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Lo Còr de la Plana (França/France)

 © Augustin Le Gall

© Augustin Le Gall

LO CÒR DE LA PLANA

França/France

Sáb. / Sat.
8.12.18 > 21:30
Idanha-a-Velha
Antiga Sé

Manu Theron
Sébastien Spessa
Benjamin Novarino-Giana
Denis Sampieri
Rodin Kaufmann

PRINCIPAL/MAIN MÚSICA/MUSIC CONCERTO/CONCERT

Lotação/Capacity 100 pax
Duração/Duration +-60’

PT Entrada livre sujeita à lotação das salas. Por motivos de segurança a porta será encerrada assim que a lotação estiver preenchida. As portas abrem +-30‘ antes do início dos concertos.

EN Free entry subject to room capacity. For safety reasons, the door will be shut as soon as the room is full to capacity. Doors open +-30’ before the concerts start.

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Grands espaces

Musiques à danser*

*Espaços amplos: Canções de dança/Wild spaces: Dancing songs

PT Antigamente, na área da Occitânia, como em todo o lado, o repertório das cantigas de dança destinava-se ao entretenimento, quando um instrumentista era demasiado caro para os dançarinos. A função do músico não era, então, ser escutado por aquilo que tinha a «dizer», mas entreter e substituir «a música». Poucos cantores, na verdade, aceitavam este exercício com modéstia. Neste concerto, Lo Còr de la Plana aceita esta exigência funcional, desviando-a das «danças populares» para diferentes estéticas musicais, aplicando também os antigos truques inventivos dos executantes de outrora aos estilos musicais dos nossos dias. As canções são, é claro, inspiradas pelo antigo (dança popular) ou moderno (rock, ragga, electro) reportório occitano, e readaptadas a ferramentas musicais concretas: vozes, percussão corporal e pandeiros.

Os textos são criações originais dos membros do coro e oferecem um comentário poético e político sobre as sensações provocadas pela dança. O objectivo é tornar a público sensível à música vocal, bem como estimular aqueles que tendem a adormecer durante os concertos de polifonia!

EN Formerly, in the Occitan area as anywhere else, the repertoire of dancing songs was meant for entertainment, when an instrumental performer seemed too expensive to the dancers. The musician’s function was then not to be listened to for what he had to “say”, but to entertain and replace “the music”. Few singers, in fact, could bring themselves to accept this exercise in modesty.

In this show, Lo Còr de la Plana accepts this functional demand, diverting it from “folk dances” to different musical aesthetics, also applying the ancient performers’ inventive ploys to the musical styles of today. The songs are of course inspired by the ancient (popular dancing) or modern (rock, ragga, electro) Occitan repertoire and are readapted to the concrete musical means: voices, corporal percussion and frame drums.

The texts are original creations by the members of the choir and offer poetic and political commentary on the sensations brought about by the dancing.

The aim is to make the audience sensitive to vocal music and also to stir up those who tend to fall asleep during polyphony concerts!

Lo Còr de la Plana

Lo Còr de la Plana

PT Lo Còr de la Plana receberam, em 2003, o Grand Prix de l’ Académie Charles Cros, pelo seu primeiro álbum Es lo titre e, em 2005, o Prix SACEM des Musiques du Monde.

Desde 2001, Lo Còr de la Plana, oriundos da zona de La Plaine, em Marselha, vêm reinventando a vocalidade meridional, combinando-a frequentemente com o som arcaico e cru, por vezes violento, do mediterrâneo. Vozes e percussão - tudo o que possa produzir a batida, mãos, pés, pele - são usadas no ritual rudimentar minimalista da interpretação.

Há textos do antigo repertório occitano, pleno de santos sedentos de sangue, monstros amigáveis ainda cheios do velho fervor da província pagã. Há canções acerca da colorida multidão da Marselha dos nossos dias, um mundo de farra ruidosa, de paraísos imaginários, do silêncio ensurdecedor da mortal especulação imobiliária, de ovelhas e de lobos, da agitação geral da vida quotidiana.

Manu Théron reuniu quatro percussionistas cantores para esta aventura polifónica: Benjamin Novarino-Giana, Sébastien Spessa, Denis Sampieri e Rodin Kaufmann.

