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FORA DO LUGAR - FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICAS ANTIGAS \ OUT OF PLACE - EARLY MUSIC(S) INTERNATIONAL FESTIVAL

IDANHA-A-NOVA \ UNESCO CREATIVE CITY OF MUSIC

 

6º FDL 2017

Filipe Faria

Director \ Festival Fora do Lugar \ Arte das Musas

PT A criação não tem morada ou destino. A criação dos bichos, como nós ou com mais ou menos patas, a criação dos nossos filhos ou das plantas de folhas e frutos pequenos ou gigantes… A criação não tem latitude ou longitude, coordenadas ou receitas. Algo existe agora no universo que não existia até aqui… estava cá tudo, mas isto não… Não tem morada porque existe num tecido de todos os tempos e lugares. Não tem destino porque não tem vontade. Acontece independentemente da cor, do espaço, da temperatura ou das estrelas… Acontece de propósito ou sem querer mas acontece mais nuns dias do que noutros… Acontece de dia ou de noite. Depende. A criação não tem morada mas há lugares mais rápidos e outros mais lentos… Depende. Nos lugares mais lentos, com mais espaço, ar e chão nasce, do nada em que já estava tudo, algo lento. Nos lugares mais rápidos, vistos como num comboio, nasce do nada em que já estava tudo, algo rápido. Ou então não. Ou então vice-versa. O que sabemos é que nalguns lugares o tempo suspende o tempo suficiente para criar… Às vezes é preciso muito, outras pouco… Criar do tudo um pouco de novo… A criação pode acontecer onde estamos a contar ou fora do lugar, onde menos esperamos… num lugar onde a criação dos bichos ou das plantas é tão comum como a dos sons, imagens ou movimentos… num lugar onde os rios podem ser cor-de-rosa e as árvores azul bebé, onde as casas são feitas de nuvens e as pedras ocas por dentro, onde os montes se sobem para baixo e descem para cima, onde a água corre para cima e para baixo (conforme) e o chão flutua, onde as pessoas e os bichos riem juntos à noite… num lugar que ferve e a partir do qual nascem árvores e voam aves à velocidade da luz…

EN Creation has no address or destination. The creation of beasts, like us or with more or fewer legs, the creation of our children or of plants with leaves and small or giant fruit… Creation has no latitude or longitude, coordinates or recipes. Something exists now in the universe that hasn’t existed until now… everything was here, but not that… It has no address because it exists in a fabric of all times and places. It has no destination because it has no will. It happens independently of colour, space, temperature or the stars… It happens on purpose or unintentionally but it happens more on some days than on others… It happens by day or by night. It depends. Creation has no address but there are faster places and there are slower places… It depends. In the slower places, with more space, air and ground, from the nothing in which everything already existed, something slow is born. In the faster places, seen as if from a train, from the nothing in which everything already existed, something fast is born. Or not. Or vice-versa. What we know is that in some places time suspends time long enough to create… At times a lot is needed, at others not so much… Creating a little bit of new from the whole … Creation can happen where we intend it to or out of place, where we least expect it… in a place where the creation of beasts or plants is as common as that of sounds, images or movements… in a place where the rivers can be pink and the trees baby blue, where the houses are made of clouds and the stones are hollow inside, where mountains are climbed downwards and descended upwards, where water flows upwards and downwards (depending) and the ground fluctuates, where people and beasts laugh together at night… in a boiling place where trees are born and birds fly at the speed of light…

 

 

