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Noite Cheia/Full Night: Expo: "Catorze Histórias Incríveis ou O Fabuloso Imaginário da Beira Baixa" (José Manuel Castanheira, Fernando Paulouro Neves & Filipe Faria)

NOITE CHEIA
FULL NIGHT
EXPOSIÇÃO
EXHIBITION

Sáb. / Sat.
1.12.18 > 20:30-23-30
Idanha-a-Nova
Centro Cultural Raiano

CATORZE HISTÓRIAS INCRÍVEIS OU O FABULOSO IMAGINÁRIO DA BEIRA BAIXA
FOURTEEN INCREDIBLE STORIES OR THE FANTASTIC LEGENDS OF BEIRA BAIXA

JOSÉ MANUEL CASTANHEIRA
FERNANDO PAULOURO NEVES
MÚSICA DE FILIPE FARIA

PT Há uma literatura fantástica, que vem do fundo dos séculos e parece não teAr começo nem fim, um fio imemorial na dimensão da sua oralidade. A realidade transforma-se, então, em matéria de sonhos à escala universal e à sabedoria do contar que é a expressão criadora de cada um. Esse imaginário não tem fronteiras ou só as terá na exacta medida em que muitas lendas têm como fonte comum a matriz cristã que se configurou à cultura ocidental, mesmo com a contingência de, na arte oral de contar, se acrescentar um ponto a cada conto.

Esse mundo, ancestral e arcaico, que andou de boca em boca por aldeias, vilas e cidades, atravessou o tempo na desmedida imaginação de muitas gerações. Em lugares inóspitos, onde o atavismo do meio prendia cada um à terra sáfara, as lendas, que durante séculos não foram lidas, mas contadas, eram, muitas vezes, o território fértil e único dessa magia que incorporava na vida a liberdade sonhar.

Ora, um belo dia, o José Manuel Castanheira, ele que sabe “desenhar as nuvens”, pegou (em algumas dessas lendas) e colocou-lhes asas de outro imaginário, agora com a expressão plástica das suas cores. Voam as lendas mais alto, pertença de outros sonhos a que o pintor acrescentou novas virtualidades oníricas, nascidas de uma leitura actualizante desse reduto cultural fantástico da Beira Baixa. E aí estão Catorze Histórias Incríveis ou O Fabuloso Imaginário das Lendas da Beira Interior.

Comecemos, pois, a dar asas à nossa imaginação, na descoberta da força ontológica das narrativas e da relação arterial que emerge do olhar criador de José Manuel Castanheira, na sua caligrafia onírica das cores.

EN There is an extraordinary literary heritage which emerges from the depths of centuries past and which seems to have no beginning or end, a timeless thread maintained through oral transmission. Reality thus becomes the stuff of dreams on a universal scale, while the wisdom of storytelling remains the creative expression of every one of us. This realm of the imagination is only limited insofar as many legends have a common foundation in the Christian traditions underpinning Western culture and in the conventions of oral storytelling, in which a story develops each time it is told.

This timeless ancestral heritage, transmitted voice by voice through villages, towns and cities, transcends time through the unbridled imagination of generations. In inhospitable places where the atavism of the environment bound each to the stony land, the legends, which were not read but told for centuries, often constituted the unique fertile territory for the magic that gave people the freedom to dream.

Then, one fine day, José Manuel Castanheira, who knows how to ‘draw clouds’, took some of these legends and gave them the wings of another realm of the imagination, the visual expression of colour. The legends thus fly higher and fuse with those dreamlike qualities born from the painter’s hand and his contemporary reading of this fantastic cultural stronghold of Beira Baixa. These are the Fourteen Incredible Stories or the Fantastic Legends of Beira Interior.

Let us give wings to our imagination and discover the ontological force of narrative reimagined through the creative gaze of José Manuel Castanheira and his dreamlike calligraphy of colours.