Apesar de ancorados à experiência de Marselha e à língua occitana, o universo musical criado por Lo Còr de la Plana estende-se muito além do particularismo, integrando vários tipos de elementos, de Pierre Schaeffer aos Ramones, de Bartók aos The Velvet Underground. Para eles, a memória cultural não é desculpa para ficar parado, mas uma ocasião de turbulência, de lascívia dionisíaca, de impulsos e hesitações, e mesmo, no limite, de ameaça mortal.

Memória incandescente deste tipo é matéria-prima para o empenho do grupo em produzir e partilhar algo simultaneamente único e universal, a pulsação que vem do coração, como indica o seu nome occitano.

EN Lo Còr de la plana was awarded in 2003 the grand prix de l’Académie Charles Cros for their first album “Es lo titre”, and in 2005 the Prix SACEM des musiques du monde.

Since 2001 Lo Còr de la Plana, based in the “La Plaine” area of Marseilles has been reinventing meridional vocality often mixing it with raw and sometimes violent archaic Mediterranean sound. Voices and percussion – whatever can produce the beat, hands, feet, skin – are used in the minimal rudimentary ritual of performance.

There are texts from the ancient occitan repertoire, thronging with bloodthirsty saints, kindly monsters still full of the old fervour of pagan Provincia. There are songs about the motley crowd of Marseilles today, a world of noisy carousing, of imaginary paradises, of the deafening silence of deadly real estate speculation, of sheep and of wolves, the general hurly-burly of everyday life…

Manu Théron brought together four singer percussionists for this polyphonic venture : Benjamin Novarino-Giana, Sébastien Spessa, Denis Sampieri, and Rodin Kaufmann.

Though anchored in the Marseilles experience and the Occitan language, the musical universe created by Lo Còr de la Plana extends well beyond particularism and integrates all sorts of elements from Pierre Schaeffer to the Ramones, from Bartok to The Velvet Underground. For them, cultural memory is not an excuse to stand still but an occasion of turbulence, of dyonisiac lewdness, of drives and hesitancies, even of deadly threat if one goes too far.

Incandescent memory of this sort is raw material for the group’s endeavour to produce and share something both unique and universal, the pulsation of something that comes from the heart its Occitan name stands for.

Manu Théron

PT Nascido em 1969, criado entre a Argélia e Marselha, Manu Théron iniciou os estudos de piano aos 7 anos e aprendeu a cantar em coros e com a sua avó. Descobriu a língua e a poesia occitanas aos 18 anos, envolvendo-se então no movimento revivalista occitano. Manu Théron viajou durante mais de 4 anos pelo sul da Itália e a Bulgária, onde descobriu os cantares tradicionais e a polifonia, e, sobretudo, conviveu com cantores e coros, aprendendo com eles a disciplina auditiva e o comportamento musical num colectivo de canto. Como promover a permanência das práticas culturais e sociais ligadas às questões da língua através do canto, como desenvolver conexões com a literatura oral dialetal, como ignorar as instituições oficiais do folclore popular que transformam práticas vivas em curiosidades de museu? São estas algumas das obsessões que resultaram de todos estes encontros e reflexões.

De volta a Marselha, em 1995, decidiu, então, dedicar a sua vida ao canto e à música occitanos.

Em 1995, criou um trio vocal, chamado Gacha Empega, que rapidamente se tornou conhecido em França pelas suas incríveis performances vocais de tendência punk. Quatro anos mais tarde, fundou o ensemble polifónico Lo Còr de la Plana, o qual começou a actuar por toda a Europa e outros continentes, ganhando vários prémios, e descobriu a importância de partilhar este novo conceito de canto polifónico com tantas pessoas quanto possível. Apaixonadas e activas, as atuações e os ensinamentos de Manu Théron inspiram-se no canto popular mediterrâneo e requerem, frequentemente, o uso de pandeiros em conjunto com um talento vocal expressivo único.

EN Born in 1969, raised between Algeria and Marseilles, Manu Théron studied piano since age 7 and learnt singing together with choirs and his grand mother. Discovered Occitan language and poetry aged 18, then got involved in the occitan revival movement. In southern italy as well as in Bulgaria, Manu Theron travelled more than 4 years, discovering traditional singing and polyphony and, most of all, getting along with singers and choirs, learning from them listenning diciplin and musical behaviour in a singing collective. How to keep up cultural and social practices linked to language issues through singing, how to develop connections with dialectal oral litterature, how to ignore official folklore institutions, which transform lively practices into museum curiosity ? here are a few obsessions that came out as a result of all these encounters and thoughts.

