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Entrevista — Joana Amorim + Rebeca Amorim Csalog — Online

5 DEZEMBRO 2021
14h00 ONLINE

A entrevista tem lugar, no dia e hora marcados, nas seguintes plataformas
The interview takes place, on the scheduled day and time, on the following platforms
Youtube Live + Facebook Live

ENTREVISTA Interview
JOANA AMORIM
traverso
REBECA AMORIM CSALOG harpa \harp

Saoirse

Música Celta para Flauta e Harpa.
Celtic Music for Flute and Harp.


  1. Star of the County Down, John Anderso + My Jo, Tradicional Irlandesa, arr. Sunita Staneslow

  2. Rights of Man, Tradicional Irlandesa e Escocesa, arr. Sunita Staneslow

  3. Carrickfergus, Tradicional Irlandesa, arr. Sunita Staneslow

  4. Larry O’Gaff/Garret Barry’s Jig - Tradicionais Irlandesas, arr. Sunita Staneslow

  5. Mr. Donough’s Lamentation, Turlough O’Carolan (1670-1738), arr. Vasco Negreiros

  6. The Butterfly, Tommy Potts (1912-1988), arr. Sunita Staneslow

  7. Mister O’Connor - Turlough O’Carolan (1670-1738)

  8. Tripping up the Stairs, Tradicional Escocesa, arr. Sunita Staneslow

  9. Lochaber No More, Tradicional Irlandesa, arr. Sunita Staneslow

  10. Paddy’s Lamentation/Ships are sailing, Tradicional Irlandesa, arr. Vasco Negreiros e Sunita Staneslow

  11. Flower of Edinburgh, Tradicional Escocesa, arr. Sunita Staneslow

  12. Ye Banks and Braes/Flow Gently, Sweet Afton, James Oswald (1710-1769)/Robert Burns (1756-1796), arr. Sunita Staneslow

  13. Wind that Shakes the Barley/Willafjord, Tradicional Irlandesa, arr. Sunita Staneslow


Nunca saberemos em que medida a cultura musical de origem celta se cruzou com outras influências, na construção das tradições musicais europeias. Por causa da enorme emigração irlandesa para os Estados Unidos da América, esta influência acabou por atravessar cedo o Atlântico, marcando muito o que hoje chamariamos cultura folk, dum e doutro lado do oceano e, entretanto, pelo mundo afora. 
Neste programa propomos uma viagem pelo universo da música tradicional irlandesa e escocesa, através da junção de dois instrumentos emblemáticos desta cultura: a harpa e a flauta. Tocados por bardos e trovadores, são instrumentos que quando se juntam transportam imediatamente para um imaginário celta. A harpa, instrumento sagrado e associado ao deus celta Dagda, tocada por figuras lendárias como O’Carolan, o bardo cego, é ainda hoje o símbolo da Irlanda. Já a flauta tradicional irlandesa é extremamente semelhante ao traverso barroco: uma flauta de madeira com um som doce e aveludado. Do encontro destes dois instrumentos nasceu a vontade de explorar a música tradicional irlandesa e escocesa, num programa que junta melodias dos séculos XVIII e XIX, com arranjos de Sunita Staneslow e Vasco Negreiros. “Saoirse” é uma palavra de origem celta que significa liberdade, e que dá o mote a este encontro: a liberdade de tocar em conjunto, de juntar música e afinidades, e de partilhar com o público aquilo que nos traz felicidade.