JOSÉ MANUEL CASTANHEIRA
Castelo Branco, 1952

PT Arquitecto, Cenógrafo e Pintor. Doutorado em Cenografia e Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa onde é professor desde 1982. Lecciona também na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Com uma actividade multifacetada é sobretudo na Cenografia do Espectáculo e das Exposições/Museologia, na Arquitectura Teatral e na Pintura que se tem afirmado. Realizou a sua primeira cenografia em 1973. Desde então desenvolve intensa actividade na cenografia teatral contando com mais de 250 cenografias realizadas em 15 países. Em 1993 o Centre Georges Pompidou-Paris e em 2015 o Festival Internacional de Teatro de Almada exibiram exposições retrospectivas da sua obra. Em 1995 é convidado para membro do júri mundial da Quadrienal de Cenografia e Arquitectura Teatral de Praga e em 2015 integra a curadoria de Portugal e em 2001 é convidado pela União dos Teatros da Europa para orientar o 3º WorKshop dos mestres da Cenografia (Barcelona). Dirigiu acções de formação, estágios e seminários em Universidades e outras Instituições em Portugal, e muitos outros países como Espanha, Bélgica, França, República Checa, Grécia, Itália, Cuba, Suiça e Brasil. Na Cenografia de Exposições concebeu dispositivos para exposições como: Pavilhão de Portugal Expolangues/Paris 1989-1992, Fábulas La Fontaine/ Gulbenkian 1994-95, Pavilhão de Portugal/Expo98, Peregrinação-O Voo da Cegonha/Expo98, Anti-galeria/ARCO Madrid/2001, É proibido proibir!/ MUDE Lisboa/2009 e Um homem chamado Romeu Correia, Almada 2017. Em 2002 faz a cenografia para o filme de João César Monteiro, VAI-VEM. É membro da Real Academia de Belas Artes de Espanha eleito em 2010 e membro fundador do Instituto Europeu de Cenografia, da Associação Portuguesa de Cenografia e da Academia Internacional de Cenografia.  É o coordenador para a Europa do projecto Teatros da América Latina sob o patrocínio da OISTAT/UNESCO – Organização Mundial de Cenógrafos e Arquitectos de Teatro.
É autor de 6 livros, publicados pela editora Caleidoscópio: Castanheira-Cenografia, Desenhar Nuvens, Viriato Rey, O Tempo das Cerejas, Frei Luís de Sousa e Viagem a Itália (em co-autoria).

EN An Architect, Set Designer and Painter with a doctorate in Scenography and Architecture from the Faculty of Architecture at the University of Lisbon, where he has been a professor since 1982, José Manuel Castanheira also teaches at the Faculty of Fine Arts in Lisbon. Though multifaceted in his talents, Castanheira mainly focuses in Theatrical and Museological/Exhibition Scenography, Architectural Theatre and Painting. He made his first stage set in 1973 and has since been intensely active in producing theatrical scenography for more than 250 plays in 15 countries. The Centre Georges Pompidou in Paris and the Almada International Theatre Festival hosted retrospective exhibitions of his work in 1993 and 2015 respectively. In 1995, he was invited to be a member of the world jury for the Prague Quadrennial of Performance Design and Scenography and, in 2015, was part of the curatorial team for the Portuguese representation. In 2001, he was invited by the Union of the Theatres of Europe to oversee the 3rd Masters Workshop in Scenography (Barcelona). He has directed training, internships and seminars at universities and other institutions in Portugal and many other countries, including Spain, Belgium, France, the Czech Republic, Greece, Italy, Cuba, Switzerland and Brazil. As an Exhibition Designer, he conceived the layout for exhibitions such as: The Portugal Pavilion at Expolangues/Paris 1989-1992; Fábulas La Fontaine/Gulbenkian 1994-1995; The Portugal Pavilion/Expo98; Peregrinação-O Voo da Cegonha/Expo98; Anti-gallery/ARCO Madrid/2001; É proibido proibir!/ MUDE Lisbon/2009; and Um homem chamado Romeu Correia, Almada 2017. In 2002, he designed and made the set for the film VAI-VEM by João César Monteiro. Since 2010, he has been an elected member of the Royal Academy of Fine Arts of Spain and is a founding member of the European Institute of Scenography, the Portuguese Scenography Association and the International Scenography Academy.  Under the auspices of the OISTAT/UNESCO - International Organisation of Scenographers,Theatre  Architects and Technicians, he is the European coordinator of the Latin American Theatres project. He is the author of 6 books published by Caleidoscópio: Castanheira-Cenografia, Desenhar Nuvens, Viriato Rey, O Tempo das Cerejas, Frei Luís de Sousa and Viagem a Itália (co-author).

