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“Resta-nos festejar a estreia do duo NOA NOA, [Língua, Vol. 1, *****, Arte das Musas], formado pelos multi-instrumentistas Filipe Faria e Tiago Matias. Com um pé na música tradicional, com o outro na música antiga (medieval e não só) e com o coração aberto às músicas do mundo (ao lado de adufes, chocalhos, guitarra barroca, viola beiroa ou vihuela também se podem ouvir um udu ou uma flauta bansuri), os Noa Noa servem-nos uma filigrana, inesperada e em tamanho gigante, de canções antigas e tradicionais de quase toda a Península Ibérica (pela voz de Filipe Faria podem aqui ouvir-se temas em português, catalão, basco, castelhano, galego, asturiano e mirandês), interpretadas com um amor e uma sabedoria assombrosas.”

EN "The debut of duo NOA NOA [with “Língua”, Vol. 1, *****, Arte das Musas], formed by multi-instrumentalists Filipe Faria and Tiago Matias, is one that must be celebrated. With one foot in traditional music, the other in early music (medieval and more) and heart open to music from around the world (alongside the adufe , the chocalho , the baroque guitar, the viola beiroa and the vihuela might be heard an udu or a bansuri flute), Noa Noa serves us a filigree, unexpected and on a giant scale, of ancient and traditional songs from almost the entire Iberian Peninsula (through the voice of Filipe Faria, themes in Portuguese, Catalan, Basque, Castilian, Galician, Asturian and Mirandês can be heard), performed with astonishing love and wisdom."

— António Pires in BLITZ Magazine, 105, Crítica \ Review* ****, Portugal 2015

 
Noa Noa © Rita F Santos 2013 FINAL.jpg

Filipe Faria Voz, adufe, bombo, chalumeau, viela, berimbau, melódica... \ voice, adufe, drum, chalumeau, medieval fiddle, jew's harp, melodica...
Tiago Matias Tiorba, vihuela, alaúde, guitarra barroca, guitarra romântica, colascione \ theorbo, vihuela,
lute, baroque guitar, romantic guita, colascione

 
“Na justa fronteira entre o tradicional e o erudito, os Noa Noa, duo de Filipe Faria e Tiago Matias, estreiam-se com um disco surpreendente, que vagueia por territórios pouco explorados da música da península – a meio caminho entre Jordi Saval e o também excelente trabalho da sua filha Arianna.”
EN "Smartly on the border between traditional and erudite music, Noa Noa, the duo comprising Filipe Faria and Tiago Matias, debuts with a surprising album that roams the little explored territories of the Iberian peninsula’s music – partway between Jordi Savall and the also excellent work of his daughter Arianna."

— Manuela Paraíso in Jornal de Letras

 

“O som dos Noa Noa parte de uma afinidade simples e eficaz entre os cordofones de Tiago Matias e a voz delicada de Filipe Faria. Perante esta base elementar constroem tudo o resto, com os mais variados tipos de instrumentos e efeitos. ”
EN "Noa Noa’s sound is based on the simple and effective affinity between Tiago Matias’s chordophones and the delicate voice of Filipe Faria. From this elementary base all the rest is constructed with the most varied kinds of instruments and effects."

— Manuela Paraíso in Jornal de Letras, Portugal

 

“Eu amo esse disco! (…) Esse é um grande, grande disco! (…) É absolutamente admirável. É um daqueles trabalhos que nos faz pensar em tudo o que andamos a desperdiçar na nossa história musical.*

EN "I love this album! (…) This is a great, great album! (…) It is absolutely to be admired. It is one of those works that makes us think of everything from our musical history that we are squandering."

— João Gobern in Hotel Babilónia/Antena 1,
Portugal 2014

 

““Lingua, Vol. 1” é erudito e contemporâneo, antigo e moderno, arcaico e inovador. Aqui respira-se uma enorme cumplicidade entre dois multi-instrumentistas, respeita-se o silêncio, os espaços (do terreiro ao salão de baile) e a doçura ou a pujança dos instrumentos, sejam percussões de barro, flautas doces ou cordofones trovadorescos.”