5º FDL 2016


Armindo Jacinto

Presidente do Município de Idanha-a-Nova \ Mayor of Idanha-a-Nova

PT A dimensão patrimonial de Idanha tem, hoje, distinção mundial. Cidade Criativa da UNESCO, na área da Música, desde Dezembro de 2015. Reserva da Biosfera em 2016, ano que assinala 10 anos da criação do Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, o primeiro geoparque em Portugal e a primeira classificação UNESCO da região. As três atribuições conferem a Idanha estatuto particular: é um território UNESCO, cruzando material e imaterial. É um orgulho para todos os idanhenses. E uma imensa responsabilidade. O reconhecimento do valor patrimonial não é um fim em si mesmo. É a validação de um percurso, num incentivo à continuidade das boas práticas que sustentam este reconhecimento. Nesta linha insere-se, também, o resultado do trabalho desenvolvido junto de várias instâncias europeias. Idanha-a-Nova tornou-se, em 2015, membro do Clube de Estrasburgo, um colectivo de cidades europeias que debatem e promovem o Projecto Europeu, tema candente nos dias de hoje. Estrasburgo é ainda o palco onde, através de Idanha, o nosso país estará representado no Mercado de Natal de 2016. Com cinco séculos de existência, a maior e mais antiga feira de natal europeia tem em 2016 Portugal como país convidado e, ao longo de um mês, a cultura e actividades produtivas de Idanha terão destaque em representação do país. Este ponto, aliás, reflecte um dos elementos chave da estratégia de desenvolvimento sustentável do município. O sector primário regista um crescimento muito significativo, devido aos projectos associados à Incubadora de Base Rural e à estratégia de valorização dos produtos locais em Portugal e no estrangeiro. Há um ano, o Fora do Lugar foi o palco de uma boa nova. Hoje, é novamente o palco onde celebramos o primeiro aniversário enquanto Cidade Criativa da Música pela UNESCO, cruzando conceitos, práticas e territórios que reflectem uma vocação integradora, visível à escala global. Nos nossos dias, a acção integrada dos vários sectores produtivos presentes no nosso território, com abordagens inovadoras e articuladas, faz cada vez mais sentido. É por esta via que queremos continuar, produzindo resultados mais eficazes e duradouros. A todos, o nosso sincero bem hajam!

EN Idanha’s wealth of heritage is now appreciated worldwide. UNESCO Creative City in the field of music since December 2015. Biosphere Reserve in 2016, which also marks 10 years since the creation of Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, the first Geopark in Portugal and the first UNESCO classification in the region. These three awards give Idanha a special status: it is a UNESCO territory, combining tangible and intangible heritages. It is a source of pride for all those who live here. And a huge responsibility. Recognition of its patrimonial value is not an end in itself. It is the validation of a path, an incentive to continue the good practices that sustain this recognition. This includes the results of the work carried out with various European authorities. In 2015, Idanha-a-Nova became a member of the Strasbourg Club, a collective of European cities that debates and promotes the European Project, a controversial topic nowadays. Strasbourg is also the stage where, through Idanha, our country will be represented at the 2016 Christmas Market. Five centuries old, the largest and oldest Christmas fair in Europe, Portugal will be its guest nation in 2016 and, for a month, Idanha’s culture and productive activities will be highlighted as part of the country’s representation. This point in fact reflects one of the key elements of the municipality’s sustainable development strategy. The primary sector is registering very significant growth, due to projects linked to the Rural Base Incubator and the strategy of promoting local products in Portugal and abroad. A year ago, the Fora do Lugar international early music festival was the stage for good news. Today, it is again the stage on which we celebrate the first anniversary as a UNESCO Creative City of Music, bringing together concepts, practices and territories that reflect a unifying mission with a global profile. These days, the integrated action of various productive sectors present in the region, with innovative and organised approaches, makes more and more sense. It is along this path that we wish to continue, producing more effective and long-lasting results. To everyone, our most heartfelt thanks!

 

Filipe Faria

Director \ Festival Fora do Lugar \ Arte das Musas

PT No quinto dia de viagem podemos parar. Parar para escutar. Para falar. Podemos parar para logo caminhar... ou parar por parar. Para ficar a olhar. Fechar os olhos e escutar. Estas terras são novas... a terra na minha mão cai para o chão da mesma cor, aquela pedra não estava ali... e esta árvore que me protege era tão pequena. Aqui temos memória daquilo que não vivemos. É a terra, à qual estamos irremediavelmente ligados... são os silvos do vento ou a água que cai do ar em gotas mais ou menos pesadas. O sol claro. O nevoeiro que esconde. O canto daquela ave. Não sei explicar mas estamos cá, na Idanha, como se sempre cá estivéssemos. Como se tivéssemos nascido sob aquela pedra grande que faz de abrigo a uma raposa quando chove. Somos irmãos do tempo e deste espaço que é diferente aqui do que em qualquer outro lado do mundo... Tudo passa. Serenamente. E nós passamos por tudo. Lembramo-nos, como se fosse hoje, daquilo que não vivemos. É isso... aqui não há passado, só presente... e todos os futuros que o presente alimenta. Aqui somos a soma de todos os dias de todos os tempos... porque, mesmo que queiramos, não conseguimos viver ontem... É essa a oferta destas terras. Tudo junto, num só lugar, num só tempo... Por isso podemos estar no lugar certo e ao mesmo tempo fora do lugar... Como se nos víssemos pequenos, crianças, a crescer e a brincar... e logo adultos, velhos, sentados na sombra daquele pomar e com vontade de jogar à bola, ou de mandar uma pedra ao rio porque podemos... ou subir àquela pedra e gritar ao ouvido do ar que passa. No quinto dia da viagem trazemos, a Idanha, mais memórias para juntar às nossas. Memórias de sons, cantilenas, mnemónicas para decorar trivialidades ou ideias especiais, palavras entre dentes e sussurros ao ouvido... pedaços de madeira, troncos e galhos de árvores que se transformam em som nas mãos de alguém. Aqui só somos felizes. E o céu é escuro à noite e claro de dia, como deve ser. Idanha é um convite. Estar fora do lugar é irresistível. Aqui... temos memória daquilo que não vivemos... mesmo daquilo que não somos e que talvez gostássemos de ser.
E começamos tudo outra vez como se fosse a primeira... vez. Até já.