FERNANDO PAULOURO NEVES
Fundão, 1947

PT Jornalista e escritor, tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas, foi chefe de Redacção e director do Jornal do Fundão. Pertence aos corpos sociais da Fundação Manuel Cargaleiro e, em 2013, foi-lhe atribuída a Medalha de Ouro da cidade do Fundão. Entre 2012 e 2016, fez parte do Conselho Geral da Universidade da Beira Interior. Foi distinguido em 2014 com o Prémio Gazeta de Mérito do Clube dos Jornalistas e em 2017 com o prémio ibérico Eduardo Lourenço. É autor do blogue Notícias do Bloqueio. Tem obra literária vasta e multifacetada. Escreveu, entre outros, “A Guerra da Mina – Os Mineiros da Panasqueira” (com Daniel Reis), “O Foral: Tantos Relatos/Tantas Perguntas” (teatro). Encontra-se representado em livros colectivos e antologias, designadamente nos volumes “Identidades Fugidias”, coordenado pelo Professor Eduardo Lourenço, e “A Mãe na Poesia Portuguesa”, organizada pelo poeta Albano Martins. É autor de “Os Fantasmas Não Fazem a Barba” (ficção, 2003), de “Os Olhos do Medo” (conto, 2011), e de “A Materna Casa da Poesia. Sobre Eugénio de Andrade” (2003 e 2017). Reuniu muitas das crónicas nos dois volumes de “Crónica do País Relativo. Portugal, Minha Questão” (2012 e 2016). É co-autor, com Alexandre Manuel, da “Fotobiografia António Paulouro, 100 Anos Depois”, e organizou a antologia “António Paulouro, As Palavras e as Causas” (A.23, 2016). Acaba de publicar “Fellini na Praça Velha” (romance).

EN A journalist and writer, Fernando Paulouro Neves has collaborated with a wide range of newspapers and magazines and was Editor-in-Chief and Director of the Jornal do Fundão. He is a trustee of the Manuel Cargaleiro Foundation and was awarded the Gold Medal of the city of Fundão in 2013. Between 2012 and 2016, he was part of the Board of Trustees of the University of Beira Interior. In 2014, he was honoured with the Prémio Gazeta de Mérito from the Press Club and, in 2017, with the Prémio Ibérico Eduardo Lourenço. He is the author of the blog Notícias do Bloqueio and has published a vast and multifaceted body of literature. Among other works, he wrote “A Guerra da Mina – Os Mineiros da Panasqueira” (with Daniel Reis) and “O Foral: Tantos Relatos/Tantas Perguntas” (a play). He is represented in several co-authored works and anthologies, including “Identidades Fugidias”, coordinated by Professor Eduardo Lourenço, and “A Mãe na Poesia Portuguesa”, organised by poet Albano Martins. He is the author of “Os Fantasmas Não Fazem a Barba” (fiction, 2003), “Os Olhos do Medo” (short story, 2011) and “A Materna Casa da Poesia. Sobre Eugénio de Andrade” (2003 and 2017). He published two volumes of chronicles in “Crónica do País Relativo. Portugal, Minha Questão” (2012 and 2016). With Alexandre Manuel, he co-authored the “Fotobiografia António Paulouro, 100 Anos Depois” and organised the anthology “António Paulouro, As Palavras e as Causas” (A.23, 2016). He has just published a novel “Fellini na Praça Velha”.

FILIPE FARIA
Lisboa, 1976

PT Filipe Faria nasceu, em Lisboa, em 1976. Pai, músico, autor, programador, produtor e in-vestigador licenciou-se em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa em 1998. Em 2000 termina a Pós-Graduação em Musicologia pela Universidade Autónoma de Lisboa, em 2002 a Especialização do Mestrado em Ciências Documentais pela Universidade de Évora e em 2004 a Pós-Graduação do Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro pela Universidade de Lisboa/Faculdade de Letras/Instituto de História de Arte. Funda e co-coordena o projecto de licenciatura e pós-graduação em Ciências Musicais - UAL - em 1999/2001 e funda e coordena o projecto de Licenciatura em Educação Musical - ISCE - em 2008/2009. Em 2000 funda a produtora e editora Arte das Musas da qual é gestor e director artístico e de produção e com a qual desenvolve projectos originais e parcerias nacionais e internacionais nas áreas da arte, cultura e comunicação. Funda, em 2003, o Festival Terras sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo, do qual foi director artístico e de produção entre 2003 e 2010, e, em 2012, o Fora do Lugar - Festival Internacional de Músicas Antigas - em Idanha-a-Nova, do qual é director artístico e de produção. Estes projectos originais têm o apoio do Ministério da Cultura e da Direcção-Geral das Artes entre outras entidades. Foi elemento efectivo do Coro Gulbenkian entre 1998 e 2013 tendo realizado digressões em Portugal, Espanha, França, Itália, China, Estados Unidos da América, Malta, Holanda, Bélgica, Alemanha, Inglaterra, Japão, Israel, entre outros, e músico freelancer em ensembles de música antiga nacionais no mesmo período. Em 1999 funda o consort de música antiga e contemporânea Sete Lágrimas, que co-dirige, com uma discografia de 12 títulos e uma carreira de mais de 350 concertos em Festivais e Centros Culturais da Europa e Ásia como Portugal, Bulgária, Itália, Malta, Espanha, China, Suécia, França, Bélgica, Noruega, Luxemburgo e República Checa. Em 2012 funda o projecto Noa Noa com uma discografia de 4 títulos e mais de 50 concertos em Portugal, França, Bélgica e Japão. Em 2015 edita o seu primeiro livro, o poema gráfico “Um dia normal”. Em 2016 e 2017 cria os projectos multi-disciplinares “Todas as noutes passadas” (com Pedro Castro e Carla Albuquerque) e “Como dormirão meus olhos?” (com Pedro Castro), ambos sob encomenda do Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes em parceria com a Zonzo Compagnie (Bélgica) e com o financiamento do programa Europa Criativa da União Europeia. Em 2018 edita o CD dedicado à música original (escrita em colectivo com Pedro Castro) para “Todas as noutes passadas”. Completou o Curso Geral do Conservatório Nacional em 1992, o Curso Complementar de Violino do Conservatório Nacional de Lisboa/FMAC em 1997, o Curso de Fotografia do Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual – com o fotógrafo Roger Meintjes, em 1995, o Curso de Pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes entre 2001 e 2005 com os pintores Paiva Raposo e Mário Rita e, a convite, o Atelier Livre de Pintura da SNBA, com o pintor Jaime Silva, em 2005. Em 2014 é convidado para a Comissão de Candidatura de Idanha-a-Nova à Rede das Cidades Criativas da UNESCO na área da Música aprovada em 2015 por esta entidade. Desde 2015 representa Idanha-a-Nova como stakeholder em meetings internacionais UNESCO na Suécia, Japão, Polónia, etc. 