EN “Língua, Vol 1” is erudite and contemporary, early and modern, archaic and innovative. Here one can sense the great intimacy between two multi-instrumentalists, there is respect for silence, spaces (from the village square to the dance floor) and the sweetness or vigour of the instruments, whether earthenware percussion, recorders or troubadour-style chordophones."

— Luís Rei in Crónicas da Terra - 1.º lugar \ place TOP Música Tradicional/Folk, Portugal 2014

 

“É extraordinário: cheio de delicadeza mas sempre com energia, com uma espontaneidade que quase parece gravado num concerto ao vivo. Além do lado musical é também um maravilhoso arco iris do falar ibérico. (...) Adoro não apenas a minúcia dos meneios (dos sentimentos, estados de alma) na voz (...), mas também o permanente dedilhado tão bem medido, expressivo, das cordas. E depois o tempero da percussão (...) com um inesperado e irresistível bamboleio.”

EN "It is extraordinary: full of delicacy but always energetic, with a spontaneity that almost seems to have been recorded at a live concert. Aside from the music, there is also a wonderful rainbow of Iberian speech. (...) I love not just the detail of the turns of the voice (expressing feelings, moods) (…), but also the constant fingering of the chords, so well measured and expressive. And then, the seasoning of the percussion (…) with its unexpected and irresistible sway."

— João Almeida, Director Adjunto de Programas de Rádio (RTP), Portugal

 

“Noa Noa afasta-se assim, com um dinamismo erudito, de outros projectos que trabalham a música tradicional, usando ferramentas opostas para evitar a sua cristalização.”

EN "Noa Noa thus stands apart, with erudite dynamism, from other projects dealing with traditional music, using opposing tools to avoid stagnation."

— Manuela Paraíso in Jornal de Letras

 

“Uma coisa é certa: nunca se escutaram arranjos como estes de modas, cantos de devoção, de Tierras de Miranda (...), da Beira Baixa (...) ou dos Açores. Venha rapidamente o Volume II de “Língua”."

EN "One thing is for sure: arrangements such as these have never been heard before, of modas (popular songs), songs of devotion, from Tierras de Miranda (…), Beira Baixa (…) or the Azores. We impatiently await Volume II of “Língua”."

— Luís Rei in Crónicas da Terra - 1.º lugar \ place TOP Música Tradicional/Folk, Portugal 2014

 

“Os Noa Noa saltitam nas fronteiras da música tradicional e erudita, utilizando línguas e dialetos, reconfigurando a música antiga com práticas modernas. Para isso recorrem a grande panóplia de instrumentos, que acompanham a voz mágica de Filipe Faria.”

EN "Noa Noa flits across the borders of traditional and erudite music, using languages and dialects, reconfiguring early music with modern practices. In order to do this, they make use of a great array of instruments, accompanying Filipe Faria’s magical voice."

— Luís Pedro Cabral in Revista VISÃO, Portugal

 

“ Em suma, neste Noa Noa o bom gosto impera sem descanso, e por isso só me ocorre o topo da escala, umas 5 estrelas bem viçosas, para descrever o meu agrado (...) A meu ver são coisas destas que nos animam e fazem correr."

EN "In short, good taste never ceases to prevail in Noa Noa, and that is why I can only think of the top of the scale, a very healthy 5 stars, to describe my pleasure (…). As I see it, these are the things that inspire us and give us courage."

— João Almeida, Director Adjunto de Programas de Rádio (RTP), Portugal

 

PROJECTO

CANÇÕES SEFARDITAS EM LADINO

De la mar

”De la mar” oferece uma selecção de canções sefarditas; estas foram remodeladas de maneira criativa, assumidamente contemporânea, pelo projecto Noa Noa, que procurou acentuar neste reportório a sua ligação à cultura ibérica. 

Canção é um termo genérico: de facto temos aqui, sobretudo, canções de amor; mas também duas canções de boda e um fragmento do romance narrativo La partida del esposo, iniciado pelo verso «Por qué llorax blanca niña». O adjectivo «sefardita» remete, num sentido estrito, para a diáspora dos judeus de origem ibérica: quer os muitos expulsos no final do século XV, quer os convertidos à força ao cristianismo ou seus descendentes, que abandonaram depois a Península para retomar a religião hebraica. Em suma, trata-se de canções tradicionais de uma população judaica geograficamente dispersa mas com raízes ibéricas comuns.