EN In the fifth day of the journey we can stop. Stop to listen. To talk. We can stop in order to start again... or stop in order to stop. To see what’s there or just close our eyes and listen. These lands are new.... the earth in my hand falls to the ground of the same colour, that stone wasn’t there... and that tree that protects me used to be so small. Here we have a memory of what we didn’t live. It is the land, to which we are inexorably bound... it is the whistling wind, or the water that falls from the air in drops, sometimes heavy, sometimes not. The bright sun. The fog that conceals. The song of that bird. I don’t know how to explain it, but we are here, in Idanha, as if we had always been here. As if we had been born under that big rock that shelters the fox from the rain. We are brothers and sisters of this time and this space that is different here than in any other part of the world... Everything passes. Serenely. And we pass through everything. We remember, as if it were today, that which we didn’t live. And realise that... here there is no past, only present... and all the futures that are fed by the present. Here we are the sum of every day of every time... because, even if we wanted to, we can’t experience yesterday... That is the gift of these lands. Everything together, in one place, in one time... That is why we can be in the right place and, at the same time, out of place... As if we were seeing ourselves when younger, as children, growing and playing... and then as adults, old people, sitting in the shade of that orchard and wanting to kick a ball around, or to throw a stone into the river because we can... or to climb that rock and shout at the passing air. On the fifth day of the journey we bring more memories to Idanha to add to our own. Memories of sounds, songs, mnemonics for remembering trivia or special ideas, muttered words and whispers... pieces of wood, trunks and branches of trees that become sounds in someone’s hands. Here we are simply happy. And the sky is dark at night and light by day, as it should be. Idanha is an invitation. Being out of place is irresistible. Here... we have a memory of what we didn’t live... even of what we are not and would perhaps like to be. And we begin everything one more time as if it were the first... time. See you soon.

 

 

 

4º FDL 2015


Armindo Jacinto

Presidente do Município de Idanha-a-Nova \ Mayor of Idanha-a-Nova

Mais um ano, mais um desafio. O Fora do Lugar – Festival Internacional de Músicas Antigas afirma-se como um dos fenómenos musicais mais originais do panorama nacional. Potenciado pelas oportunidades infindáveis que o território de Idanha-a-Nova oferece, o nosso “pequeno festival andarilho” continua a surpreender os seus públicos com a programação que propõe, cruzando, de uma forma particularmente feliz, intérpretes, repertórios e lugares.
Se, com efeito, podemos afirmar que as terras de Idanha e a música estão intrinsecamente ligadas este é um desses momentos em que tal ligação se torna particularmente visível. É do conhecimento comum que a herança musical de Idanha constitui uma das suas maiores riquezas. Mas é algo mais do que uma ligação que perpetua um passado e os modelos herdados. É um processo de dinamismo crescente que, ao mesmo tempo que guarda essas matrizes que fazem as delícias de muitos, abre-se, cada vez mais para a partilha de novas formas da experiência musical, buscando outros caminhos, feitos de cruzamento e inovação, capazes de demonstrar quão fértil é o potencial criativo desta região – um dos principais motivos de interesse, reconhecido no seio do conjunto de especialistas e membros da Rede das Cidades Criativas da UNESCO, na área da música, que estiveram reunidos em Idanha-a-Nova em Fevereiro último, a quem nos demos a conhecer. As impressões recolhidas, extremamente positivas, foram um apoio inestimável na conclusão do processo de candidatura a esta rede, submetida no passado mês de Julho.   
Entre os motivos de interesse mais destacados, encontramos o Fora do Lugar, considerado um exemplo cabal de capacidade de projecção e criatividade notáveis, que rompe convenções, ao assumir a pequena escala, o diálogo musical e a aproximação aos espaços e aos públicos rurais, como marcas distintivas de um projecto – reunindo os mais jovens, os menos jovens, os que ouvem, os que dançam, os que conversam, os que já conhecem o campo, os que ainda não, os que querem ser surpreendidos, enfim, todos os que se revejam num conceito de música onde o tempo e o(s) espaço(s) são deveras relativos.   
Esta visão é, também, a nossa visão, e daí a facilidade com que a parceria se estabeleceu e se mantém ao longo destes quatro anos que assinalamos na edição de 2015. Uma edição que expressa, sem peias, quão importante a música é para todos nós, que nos importamos com este lado do nosso país.