We will never know to what extent musical culture of Celtic origin merged with other influences in the construction of European musical traditions. Because of the large-scale Irish emigration to the United States, this influence crossed the Atlantic early on, marking much of what we now call folk culture, on both sides of the ocean and all around the world. 
In this programme, we propose a journey through the world of traditional Irish and Scottish music, bringing together two instruments that are emblematic of this culture: the harp and the flute. Played by bards and troubadours, these are instruments that, when played together, immediately transport us in our imaginations to a Celtic world. The harp, a sacred instrument associated with the Celtic god Dagda, played by legendary figures such as O’Carolan, the blind bard, is still the symbol of Ireland today. The traditional Irish flute is extremely similar to the baroque traverso: a wooden flute with a sweet, velvety sound. The meeting of these two instruments sparked the desire to explore traditional Irish and Scottish music, in a programme that brings together melodies from the 18th and 19th centuries with arrangements by Sunita Staneslow and Vasco Negreiros. ‘Saoirse’ is a word of Celtic origin that means freedom, and which gives this meeting its theme: the freedom to play as a group, to combine music and affinities, and to share with the audience something that brings everyone joy.


Este projecto nasceu da vontade de tocar em duo, em família, e do gosto partilhado pela música folk e tradicional de vários países. A estreia aconteceu na Índia, no festival Ketevan de Goa, em Janeiro de 2016, onde as duas instrumentistas apresentaram vários programas de fusão entre música ocidental e indiana, e onde tocaram pela primeira vez este programa de música tradicional irlandesa e escocesa. Desta semente cresceu o projecto Saoirse, que apresentaram, no verão seguinte, no festival Andanças (Agosto de 2016), onde, para além do concerto, criaram um espectáculo infantil sobre a temática dos druidas e bardos celtas, que se viria a repetir em Março de 2018, em Almada, juntando-se ao duo o actor Pedro Oliveira, num programa para escolas. Tocaram também em Serpa, em Outubro de 2016, e, na Faculdade de Ciências de Lisboa, em Abril de 2018.

This project was born of the desire to play as a duo, as a family, and a shared taste for folk and the traditional music of various countries. The first performance in India, at the Ketevan festival in Goa, in January 2016, where the two instrumentalists performed various programmes fusing western and Indian music, was where they first played this programme of traditional Irish and Scottish music. From this seed, the Saoirse project grew, presented the following summer at the Andanças festival (August 2016), where, in addition to the concert, the performers created a children’s show on the theme of Celtic druids and bards, which was repeated in March 2018, in Almada, with actor Pedro Oliveira joining the duo in a programme for schools. They also played in Serpa, in October 2016, and at the Faculty of Sciences of the University of Lisbon, in April 2018.