A língua destas canções é o «ladino» em sentido genérico (ou judeo-espanhol). Trata-se de um linguajar cuja base é o castelhano de c. 1500, mas que incorpora influências aragonesas e portuguesas, e também termos e expressões oriundas das línguas correntes nas áreas onde os sefarditas se estabeleceram (incluindo o árabe, o albanês, o servo-croata, o turco e o persa). Ocasionalmente, há até construções sintácticas decalcadas do hebraico. O «ladino», falado aindahoje por uma minoria de sefarditas, pronuncia-se frequentemente de maneira mais próxima do português do que do castelhano moderno, porque a sonoridade do castelhano, no Renascimento, se distinguia menos do português do que na actualidade. 

Os textos das canções chegaram até nós em múltiplas versões; como nem sempre os seus inícios coincidem, os estudiosos baptizaram os textos de circulação mais alargada com um título de referência: assim, «A la una yo nací» é uma versão de Las horas de la vida, e «Durme, durme» corresponde a La hermosa durmiente. Alguns dos poemas têm uma forma arcaica, de matriz medieval, mas a maioria segue as convenções da poesia ibérica do período moderno, com uso de quadras (por vezes expandidas por uma exclamação intercalar semanticamente neutra, como em «Hija mia, mi querida»). É no romanceiro que os arcaísmos são mais notórios. Porém, maior antiguidade formal, do tempo das cantigas d’amigo (c. 1200) ou anterior, têm as estrofes de dois versos pontuadas por um refrão curto, como em La galana y la mar; sendo também dessa época o paralelismo usado em «Avrix mi galanica», versão de Todos son inconvenientes. 

No que concerne à temática, a canção de boda remete para imaginários antigos e para práticas e expectativas sociais hoje completamente caídas em desuso. La llamada a la morena (iniciada pelo verso «Morena me llaman») fala-nos de um noivado que, nalgumas versões, prenuncia uma viagem numa nau, e aqui é perturbado pelo sonho da noiva adolescente de vir a casar com um príncipe. Já em La galana y la mar há um pano de fundo que é o dia do banho pré-nupcial; a letra parte da tradição pagã ibérica do banho num braço de mar, no qual a noiva é acompanhada pelas amigas solteiras; mas algumas versões remetem para a tradição islâmica de embelezamento no edifício dos banhos públicos, onde a noiva segue um longo roteiro de preparação estética, acompanhada por amigas, familiares, e músicos, antes de ser devolvida à casa dos pais.

Quanto à música, este é normalmente o aspecto mais recente das canções sefarditas recolhidas da tradição oral no século XX. Nos géneros profanos, e especialmente na canção de amor ou de entretenimento, o gosto melódico era muito permeável às tradições musicais circundantes. Não temos transcrições ou gravações de canções sefarditas anteriores a 1911; as primeiras recolhas sistemáticas foram feitas por Manuel Manrique de Lara no Mediterrâneo oriental e em Marrocos, e Alberto Hemsi, apenas no Oriente. Desenganem-se, pois, aqueles que julgam encontrar na canção sefardita sonoridades típicas da época da expulsão; a renovação da tradição, condição para a sua continuidade ao longo das gerações, passou sempre pela actualização musical. Daqui se conclui que Noa Noa está, do ponto de vista histórico, em excelente companhia. 

Manuel Pedro Ferreira

 

PROJECTO

LÍNGUA

Todas as línguas mudam com o tempo. Evoluem e adaptam-se aos usos inovadores das comunidades, às suas idiossincrasias e hábitos. A língua não pode ser entendida como uma entidade imutável, estanque, parada ou desenhada no tempo e pelo tempo. Ela é, pelo contrário, resultado de uma dinâmica imensa da mesma forma e com o mesmo fulgor da comunidade ou da humanidade que muda… vagarosa mas imparável.