 

Filipe Faria

Director \ Festival Fora do Lugar \ Arte das Musas

E estamos no quarto dia da viagem... Ontem, como hoje, estamos aqui, onde devemos estar, no lugar mais bonito do mundo e a partir dele vê-se o mundo de outra forma. É inevitável ver o mundo de outra forma quando nos cruzamos com pessoas felizes... A natureza é feliz aqui e até o horizonte sorri. A viagem começou. Na bagagem levamos a ideia de trazer aos lugares mais ou menos inesperados das terras mágicas da Idanha a música dos nossos mundos, popular e erudita, antiga e nova. Na bagagem de cada um esta música mistura-se com as cores da outra. Esta é a bagagem de todos nós, um conjunto de peças enxertadas pelo tempo, com cores que são difíceis de identificar. Uma espécie de bagagem enxertada em vida. Essa é a nossa história, a história da nossa bagagem. Somos o que levamos connosco e o que encontramos. E estamos sempre fora do lugar... porque não há nenhum lugar onde é suposto estarmos. Não há lugar melhor...
No quarto dia de viagem chegámos aqui. No horizonte vemos pessoas a conversar. Ouvimos o que dizem e dizem que ontem já foi hoje e que amanhã será ontem. É inevitável. É tudo tão antigo como novo. Daqui partimos para o mundo para mostrar que aqui, nesta Idanha, no meio desta península, se pode fazer tudo de novo todos os dias.
No horizonte deste dia podemos ouvir as línguas da península, todos os sons que se fazem nos cantos e no meio desta terra virada para o mar. Passa a caravana e bailamos o mundo. Ao longe ouvimos duas raparigas de longe, vindas do meio da Europa, a tocar e a cantar o mediterrâneo. Agora estamos no meio de outra viagem, de uma viagem que começou há mais de um milénio vinda do sul. Já quase no fim do dia vem uma guitarra com outros quatro viajantes. E chegamos ao fim desta viagem, deste ano, deste dia que continua. Acabamos, por agora, com a voz... outra voz que vem de longe... uma voz que “regressa ao seu amor ancestral... contar histórias. Um amor que vem de longe, do antigo prazer de... ouvi-las. Tudo acontece na mágica passagem do dia para a noite, quando tudo, mesmo o tempo, agora e depois, está suspenso....”*.
São muitos dias para ouvir e viver e muitos outros momentos, outras histórias, passeios, viagens, conversa, troca e aprendizagem, bagagem de cá e de lá, mais ou menos enxertada. Músicos e púbico juntos como se fosse possível isso acontecer em qualquer lugar... 
* Marco Beasley 2013 (trad. Filipe Faria)

 

 

 

