, SEC/DGARTES e CMIN - dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, uma manta de sons “para além do Ebro” que resultou no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este projecto, intitulado “Língua (vol.1)”, viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade. Este disco atingiu o primeiro lugar do TOP de vendas FNAC na área da Música Clássica/Música do Mundo/Jazz durante quatro meses tendo sido um dos discos mais vendidos em Portugal entre Julho e Novembro de 2014. A primeira edição esgotou em quatro meses estando a ser preparada a segunda edição. 
Em 2015 Noa Noa lança o seu segundo CD, o segundo volume do projecto “Língua”, e tem agendada - entre outros concertos - uma digressão integrada no projecto europeu Big Bang da Zonzo Compagnie (Bélgica)/CCB/Fábrica das Artes (Portugal) que se inicia no Centro Cultural de Belém (Lisboa) e que passa pelo BOZAR (Bruxelas, Bélgica), deSingel (Antuérpia, Bélgica), Opera de Ghent (Ghent, Bélgica) e Opera de Lille (Lille, França).
Até 2017 - com o apoio SEC/DGARTES - Noa Noa tem programada a edição de mais dois trabalhos discográficos sendo o primeiro dedicado ao Cancioneiro de Elvas.
Em parceria com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e a Arte das Musas, Noa Noa assume, no início de 2013, o estatuto de Artists-in-Residence neste concelho – com base na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha. Esta parceria concretiza-se na promoção de residências artísticas regulares que permitem olhar para o universo musical muito particular desta região raiana a partir de dentro, junto da população, dos músicos e artistas locais e dos seus espaços e hábitos. No mesmo ano Noa Noa assume ainda o estatuto de projecto parceiro do Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas.
O nome do ensembleé inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.
Noa Noa é apoiado pela Secretaria de Estado da Cultura/Direcção-Geral das Artes e é representado pela produtora Arte das Musas.

Noa Noa

Filipe Faria, voz, assobio, adufe, udu, melódica, bansuri, unhas de cabra, guizos, chocalhos, vassouras, ovos, bombo, colascione
Tiago Matias, vihuela de 7 ordens, guitarra romântica, colascione, viola beiroa, voz, bombo, adufe, unhas de cabra, guizos, vassouras
Convidado:
João Hasselberg, contrabaixo

(mini)-Notas ao programa

A liberdade criativa que se vivia na Europa da viragem do século XIX para o século XX1 encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores e músicos contemporâneos para novas linguagens e estéticas.
Todas as línguas mudam com o tempo. Evoluem e adaptam-se aos usos inovadores das comunidades, às suas idiossincrasias e hábitos. A língua não pode ser entendida como uma entidade imutável, estanque, parada ou desenhada no tempo e pelo tempo. Ela é, pelo contrário, resultado de uma dinâmica imensa da mesma forma e com o mesmo fulgor da comunidade ou da humanidade que muda… vagarosa mas imparável. 
Dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, "Língua" é uma manta de sons “para além do Ebro” que resulta no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este novo projecto de Noa Noa viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade... Este é o segundo dia de viagem.
Filipe Faria, Lisboa/Idanha-a-Nova, 2013/2014

1 O nome do projecto é inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.