Língua é o título do novo projecto Noa Noa dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, uma manta de sons “para além do Ebro” que resulta no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Este projecto viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade

 

PROJECTO

BABEL

ou QUANDO TODOS FALAMOS A MESMA LÍNGUA

O projecto "Babel" é uma encomenda Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes. Foi estreado, em 2015, no CCB tendo realizado uma digressão europeia no contexto do Festival Europeu Big Bang em Bruxelas, Antuérpia, Ghent (Bélgica) e Lille (França)

...e depois da primeira torre construímos outra. Apesar das nossas diferenças – aquelas com que criámos os nossos mundos – acabámos por construir uma outra torre. A esta chamámos arte... e da confusão construímos beleza. Juntos, construímos uma nova torre que vai muito alto e que dá a volta ao mundo… nesta, falamos todos a mesma língua: a música... ou o som organizado. Esta é a importância da escolha entre a verdade e a mentira. Entre a luz e as trevas... Inspirados por estes sons organizados, que criámos a partir de uma ideia tanto emocional como intelectual, construímos a nossa própria banda sonora, desde o início dos tempos, inventando novas formas de fazer som agradável para encher os dias e as noites de outras cores... para nos entendermos. Prova disso é uma pequena jangada de pedra (cit. José Saramago) que fica para além do Ebro. Aqui falamos muitas línguas diferentes - mais de sete - mas, juntos, entendemo-nos cantando, tocando e dançando… Definida a oriente pelas montanhas dos Pirinéus e a norte, a sul e a ocidente pelo mar, a Península Ibérica, é uma imensa pequena torre... um lugar onde todos falamos línguas diferentes e onde todos falamos a mesma língua.

Ohne Musik ware das Leben ein lrrtum** 
(Sem musica, a vida seria um erro)

Filipe Faria, Lisboa 2015

PROJECT

SEPHARDIC SONGS IN LADINO

De la mar

”De la mar” offers a selection of Sephardic songs. These were remodelled in modern, creative fashion by Noa Noa, who intended to underline in this repertory its connection to Iberian culture. 

Song is a generic term; here, in fact, most songs are love songs; but there are also two wedding songs and a fragment of the narrative ballad La partida del esposo, starting “Por qué llorax blanca niña”. The adjective “Sephardic” refers, in a strict sense, to the Jewish Diaspora of Iberian origin: both the multitudes expelled at the end of the 15th century, and those forcibly converted to Christianity, or their descendents, who later left the Spanish Peninsula and embraced the Jewish religion. In short, these are traditional songs of a geographically dispersed Jewish population, yet with common Iberian roots.

The language of these songs is the “ladino” (or Judeo-Spanish) taken in its wider sense. It is a dialectical variety built upon Castilian as spoken around 1500, but with Aragonese and Portuguese influence and also words and turns of expression taken from the languages that were current where Sephardim established themselves (including the Arabic, the Albanese, the Servo-Croat, the Turkish and the Persian). Occasionally, there are even syntactical borrowings from the Hebrew. The “ladino”, spoken today by a minority of Sephardim, often reminds in its pronunciation the Portuguese rather than the modern Spanish, because Castilian in the Renaissance was in its sonority closer to Portuguese than it is today. 

The texts of the songs survived in multiple versions; since starting lines do not always coincide, scholars baptized with reference titles the more widely circulated texts: thus,  “A la una yo nací” is a version of Las horas de la vida, and “Durme, durme” corresponds to La hermosa durmiente. Some poems have an archaic form, modelled on medieval precedent; most of them, however, follow the conventions of Iberian poetry of the modern era, using quatrains (sometimes expanded with an extra, nonsensical line, as in “Hija mia, mi querida”). It is among the ballads (romances) that most archaic features can be found. The form comprising a distich plus short refrain (as in La galana y la mar) is older, however: in romance poetry it dates at the latest from c. 1200, when the first cantigas d’amigo surface in the historical record. Similarly old is the parallelism found in “Avrix mi galanica”, version of Todos son inconvenientes. 