Back in Marseilles in 1995, he then decided to dedicate his life to occitan singing and music.

In 1995 Manu starts a vocal trio called « Gacha Empega », very quicly known all around the France for its incredibly punk vocal performances, and founds 4 years later his polyphonic ensemble « Lo Còr de la Plana », that started performing throughout Europe and a few other continents, won several prices, and discoverd the relevance of sharing this new conception of polyphonic singing with as many people as they could. Passionate and active, Manu Théron’s performances and teachings are inspired by popular mediterranean singing, and often require frame percussions together with a unique vocal expressive talent.

Sébastien Spessa

PT Após uma iniciação com a música blues e jazz, Sébastien Spessa fundou, em 1996, Na Zdorovie, a primeira banda de música cigana de Marselha. Ingressa no grupo Lo Còr de la Plana em 2000. Desenvolve uma paixão pela música tradicional do Sul de Itália, canta e toca a chitarra battente com músicos napolitanos, com os quais forma outra banda, Gli Ermafroditi. Recentemente, desenvolveu um forte interesse pelo canto barroco, que estuda na Academia de Música de Aix-en-Provence.

EN After beginning with blues and jazz, Sébastien Spessa founds in 1996 Na Zdorovie, the first gipsy music band in Marseille. He enters Lo Còr de la Plana in 2000. He develops a passion for traditional music from Southern Italy, sings and plays the chitarra battente with Neapolitan musicians with whom he founds another band, Gli Ermafroditi. Recently, he developed a strong interest in baroque singing, which he’s studying at the Music Academy of Aix-en-Provence.

Denis Sampieri

PT Multi-instrumentista e virtuoso, Denis Sampieri iniciou-se na música aos cinco anos. Estudou, posteriormente, piano clássico, guitarra eléctrica e guitarra jazz. Ingressou no Lo Còr de la Plana em 2002 ao mesmo tempo que estudava musicologia e participava na aventura dos Raspigaous, uma lendária banda de reggae de Marselha. Trabalhando também como arranjador, foi ainda baixista e cantor de coros dos Redlight, uma banda rock, e dedicou-se ao estudo da língua occitana.

Hoje é, para além disso, produtor de uma série de artistas, bem como do seu novo quarteto, Uèi, no qual canta e compõe.

EN A multi-instrumentalist and a virtuoso, Denis Sampieri starts music at the age of five. He then studies the classical piano, the electric and jazz guitar. He enters Lo Còr de la Plana in 2002, at the same time as studying musicology and participating in the adventure of Raspigaous, a legendary Reggae band from Marseille. Also an arranger, he otherwise has been a bass player and chorus singer in Redlight, a rock band, and also devotes himself to the study of Occitan language.

He now also produces music for a variety of artists as well as for his fresh new quartet ‘Uèi’ for which he sings and composes.

Rodin Kaufmann

PT Franco-alemão de nascimento, Rodin Kaufmann

cresceu em Marrocos, no Egipto e no Líbano, onde aprendeu árabe. As numerosas viagens e o seu encontro com a música occitana levaram-no a tornar-se um entusiasta de todos os aspectos da cultura occitana, do canto às gravações de campo, da literatura ao ensino. Em 2016, fundou, com Denis Sampieri, um novo quarteto, Uèi.

EN French-German by birth, Rodin Kaufmann grows up in Morocco, Egypt and Lebanon where he learns Arabic. His numerous travels and his encounter with Occitan music lead him to become enthusiastic about every aspect of Occitan culture, from singing to field recording, from literature to teaching.

In 2016 he founds, with denis Sampieri, a new quartet “ Uèi”.

Benjamin Novarino-Giana

PT Originário de Coaraze, no interior de Nice, Benjamin Novarino-Giana canta desde a infância, tendo-se envolvido em projetos musicais locais emblemáticos, tal como os Nux Vomica. Diretor de diversos workshops de canto, é também ator.

EN From Coaraze, in the hinterland of Nice, Benjamin Novarino-Giana’s been singing from childhood, and has been involved in local emblematic musical projects such as Nux Vomica. Director of many singing workshops, he is also an actor.