Português

Da cultura celta ter-nos-á ficado muitíssima influência, ainda que pouco documentada, mas claramente intuída na afinidade que sentimos ao ouvir ou dançar música tradicional da Escócia e da Irlanda. Talvez uma das sensações mais presentes, no contacto com esta cultura, seja a de liberdade ou do anseio por alcançá-la, no estado quase de transe a que a sua energia rítmica nos pode levar, assim como na pungência com que os seus lamentos nos atingem. Daí termos dado o nome Saoirse a este projecto, uma palavra originariamente galesa, cujo significado é: Liberdade.
O concerto começa com uma balada anónima tradicional irlandesa, Star of the County Down, com uma melodia tão popular, que conheceu muitos textos diferentes. O poema que parece ter sido o seu original foi escrito por Cathal MacGarvey (1866-1927), contando-nos do sonho de um rapaz, louco por casar com a rapariga que idolatra. Crê-se que a canção John Aderson, my jo terá uma origem mais antiga, no século XVI, pois o seu poema consta de um livro de meados desse século, referindo-se a um músico da cidade escocesa de Kelso. 
Rights of man é um interessantíssimo testemunho de como a ebulição francesa que acabou por resultar na revolução de 1789 chegou ao extremo norte da Europa. O livro Rights of man, do escritor Paine’s (1737-1809), defensor da Revolução Francesa, que acabou por ser proibido e queimado, após a venda de 200.000 exemplares, pode bem ter estado na origem da canção. Não se sabe bem quem e quando terá composto Carrickfergus, que tem uma grande similaridade com a canção Do Bhí Bean Uasal [Era uma vez um nobre], atribuída ao poeta Cathal Buí Mac Giolla Ghunna, falecido em 1756 na região de Clare.
Larry O’Gaff terá surgido provavelmente em associação com a peça teatral de mesmo nome, escrita por Samuel Lover’s (1797-1868), uma vez que é uma típica canção irlandesa criada para o palco, em contexto dramático. Consta que o músico itinerante Garret Barry terá morrido aos 52 anos de idade, em 1899. A sua reputação era tão grande, que ficou com o nome imortalizado numa jiga. Não haverá no entanto nome mais conhecido, na música irlandesa, do que o do harpista cego Turlough O’Carolan (1670-1738), um verdadeiro ícone da música irlandesa, sendo Mr. Donough’s Lamentation uma das suas mais famosas composições.
A ‘slip jig’ The Butterfly terá sido provavelmente composta pelo violinista Tommy Potts (1912-1988), com o intuito de ilustrar o jeito desajeitado de voar de uma borboleta. Mister O’Connor, outro grande êxito atribuído a Turlough O’Carolan (1670-1738), é ouvido num solo de harpa, o mais irlandês de todos os instrumentos, a ponto de ser usado como símbolo nacional, seguido da contagiante Jiga anónima Tripping up the Stairs. A canção Lochaber no more foi recolhida pela primeira vez em 1760, mas pode ter origem muito mais antiga.
Paddy’s Lament, também anónimo, é um extraordinário manifesto contra a guerra. O facto de se o ouvir inicialmente só pela flauta, demonstra a forma como muitas vezes se toca este instrumento na Irlanda, como voz vinda directamente da alma. Ships are Sailing é um exemplo de uma dança escocesa, chamada ‘reel’, que significa: rodopiar. Flower of Edinbourgh, que pode ter sido composta por James Oswald (1710-1769), é peça obrigatória do repertório Folk, principalmente entre violinistas, com muita presença também nos Estados Unidos da América e no Canadá. Ye banks and braes, composta por Robert Burns nos idos de 1791, marca no programa a presença de uma air. Do mesmo compositor será igualmente Sweet Afton, exultando a beleza do rio Afton – em Ayrshire, na Escócia – de uma forma tão convincente, que ainda hoje há muitos barcos que se chamam Afton, principalmente nos EUA.
Wind that shakes the barley, do poeta Robert Dwyer Joyce (1836-1883), faz referência à cevada e aveia que os revoltosos de 1798, na Irlanda, levavam nos seus bolsos, como provisão.
Crê-se que Willafjord (ou Wullafjord), um ‘reel’ muito popular nas borealíssimas ilhas Shetland, possa ter origem na Groenlândia. 
O mundo musical deste extremo norte da Europa é tão misterioso como fascinante, encontrando no traverso barroco e na harpa céltica dois intérpretes que lhe acentuam as mais variadas nuances, da verde montanha, ao mar bravio, alimentando-nos a imaginação e a curiosidade.