In what concerns subject matter, wedding songs may use ideas of ancient stock and refer to social practices and expectations that no longer apply. La llamada a la morena (beginning “Morena me llaman”) talks of a bride that, in some versions, will eventually sail off in a nef, and here is upset by the typical girl’s dream of marrying a prince. The hidden background of La galana y la mar is the pre-nuptial bath; the lyrics draw on the Iberian pagan tradition of a social bath, with girl-friends, in a sea inlet; some versions also draw on the Islamic tradition of a long session of beauty care in the public bath, in the company of girl-friends, family and musicians, before the bride is returned by her following to her parents’ place. 

Finally, music is normally the most recent dimension of Sephardic songs gathered from oral tradition in the 20th century. In secular genres, and especially in love or entertainment songs, melodic taste was very permeable to the surrounding musical traditions. No recordings or transcriptions of Sephardic songs were made before 1911; the first significant efforts were carried by Manuel Manrique de Lara in the Eastern Mediterranean and in Morocco, and Alberto Hemsi in the East. Those who believe that in such songs a sound world from before 1500 can be found, may be disappointed. In order to be kept alive, tradition renews itself and music has been the main modernizing factor. One can conclude that from the historical point of view, Noa Noa are in excellent company. (translation: Manuel Pedro Ferreira)

Manuel Pedro Ferreira

 

PROJECT

LÍNGUA*

All language changes with time. Languages evolve and adapt themselves to the innovative use of their communities, their habits and idiosyncrasies. Language cannot be understood as a changeless and settled entity, drawn during Time and drawn by it. On the contrary, it is the result of huge dynamics , in the way acommunity or Humanity itself would do… slowly but relentlessly.

Língua is the title of the new project dedicated to the collective memory defined by the different Iberian cultures and languages, a plaid of sounds “beyond the river Ebro” resulting in the Portuguese, Castilian, Mirandese, Galician, Asturian, Basque or Catalan languages. This project goes from the most common to the most distinctive aspects in the History of the Iberian Culture. It explores the geographic, cultural and conceptual frontiers of tradition and ancestrally, along with contemporary and intercultural concepts. (translation: Tiago Cassola Marques/Diana Gonsalves)

* Língua = Language/Tongue

 

PROJECT

BABEL

or WHEN WE ALL SPEAK THE SAME LANGUAGE

... and after the first tower we built another. Despite our differences - those with which we have created our worlds - we eventually built another tower. To this we called art... and from confusion we built beauty. Together we built a new tower going too high and around the world ... in this one, we speak the same language: the music... or the organized sound. 
This is the importance between truth and falsehood. Between light and darkness. Inspired by these organized sounds that we created from a both emotional and intellectual program, we built our own soundtrack, since the beginning of time, inventing new ways to make nice sound to fill the days and nights of new colors ... to understand each other. Proof of this is a small stone raft* that is beyond the Ebro. Here we speak seven different languages but together we understand each other dancing and singing ... Bordered in the east by the Pyrenees Mountains and in the north, south and west by the sea, the Iberian Peninsula, is a huge small tower ... a place where we all speak different languages and where we all speak the same language. 

Ohne Musik ware das Leben ein lrrtum ** 
(Without music, life would be a mistake) 

* Jose Saramago (1922-201 O) 
**Friedrich Nietzsche (1844-1900) 

Filipe Faria, Lisboa 2015

 
 
 

PT Fundado por Filipe Faria e Tiago Matias em 2012 – antecipando o 110º aniversário da morte do pintor pós-impressionista Paul Gauguin (1848-1903) - Noa Noa procura explorar, em música, as fronteiras da liberdade criativa que os artistas da viragem do século XIX para o XX propunham alcançar.

A liberdade criativa que se vivia na Europa de então encontra paralelo na História da Música Ocidental do século XVIII no qual o músico era formado para saber cantar, tocar um ou mais instrumentos, improvisar, compor e dirigir. A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada que contrasta com a super-especialização a que se chegou no século XX e XXI. A própria redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem vindo a iluminar o passado, mas ao mesmo tempo tem servido de inspiração a compositores contemporâneos para novas obras, linguagens e estéticas.