Imprensa Press

THE NEW YORK TIMES – Jon Pareles

PT O grupo mais marcante do Globalfest 2008 (...) foi aquele que viajou mais leve: Lo Còr de la Plana, vindos de Marselha, França. Este grupo é composto por seis homens, quatro dos quais tocam, também, tambores de mão e pandeiretas. Cantam numa língua em extinção, o occitano, e num estilo antigo que foi em tempos música de igreja. (...) E, apenas com as suas vozes e percussões, produzem coisas extraordinárias. Cantam em ricas harmonias e alegres contrapontos ricocheteantes. Dão som a drones e dissonâncias semelhantes à música do Leste Europeu, linhas de vozes solistas sustentadas, parentes da música árabe e do canto gregoriano, e chamadas e respostas percussivas, reminiscentes de África - tudo ligações a um eixo mediterrânico. A música é, ao mesmo tempo, robusta e intricada, um som local pronto a ser exportado.

EN The most striking group at Globalfest 2008 (...) was the one that traveled lightest : Lo Còr de la Plana, from Marseilles, France. It was six male singers, four of whom also played hand drums and tambourine. They sang in a disappearing language, Occitan, and in an old style that once was church music. (...) And with just those voices and percussion, they did remarkable things. They sang rich chordal harmonies and joyfully ricocheting counterpoint. There were drones and dissonances akin to Eastern European music, sustained solo vocal lines related to Arabic music and Gregorian chant, and percussive call-and-response hinting at Africa — all the connections of a Mediterranean hub. The music was equally robust and intricate, a local sound ready for export.

fROOTS - Andy Kershaw

PT As suas harmonias intricadas e sobrepostas formam deambulantes e obscuros labirintos occitanos, com um trilho de humor feito para ser percorrido pelo ouvinte aventureiro. Os Lo Còr de la Plana quase usam a sua música como oportunidade para desafiar qualquer equívoco acerca do renascimento de culturas e tradições antigas. A sua missão é capturar o sentimento, i.e., o ridículo da sua experiência quotidiana e idiossincrática, mesmo que tal signifique agitar aqueles que gostariam de ver estas formas musicais morrer em capelas. A abordagem dos Lo Còr de la Plana é completa: desde o seu envolvimento com a comunidade, ao caráter satírico da capa dos seus álbuns. Não são apenas uma banda, são uma filosofia.

EN Their intricate, overlapping harmonies form roaming, obscure Occitan labyrinths with a humourous trail laid down for the adventurous listener to follow. Lo Còr de la Plana almost use their music as an opportunity to challenge any misconceptions about the revival of ancient cultures and tradition. Their mission is to capture a feeling, i.e. the ridiculousness of their idiosyncratic, everyday life experience, even if it means stirring up those who would like to see these musical forms die out in chapels. The approach of Lo Còr de la Plana is complete : from their involvement with the community to their satyrical CD artwork. They are not just a band, they are a philosophy.

THE AUSTRALIAN - Iain Shedden

PT O seu ritmo chega-nos de diversas formas, por vezes em simples cânticos repetitivos que sustentam as suas entrelaçadas, frequentemente complexas, tapeçarias vocais. É por vezes fascinante, uma estranha mistura de testosterona e beleza etérea, quando seis homens vestidos de negro forçam o seu caminho através de material que tem as suas raízes na igreja, mas que no contexto moderno pode muito bem estar aliado ao diabo. Quando entram os tambores acústicos de mão (bendir e tamburello), junto com o bater de pés e de mãos, o todo percussivo torna-se, subitamente, uma empresa mais arrebatadora do que os roncos e batidas individuais. Esta trupe marselhesa foi um dos grupos mais originais a aparecer no Botanic Park ao longo do fim de semana.

EN Their rhythm comes in several forms, sometimes just in the repetitive chants that underpin their intertwining, often elaborate vocal tapestries. It’s mesmerising in places, a weird mix of testosterone and ethereal beauty as six men clad in black joust their way through material that has its roots in church, but that in its modern context just might be in league with the devil. When the acoustic hand-held drums (bendir and tamburello) kick in, along with footstomping and handclaps, suddenly the percussive whole is a more heart-stirring enterprise than the individual grunts and thumps. This Marseilles troupe was one of the most original outfits to appear at Botanic Park on the weekend.

Earlier Event: December 8
Workshop/Performance: Aella