3º FDL 2014


Armindo Jacinto

Presidente do Município de Idanha-a-Nova \ Mayor of Idanha-a-Nova

O ano de 2014 assinala a terceira edição do Fora do Lugar – Festival Internacional de Músicas Antigas, um dos projectos culturais mais relevantes na área da música na região. Apoiado desde o primeiro momento pelo Município de Idanha--a-Nova, na qualidade de parceiro, este projecto assume um papel de relevo no contexto da sua linha de intervenção no plano cultural, em particular no que diz respeito ao desenvolvimento do diálogo entre formas musicais e da atitude perante a música antiga, abordando de um modo inovador os conceitos de erudito/popular e antigo/contemporâneo. A fronteira entre estas noções, longe de ser linear, surge aqui como uma experiência que, mais do que tudo, nos faz reflectir sobre os processos históricos que conduzem de uma linha musical a outra, feitos de permanências, mudanças e rupturas, muitas delas surpreendentes. Ao longo da história da música, passado e presente cruzam caminhos incessantemente. Não é por isso de estranhar um programa com presenças tão diversas: do jazz ao eco dos esplendores do Al Andalus,passando pela exuberância do barroco alemão e a expressividade da world music.
Um conceito provocador? Sim, e tão assumido como os próprios espaços de realização do festival que rompem, também eles, com as convenções e estereótipos vigentes. Eficaz? Os resultados das edições anteriores falam por si, reforçando a validade de uma opção política que ilustra, ao nível local, a capacidade de produzir cultura num cenário onde muitos não concebem pensá-la neste moldes: o país perdido das pequenas aldeias quase desertas.
Daqui releva uma das virtudes maiores do projecto, a possibilidade de chegar até onde mais ninguém se deu ao trabalho de ir, cumprindo um objectivo que, sendo do Município de Idanha-a-Nova, deveria ter reflexos mais amplos na realidade nacional – umreal e generalizado acesso à diversidade cultural dos nossos dias.
Ao longo do tempo Idanha tem investido, como poucos, neste sentido. Por esta razão, 2014 marca, igualmente, mais uma etapa no caminho da validação deste esforço e do reconhecimento das valências e dinamismo culturais deste território, com a candidatura, em curso, à Rede das Cidades Criativas da UNESCO, precisamente na categoria da Música. Neste contexto, onde tradição e modernidade convivem e dialogam em permanência entre si, o contributo do Fora do Lugar – Festival Internacional de Músicas Antigas afigura-se decisivo. Sobre as terras de Idanha recaem não apenas as expectativas das suas gentes, mas as de todos aqueles que, neste e noutros projectos promovidos pelo Município, revêem o tremendo potencial do mundo rural português.

 

 

 

2º FDL 2013


Armindo Jacinto

Presidente do Município de Idanha-a-Nova \ Mayor of Idanha-a-Nova

Desde 2001, que, na sua estratégia de política cultural, o Município de Idanha-a-Nova considera o registo da música antiga como um elemento estrutural nas suas linhas de programação anuais e plurianuais. As acções desenvolvidas ao abrigo do projecto de Animação das Aldeias Históricas (2001-2003) e de parcerias intermunicipais (3 Culturas - Évora, Idanha-a-Nova e Mértola - 2003/2006) e internacionais (Cultura 2007 - 2013: Projecto Oralidades - Portugal: Évora, Idanha-a-Nova e Mértola; Espanha: Ourense; Itália: Ravenna; Malta: Birgu; Bulgária: Sliven) demonstraram-se reveladoras do interesse que este registo musical suscita no território, quer junto das comunidades residentes no concelho de Idanha-a-Nova, quer junto dos territórios limítrofes, englobando ainda públicos mais distantes, quase sempre com uma resposta muito positiva às propostas apresentadas.
A primeira edição do Fora do Lugar - Festival de Músicas Antigas, decorrida entre 1 e 15 de Dezembro de 2012, constituiu um notável salto em frente em termos da confluência de interesses entre os dois parceiros envolvidos (Município de Idanha-a-Nova e Arte das Musas), plenamente revelada na qualidade do programa desenvolvido, no grau de visibilidade do evento e do território que o suportou e na considerável adesão de públicos - oriundos não só da região, como de outros pontos do país, conforme foi possível aferir ao longo do festival. A isto acresce ainda, o interessante contributo para a dinamização sócio-económica e cultural da região, perceptível não apenas no reflexo da afluência de público junto da restauração e alojamento locais, ao longo dos vários dias de duração do festival, mas, também nas iniciativas paralelas, promovidas a partir das comunidades e produtores locais, que encontraram nesta iniciativa o cenário ideal para mostras e provas, o que se traduz num claro incentivo à valorização e comercialização dos produtos da região.
O Outono de 2013 renova o convite à descoberta dos sons e dos lugares de Idanha. O festival internacional de músicas antigas Fora do Lugar, cuja segunda edição decorre de 22 de Novembro a 14 de Dezembro deste ano, dá continuidade a duas características que, de certo modo, constituem a sua pedra de toque: a ousadia de se apresentar em locais fora do contexto habitual à realização de espectáculos desta natureza, que permite testar o grau de interesse que leva os públicos a movimentar-se em conformidade; e a capacidade de envolver os agentes culturais da região nas respectivas dinâmicas de produção.
Justo motivo de orgulho para todos, esta reunião de condições traduz-se num desejável incremento da produção cultural na nossa região e no reconhecimento do dinamismo e da capacidade de intervenção do município, envolvendo as respectivas comunidades e actores, junto de entidades e produtores de nível internacional. 
Bem hajam.