Em Noa Noa, Filipe Faria e Tiago Matias assumem o papel antigo do músico multifacetado e poli-instrumentista bebendo tanto duma intensa experiência profissional de mais de uma década na área da Música Antiga como do gosto comum pelo risco e pela capacidade íntima da música.

De uma visão descomplexada e informal dos repertórios europeus para voz e alaúde, dos séculos XVI a XVIII, às músicas populares da Ibéria e da Europa com os cheiros e travos inevitáveis do torna viagem – marca de água da Europa pós aventura marítima – a música de Noa Noa assume uma construção moderna tendo como ponto de partida o diálogo essencial da voz com a multiplicidade de instrumentos antigos de corda pulsada.

Em 2014 Noa Noa lança o seu primeiro trabalho discográfico dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas ibéricas, uma manta de sons “para além do Ebro” que resultou no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco ou catalão. Com o apoio do Ministério da Cultura (ex Secretaria de Estado da Cultura), da Direcção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova este projecto, intitulado “Língua (vol.1)”, viaja entre o que há de mais comum e mais diferente na História da cultura ibérica explorando as fronteiras geográficas, culturais e conceptuais da tradição e da ancestralidade com a contemporaneidade ou a interculturalidade. Este trabalho esteve no primeiro lugar do TOP de vendas FNAC na área da Música Clássica/Música do Mundo/Jazz durante três meses tendo sido um dos discos mais vendidos em Portugal entre Julho e Novembro de 2014. A primeira edição esgotou em quatro meses estando a ser preparada a segunda edição.

Na Temporada de 2012/2013 Noa Noa apresentou-se em concerto em Idanha-a-Velha (Palácio Marrocos), Aveiro (Museu de Aveiro), Braga (Festival “Música nos Claustros”), Águeda (Fundação Dionísio PInheiro), Monsanto (Festival Internacional de Músicas Antigas, Fora do Lugar) com os convidados especiais Artur Fernandes (Danças Ocultas) e João Hasselberg (Luísa Sobral, “Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’ re Expecting”), etc…

Na mesma Temporada, Noa Noa é convidado para uma parceria artística na instalação “A Manta” de Cristina Rodrigues, peça icónica do Museu Rural para o Século XXI/21st Century Rural Museum/Idanha-a-Velha resultado da parceria com o projecto Design for Desertification DfD, Câmara Municipal de Idanha-a-Nova (CMIN), Manchester Metropolitan University, MIRIAD e Oralities Project/UE. Esta exposição esteve patente na Sé Catedral de Idanha-a-Velha, MUDE- Museu do Design e da Moda (Lisboa), Mosteiro dos Jerónimos/Museu Nacional de Arqueologia (Lisboa), etc… Em 2014 esta instalação esteve patente na Machester Cathedral (Inglaterra) e no MAM/São Paulo (Brasil).

Em 2014 o grupo apresentou a digressão de lançamento do disco “Língua, vol.1” com concertos no Centro Cultural Raiano (Idanha-a-Nova), Festival Fora do Lugar (Idanha-a-Nova) - com os convidados especiais Cardo-Roxo e Adufeiras de Idanha-a-Nova -, Centro Cultural de Cascais (Cascais) -  com os convidados Joana Espadinha e João Hasselberg -, Teatro Aveirense (Aveiro) - com Ana Bacalhau e José Pedro Leitão (Deolinda) e Miguel Calhaz -, Grande Auditório do Conservatório de Coimbra (Coimbra) com João Hasselberg -, e Festival Fora do Lugar (Monsanto, Idanha-a-Nova) - com João Hasselberg.

Em 2015 Noa Noa lança o segundo volume do projecto “Língua” - “Língua, vol.2” - e apresenta uma temporada de concertos em Portugal: CCB- Centro Cultural de Belém (Lisboa), ISA (Lisboa), FNAC Chiado (Lisboa), Teatro Joaquim Benite (Almada). Festival Sons de Almada Velha (Almada), Museu de Aveiro (Aveiro), Oliveira do Bairro (Quartel das Artes), etc... e uma digressão europeia na Flemish Opera (Ghent, Bélgica), Bozar (Bruxelas, Bélgica), DeSingel (Antuérpia, Bélgica) e Opéra de Lille (Lille, França) com o projecto “Babel, ou Quando falamos todos a mesma língua”, uma encomenda Centro Cultural de Belém/Fábrica das Artes em parceria com a Zonzo Compagnie (Bélgica) e integrado no Festival Europeu Big Bang.