Vasco Negreiros

English

Celtic culture has had a great deal of influence on Portugal. It might not be well documented, but we feel a clear affinity when we listen or dance to the traditional music of Scotland and Ireland. Perhaps one of the most obvious sensations, when we come into contact with this culture, is that of freedom, or the desire to achieve it, in the almost trance-like state to which its rhythmic energy lead us, not to mention the poignancy of its laments. That is why we named this project Saoirse, a word that is Welsh in origin, meaning: Freedom.
The concert begins with an anonymous traditional Irish ballad, Star of the County Down, which has such a popular melody that it has been used with many different texts. The poem on which it seems to have been based was written by Cathal MacGarvey (1866-1927), telling of the dream of a boy desperate to marry the girl he worships. The song John Anderson, my Jo is thought to be even older, dating from the 16th century, as the poem on which it is based appears in a book from the middle of that century, referring to a musician from the Scottish town of Kelso. 
Rights of man is a fascinating account of how the French turmoil that came to a head in the revolution of 1789 reached the far north of Europe. The book Rights of Man, by Thomas Paine (1737-1809), a defender of the French Revolution, which ended up being banned and burned after selling 200,000 copies, may well lie at the origin of the song. No one knows exactly who composed Carrickfergus, or when, but the song bears many similarities to the song Do Bhí Bean Uasal [There was once a noblewoman], attributed to the poet Cathal Buí Mac Giolla Ghunna, who died in 1756 in County Clare.
Larry O’Gaff probably emerged in association with the theatre piece of the same name, written by Samuel Lover (1797-1868), as it is a typical Irish song created for the dramatic context of the stage. The travelling musician Garret Barry reportedly died at the age of 52, in 1899. His reputation was such that his name was immortalised in a jig. However, there is no name more familiar, in Irish music, than the blind harpist Turlough O’Carolan (1670-1738), a true icon of Irish music, with Mr Donough’s Lamentation being one of his most famous compositions.
The ‘slip jig’ The Butterfly is thought to have been composed by the violinist Tommy Potts (1912-1988), with the aim of illustrating the butterfly’s clumsy flight. Mister O’Connor, another great success attributed to Turlough O’Carolan (1670-1738), is heard in solo harp, an instrument so typical of Ireland that it is a national symbol, followed by the catchy anonymous jig Tripping up the Stairs. The first record of the song Lochaber no more dates from 1760, but its origins may be even older.
Paddy's Lament, also anonymous, is an extraordinary anti-war manifesto. The fact that it was initially only played on the flute demonstrates how this instrument is often played in Ireland, like a voice coming directly from the soul. Ships are Sailing is an example of a Scottish reel. Flower of Edinburgh, thought to have been composed by James Oswald (1710-1769), is an obligatory piece in the Folk repertoire, particularly for violinists, and is also frequently heard in the United States and Canada. Ye banks and braes, composed by Robert Burns in 1791, adds the only air to the programme. Sweet Afton, by the same composer, praises the beauty of the River Afton – in Ayrshire, Scotland – so convincingly that even today many boats are named Afton, especially in the United States.
The wind that shakes the barley, by the poet Robert Dwyer Joyce (1836-1883), refers to the oats and barley that the Irish revolutionaries of 1798 carried in their pockets as provisions.
It is thought that Willafjord (or Wullafjord), a very popular reel in the far northern Shetland islands, originated in Greenland. 
The musical world of this northern extreme of Europe is as mysterious as it is fascinating, and in the baroque traverso and Celtic harp it finds two interpreters that can accentuate the most varied nuances, from the green mountain to the untamed sea, feeding our imaginations and curiosity.

Vasco Negreiros


Português

Rebeca Amorim Csalog nasce a 14 de Janeiro de 1996, em Lisboa. Filha de músicos, pai húngaro e mãe portuguesa, começa a estudar violino aos três anos, na Academia de Música de Linda-a-Velha. Aos seis anos, entra no conservatório, onde escolhe como instrumento principal a harpa, estudando com Andreia Marques, e continuando aos 13 na classe de Ana Castanhito. Estudou violino como instrumento secundário com as professoras Rita Mendes e Pamela Hekimian. 
Ganhou vários prémios em concursos de harpa e música de câmara em Portugal, Espanha, Eslovénia e França.
Toca regularmente com diferentes orquestras por todo o país, como a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Sinfonietta de Lisboa, a Filarmonia das Beiras, a Orquestra Sinfónica de Thomar, entre outras. Como solista, estreou o concerto para harpa e orquestra ‘Z’, de Vasco Negreiros no Coliseu do Porto, em 2016. 
Paralelamente, licenciou-se em Antropologia em 2017 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde concluiu o Mestrado em Migrações, Inter-Etnicidades e Transnacionalismo em 2020. Neste momento frequenta o Mestrado em Música na Escola Superior de Música de Lisboa, na classe de harpa da professora Carolina Coimbra.