 

Filipe Faria

Director \ Festival Fora do Lugar \ Arte das Musas

JP Simões respondeu assim ao desafio de abrir esta edição Fora do Lugar: A arte do trovador é mais antiga que a primeira teoria da música desenhada pelos chineses há cerca de cinco mil anos: o trovador canta o amor, a vitória e a derrota, o escárnio e a redenção, o mundo e o seu mistério, desde que estas coisas começaram a ser verbalizadas, ou mesmo antes, uivando à lua. O canto - ou o uivo - é tão antigo como o Homem e não custa imaginar que este foi sempre o incentivo para o desenvolvimento de novos desenhos de instrumentos musicais - mais ou menos inovadores.
Assim que foi inventado o primeiro instrumento musical - porque disso se tratava, de inventar novas formas de fazer som agradável para encher os dias e as noites de outras cores - este, com certeza, serviu de instrumento de acompanhamento à voz, o mais complexo e orgânico de todos os instrumentos. Milhares de anos depois ainda hoje podemos testemunhar a inevitável tentação de cantarolar acompanhado, de forma improvisada e lúdica ou de forma maturada e carregada de sentido(s).
A edição 2013 do Fora do Lugar abre com um homem atrás de uma guitarra - que por ser homem que canta à lua, é um trovador - e encerra com outro homem atrás de outra guitarra. São tão diferentes mas tão parecidos os seus percursos e tão antigos como novos. JP Simões e Pedro Caldeira Cabral partilham a tentação da música como processo de crescimento pessoal e de aproximação ao que é mais sublime. Aliás, ambos partilham moléculas com cerca de seis milhões de anos.
É aqui, Fora do Lugar, que podemos assistir a estas coincidências ou diálogos. Aqui, a renovada esperança de diálogo entre a ancestralidade e a contemporaneidade, entre a arte do mundo, a da academia e a das tradições populares tem o seu lugar. É este o seu lugar. E são as terras de Idanha, as mágicas terras de Idanha, que nos inspiram. A promoção destes diálogos tem o poder de valorizar as tradições regionais - ancestrais ou contemporâneas - do nosso país, da Europa e do Mundo, sem fronteiras.
Aqui podemos ouvir ainda as vozes humanas e despidas das Segue-me à Capela no meio de alfaias agrícolas; a música e as nove musas antigas do L’Aspiration entre Cegonhas; o assombro da capacidade vocal humana de Gabriel Díaz e Sara Águeda num Palheiro de pedras tão antigas; o encontro entre a experiência do Concerto Campestre e a juventude dos Coros Voximini e Voximix numa Casa que é do povo; o jazz sem fronteiras de Mário Franco, Sérgio Pelágio e André Sousa Machado num Lagar ancestral; e as sete línguas dos sete cantos da pequena península ibérica de Noa Noa, Artur Fernandes e João Hasselberg no fabuloso sítio de pedras e ar de S. Pedro de Vir-a-Corça.
São nove concertos e muitos ateliers, visitas, exposições, passeios, mostras e masterclasses de 22 de Novembro a 14 de Dezembro possíveis porque foi possível desenhar uma rede de parcerias, nacional e regional, que potencia a promoção destes fabulosos destinos patrimoniais e a valorização da massa crítica que nos últimos anos o municípiode Idanha-a-Nova tem vindo a promover, com assinalável sucesso.
Termino agradecendo às instituições que nos apoiam nesta aventura Fora do Lugar: Secretaria de Estado da Cultura, Direcção-Geral das Artes, Centro Cultural Raiano, Instituto Politécnico de Castelo Branco - Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova, Naturtejo, Direcção Regional de Cultura do Centro, Aldeias Históricas de Portugal e Antena 2. 
Agradeço de forma especial à Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, na pessoa do seu presidente, pela parceria e amizade com que recebeu, deu casa e alimentou este projecto. Bem vindos.