Em 2016 lança o seu terceiro CD dedicado às canções sefarditas cantadas em ladino - “De la mar” - apresenta-se no Festival Lua Cheia, Arte na Aldeia (Coêdo, Vila Real), Antiga Sé de Idanha-a-Velha, BTL (Lisboa), Festival Páscoa Judaica e Cristã (Medelim), Festival Fora do Lugar (Idanha-a-Nova), etc... e uma digressão ao Japão (Hamamatsu World Music Festival) onde se apresenta no Main Hall do ACT CITY...

Em 2017 lança o seu quarto CD, o segundo volume do projecto dedicado às canções sefarditas em ladino.

Em parceria com a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e a Arte das Musas, Noa Noa assume, no início de 2013, o estatuto de Artists-in-Residence neste concelho – com base na Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha. Esta parceria concretiza-se na promoção de residências artísticas regulares que permitem olhar para o universo musical muito particular desta região raiana a partir de dentro, junto da população, dos músicos e artistas locais e dos seus espaços e hábitos.

No mesmo ano Noa Noa assume ainda o estatuto de projecto parceiro do Festival Fora do Lugar, Festival Internacional de Músicas Antigas.

O nome do ensemble é inspirado no inovador livro de Paul Gauguin de 1901 no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.

Noa Noa é apoiado pelo Ministério da Cultura/Direcção-Geral das Artes e é representado pela produtora Arte das Musas

EN Founded by Filipe Faria and Tiago Matias in 2012 in anticipation of the 110th anniversary of the death of the post-impressionist artist Paul Gauguin’  (1848-1903) ? Noa Noa is a musical exploration ofthe frontiers of creative freedom that the artists from the 18th to the 19th century were aspiring to.

The kind of creative freedom that existed in Europe at that time has parallels in the history of the western music of the 18th century during which period a musician was educated to sing, play more than one instrument, improvise, compose or conduct his or her own piece of music. The tradition of a free response to the creative appealis as old as Man himself, and it seems to be felt again in recent modern practices of Early Music, as evidencedby the multifaceted education of the musician, in comparison to the super-specialization in the 20th and 21st centuries. The rediscovery of historical instruments themselves and techniques required to play them have highlighted the past but at the same time served as an inspiration for contemporary composers.

In the Noa Noa project, Filipe Faria and Tiago Matias assume the role of the ancient musician, multifaceted and multi-instrumentalist, drawing on their substantial professional experience of more than a decade in the Early Music domain, coupled with their penchant for such risky projects and the intimacy the music can reach.

From this uninhibited informal interpretation of the 16th, 17th and 18th European repertoire for voice and lute, to the Iberian and European folkloric music, along with its inevitable own taste and scent of the journeysa watermark ofsea adventures ? the music of Noa Noa assumes a modern construction starting from the essential dialogue of the voice with the multiplicity of ancient string instruments.

In 2014 Noa Noa released its first CD dedicated to the collective memory of the different Iberian cultures and languages, a plaid of sounds “beyond the river Ebro” resulting in the Portuguese, Castilian, Mirandese, Galician, Asturian, Basque or Catalan languages. With the support of Ministry of Culture o Portugal, the General-Directorate for the Arts and the Municipality of Idanha-a-Nova, this project, called “Lingua (vol. 1)” (Lingua = Language/Tongue), ranges from the most common to the most distinctive aspects of the history of the Iberian culture. It explores the geographic, cultural and conceptual frontiers of the tradition and ancestrally, along with contemporary and intercultural concepts.

This CD achieved the first place of the TOP FNAC in the area of Classical Music/ World Music/Jazz for three months and was one of the best selling albums in Portugal between July and November 2014. The first edition sold out in four months being prepared the second edition.