EN Filipe Faria was born in Lisbon in 1976. A father, musician, author, programmer, produ-cer, researcher... he graduated in Musical Sciences from the School for Social Sciences and Humanities/Universidade NOVA de Lisboa in 1998. He completed a postgraduate specialisation in Documentation Science at the History Department of the Universidade de Évora in 2002 and a postgraduate course from the master’s programme in Art, Heritage and Restoration Theory at the Institute of Art History at the Universidade de Lisboa in 2004. He established and jointly coordinated the UAL undergraduate and postgraduate programme in Musical Sciences in 1999/2001. In 2008/2009, he established and coordinated UAL’s Musical Sciences undergraduate programme. In 2002, he established the production and publishing company Arte das Musas, for which he is managing artistic director, developing original projects and national and international partnerships in the areas of art, culture, and communication. In 2003, he established the Sacred Music Festival - Terras sem Sombra - in Baixo Alentejo (Portugal), assuming the role of artistic and production director between 2003-2010, and the Fora do Lugar - International Early Music(s) Festival - in Idanha-a-Nova, for which he has been director since 2012. These original projects receive support from among other organisations, the Portuguese Ministry of Culture and the Directorate-General for the Arts. He was member of the Gulbenkian Choir between 1998-2013, participating in tours of Portugal, Spain, France, Italy, China, the United States, Malta, Holland, Belgium, Germany, England, Japan, and Israel, among others, and was a freelance musician in Portugal’s early music ensembles during the same period. In 1999, he founded the early and contemporary music consort Sete Lágrimas, of which he is co-director. Sete Lágrimas has a discography of 12 titles and has performed 350 concerts at festivals and cultural centres in Europe and Asia, including Portugal, Bulgaria, Italy, Malta, Spain, China, Sweden, France, Belgium, Norway, Luxembourg and the Czech Republic. In 2012, he established the Noa Noa project, with a discography comprising 4 titles and more than 50 concerts in Portugal, France, Belgium and Japan. In 2015, he published his first book, the graphic poem “Um dia normal” (“A normal day”). In 2016 and 2017, he created the multi-disciplinary projects “All of the nights gone by” (with Pedro Castro and Carla Albuquerque) and “How will my eyes sleep?” (with Pedro Castro), both commissioned by the Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes in partnership with Zonzo Compagnie (Belgium) and with funding from the European Union Creative Europe programme. In 2018, he released a CD featuring the original music of “All of the nights gone by” (written together with Pedro Castro). He completed the National Conservatory General Course in 1992, the Complementary Violin Course at the National Conservatory of Lisbon/FMAC in 1997, the Ar.Co Photography Course in 2005, the Painting Course at the Sociedade Nacional de Belas Artes between 2001-2005, and, by invitation, the SNBA Open Painting Studio in 2005.  In 2014, he was invited to join the Idanha-a-Nova Candidature Committee in the area of music for the UNESCO Creative Cities Network application, which was approved in 2015. Since then Filipe has represented Idanha-a-Nova as a stakeholder in several international UNESCO meetings in Sweden, Japan, Poland and other locations.