 

 

 

1º FDL 2012


Armindo Jacinto

Presidente do Município de Idanha-a-Nova \ Mayor of Idanha-a-Nova

Em Idanha, o Outono traz consigo um convite acolhedor, feito de ecos de outros tempos e lugares. Fora do Lugar é o primeiro festival internacional de músicas antigas em terras de Idanha, que decorre de 1 a 15 de Dezembro deste ano.
Este encontro é o feliz resultado da convergência de múltiplas experiências e o fruto de um significativo trabalho em rede, que se estende por um tempo considerável. Há vários anos que Idanha-a-Nova vem desenvolvendo uma programação cultural baseada em critérios de qualidade e diversidade, dividida entre as múltiplas vertentes que estão ao seu alcance. Estes princípios orientadores têm conduzido, pouco a pouco, à afirmação dos objectivos de uma missão que, desde sempre, se nos afigurou essencial à nossa política cultural: o fomento da acção cultural enquanto serviço público, com um carácter multidisciplinar e multicultural, visando o desenvolvimento de uma forte identidade local e regional, capaz de se reflectir em planos mais alargados.
Os esforços envidados pelo Município nesse sentido são uma aposta estratégica, essencial à salvaguarda da riqueza patrimonial da região - material e imaterial- à valorização das matrizes identitárias das comunidades aí presentes, e ao desenvolvimento das capacidades necessárias a um diálogo equilibrado entre registos culturais distintos.
Condições importantes, sem dúvida, ao desejável incremento da produção cultural na nossa região, da sua fruição e reconhecimento. Fora do Lugar é um bom exemplo deste processo, representando o crescimento ‘natural’ de uma ligação prévia ao território, efectivada através de um dos projectos internacionais em que o Município de Idanha-a-Nova participou em tempos recentes, o Projecto Oralidades | Cultura 2007-2013. Fora do Lugar é também o reconhecimento do dinamismo e capacidade de intervenção cultural deste município, respectivas comunidades e actores culturais perante entidades e produtores de nível internacional, que se traduz num justo motivo de orgulho para todos nós. Bem hajam.

 

Filipe Faria

Director \ Festival Fora do Lugar \ Arte das Musas

Nascido num momento de grande incerteza e perplexidade - no qual tudo parece estar fora do lugar - o projecto do Festival Fora do Lugar procura desafiar a comunidade artística e o público nacional a encontrar, na arte, uma renovada esperança de diálogo entre a ancestralidade e a contemporaneidade, entre a arte do mundo, a da academia e a das tradições populares. A promoção destes diálogos nestes dias aparentemente cinzentos tem o poder de promover a valorização das tradições regionais do nosso país, quando integradas numa programação descentralizada, descomplexada mas preocupada com a formação de novos públicos para as artes antigas, raízes do tempo presente..
Fora do Lugar tem como objectivo promover e desenvolver um projecto de fusão entre a ancestralidade e a contemporaneidade e o diálogo da arte e da cultura com o património, as tradições populares e a ecologia humana. Este é um espaço onde a experimentação, a aprendizagem, a aventura, a fruição musical, cultural e da natureza, a criação, o diálogo e a promoção de novas linguagens é enquadrada por um contexto complementar de relação com os espaços patrimoniais – expectáveis ou inesperados – da cultura erudita, da cultura popular ou da arqueologia industrial e agrícola.
O Festival oferece, na sua primeira edição, um conjunto seis concertos, uma conferência proferida pelo professor Rui Vieira Nery (presidente da Comissão de Honra do Festival), dois workshops e um conjunto de programas integrados na rede Naturtejo, num período de quinze dias, em nove espaços patrimoniais do lindíssimo concelho de Idanha-a-Nova. O Festival abre a porta de lagares ancestrais onde ainda se pode cheirar o azeite, capelas antigas de pedra e arte, casas familiares históricas, hangares de fábricas agrícolas desactivadas, palacetes oitocentistas e outros centros de cultura.
A rede de parcerias, nacional e regional, potencia a promoção dos fabulosos destinos patrimoniais do concelho de Idanha-a-Nova e a valorização da massa crítica que nos últimos anos o município tem vindo a manter, com assinalável sucesso, num conjunto de iniciativas integradas de programação.
Acabo agradecendo às instituições que nos apoiam nesta aventura: Secretaria de Estado da Cultura, Direcção-Geral das Artes, Projecto Oralities Our common heritage, Centro Cultural Raiano, Naturtejo, Delta Cafés e Antena 2 e em especial à Câmara Municipal de Idanha-a-Nova pela parceria e amizade. Sem a boa vontade de todos seria impossível estarmos aqui.
Bem vindos!