In the Season 2012/2013 Noa Noa performed in Idanha-a-Velha (Palacio Marrocos), Aveiro (Museu de Aveiro), Braga (Festival “Musica nos Claustros”), Agueda (Fundacao Dionisio PInheiro), Monsanto (Festival Internacional de Musicas Antigas, Fora do Lugar) with special guests Artur Fernandes (Dancas Ocultas) and Joao Hasselberg (Luisa Sobral, “Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’ re Expecting”), etc…

In 2013 Noa Noa was invited to be a partner and special guest in the installation art “A Manta” (“The Blanket”) by Cristina Rodrigues, an iconic piece of the 21st Century Rural Museum/Idanha-a-Velha, resulting from the partnership with the project Design for Desertification DfD, City Council of Idanha-a-Nova (CMIN), Manchester Metropolitan University, MIRIAD and Oralities Project/UE, exhibited in the Idanha-a-Velha Cathedral until September 2013.

In 2014 Noa Noa presented the tour for the album “Lingua, vol.1” “Language, vol.1” in Centro Cultural Raiano (Idanha-a-Nova), Festival Fora do Lugar (Idanha-a-Nova) - with special guests Cardo-Roxo and Adufeiras de Idanha-a-Nova -, Centro Cultural de Cascais (Cascais) - with special guests Joana Espadinha e Joao Hasselberg -, Teatro Aveirense (Aveiro) - with special guests Ana Bacalhau and Jose Pedro Leitao (Deolinda) and Miguel Calhaz -, Grande Auditorio do Conservatorio de Coimbra (Coimbra) with Joao Hasselberg -, and Festival Fora do Lugar (Monsanto, Idanha-a-Nova) - with Joao Hasselberg.

In 2015 Noa Noa released the second volume of the projecto “Lingua” - Lingua, vol.2” - and presents a concert season in Portugal: CCB- Centro Cultural de Belem (Lisbon), ISA (Lisbon), FNAC Chiado (Lisbon), Teatro Joaquim Benite (Almada). Festival Sons de Almada Velha (Almada), Museu de Aveiro (Aveiro), Oliveira do Bairro (Quartel das Artes), etc... and a European tour in the Flemish Opera (Ghent, Belgium), Bozar (Brussels, Belgium), DeSingel (Antwerp, Belgium) and Opera de Lille (Lille, France) with the project “Babel” in partnership with e Zonzo Compagnie (Belgium) and integrated into the Big Bang Festival.

In 2016 Noa Noa will release their third CD dedicated to the Sephardic songs sung in Ladino and has a scheduled season at the Festival Lua Cheia, Arte na Aldeia (Coedo, Vila Real), Antiga Se de Idanha-a-Velha, BTL (Lisbon), Festival Pascoa Judaica e Crista (Medelim), Festival Fora do Lugar (Idanha-a-Nova), etc... and an international tour to Japan (Hamamatsu World Music Festival) performing in the Main Hall of the ACT CITY.

In 2017 Noa Noa will publish it's fourth CD, the second volume of the project  lança o seu quarto CD, o segundo volume do projecto dedicado às canções sefarditas em ladino.

In partnership with the City Council of Idanha-a-Nova and the Arte das Musas in 2013, Noa Noa assumes the title of Artists-in-Residence in this region ensconced in the historical village of Idanha-a-Velha. This partnership will evidenced by the promotion of regular artistic residences along the season in partnership with the Municipality of Idanha-a-Nova. These residences will reflect a point of view of the musical heritage, very close to the population, the musicians and other local artists, along with their spaces and habits.

Noa Noa also assumes the role of partner in the Fora do Lugar Festival, Early Musics International Festival, at Idanha-a-Nova.

Its name is inspired by the 1901 book by Paul Gauguin, in which the artist describes the time spent in creative retirement in the French Polynesia, in particular, Tahiti. Both polemic, Gauguin and his Noa Noa are still synonymous with creative freedom.

Noa Noa is supported by the Ministry of Culture and the Directorate-General for the Arts (Portuguese Government) and represented by the Arte das Musas productions.

Translation: Tiago Cassola Marques/Diana Gonsalves