Joana Amorim toca regularmente diferentes traversos históricos, que vão desde o século XVI ao início do século XIX, assim como flauta de bisel. O seu interesse pela música e cultura do subcontinente indiano levaram-na a estudar também Bansuri. Joana Amorim graduou-se em Traverso com o Professor Barthold Kuijken, no Conservatório Real de Haia (Holanda) e com a Professora Linde Brunmayer, na Hochschule für Musik em Trossingen (Alemanha), e, em Flauta de Bisel, em Haia, com o Professor Ricardo Kanji. Joana Amorim obteve o Diploma de Mestrado em Traverso com o Professor Marc Hantaï na Universidade de Aveiro (Portugal). É fundadora do grupo Ludovice Ensemble, tocando regularmente também com outros grupos de música antiga, como, por exemplo, o Divino Sospiro. Já tocou sob a direcção de diversos maestros, tais como: Lawrence Cummings, Harry Christophers, Howard Hazel, Christian Curnyn, Enrico Onofri, Philippe Pierlot, Masaaki Suzuki, Vasco Negreiros, Timothy Henty, entre outros. A sua actividade pedagógica, como professora de Flauta de Bisel e Traverso na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, levou-a a publicar um método de flauta de bisel e a criar vários espectáculos infantis. Para além da sua actividade musical, gosta de andar a cavalo, de fazer mergulho, de ler livros, de viajar e de caminhar na natureza.

English

Rebeca Amorim Csalog was born on 14 January 1996, in Lisbon. The daughter of musicians, with a Hungarian father and Portuguese mother, she began to learn violin at the age of three, at the Linda-a-Velha Music Academy. At six, she entered the conservatoire, where she chose the harp as her main instrument, studying with Andreia Marques, and continuing at the age of 13 in Ana Castanhito’s class. She studied violin as a secondary instrument with teachers Rita Mendes and Pamela Hekimian. 
She has won various prizes in harp and chamber music contests in Portugal, Spain, Slovenia and France.
She plays regularly with different orchestras around the country, such as the Lisbon Metropolitan Orchestra, the Sinfonietta de Lisboa, the Beiras Philharmonic Orchestra and the Thomar Symphony Orchestra, among others. As a soloist, she gave the first performance of ‘Z’, a concerto for harp and orchestra by Vasco Negreiros, at the Coliseu in Porto, in 2016. 
In parallel, she graduated in Anthropology in 2017 from the Faculty of Social and Human Sciences at the Universidade Nova de Lisboa, where she completed a master’s in Migrations, Inter-Ethnicities and Transnationalism in 2020. She is currently attending the master’s course in Music at the Escola Superior de Música in Lisbon, in the harp class taught by Carolina Coimbra.



Joana Amorim regularly plays different historic traversos, ranging from the 16th to the early 19th century, as well as the recorder. Her interest in the music and culture of the Indian subcontinent led her to also study the bansuri. Joana Amorim graduated in Traverso with Professor Barthold Kuijken, at the Royal Conservatoire of the Hague (Netherlands) and with Professor Linde Brunmayer at the Hochschule für Musik in Trossingen (Germany), and, in Recorder, in the Hague, with Professor Ricardo Kanji. Joana Amorim gained her master’s diploma in Traverso with Professor Marc Hantaï at the University of Aveiro (Portugal). She is the founder of the Ludovice Ensemble, and also plays regularly with other early music groups, such as Divino Sospiro. She has played under the direction of various conductors, including: Lawrence Cummings, Harry Christophers, Howard Hazel, Christian Curnyn, Enrico Onofri, Philippe Pierlot, Masaaki Suzuki, Vasco Negreiros and Timothy Henty, to name but a few. Her educational work as a teacher of recorder and traverso at the Music School of the National Conservatoire in Lisbon inspired her to publish a recorder method and to create various children’s shows. Beyond her musical activities, she likes horse-riding, scuba diving, reading books, travelling and walking in nature.