CONCERTO CONCERT
Noa Noa
Portugal
21.11.2026 21.30
Sábado Saturday
Monfortinho
Salão do Bodo
Filipe Faria voz, adufe voice, adufe
Tiago Matias vihuela, tiorba vihuela, theorbo
Baltazar Molina percussão percussion
Amor sin pena — Língua, vol. 3
Língua e memória na música ibérica do século XVI
Language and memory in sixteenth-century Iberian music
Canción del Emperador Luis de Narváez (c. 1500–c. 1547), in Los seys libros del Delphín de música (Valladolid, 1538)
Virgem da Consolação Anon. (Idanha-a-Nova, Portugal)
Gavilão, gavilão branco Anon., in Chansonnier Masson (Paris, École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Ms. Masson 56, c. 1550–1570)
La rosa enflorece Anon. (Cancioneiro Sefardita)
Muwashah Al-Andalus/Médio Oriente (s. IX/X)
Enemiga le soy, madre Anon., in Cancionero Musical de Palacio (c. 1496–1520), Madrid, Real Biblioteca, MS II-1335
Sarambeque de Abreu (s. XVII)
Ayer vite na fonte Anon. (Astúrias), in Canciones Populares de Asturias, Manuel del Fresno (Oviedo, 1931)
No piense Menguilla ya José Marín (?1618/19–1699), in Tonos Humanos para Voz y Guitarra, Ms. MU 4-1958, Mu. Ms. 727, Fitzwilliam Museum, Cambridge
No val das mais belas Anon., in Chansonnier Masson (Paris, École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Ms. Masson 56, c. 1550–1570)
Al alba venid Anon., in Cancionero Musical de Palacio (c. 1496–1520), Madrid, Real Biblioteca, MS II-1335
Porque lloras, moro Anon., in Chansonnier Masson (Paris, École Nationale Supérieure des Beaux-Arts, Ms. Masson 56, c. 1550–1570)
Ay linda amiga Anon. (Santander, Espanha)
Fantasia X, que contrahaze la harpa en la manera de Ludovico Alonso Mudarra (c. 1510–1580), in Tres libros de música en cifra para vihuela (Sevilha, 1546)
Una pastora yo amí Anon. (Cancioneiro Sefardita)
Arranjos Arrangements
Filipe Faria e Tiago Matias
Filipe Faria and Tiago Matias
Terceiro volume do projecto Língua, de Noa Noa, Amor sin pena inaugura uma nova série de diálogos entre línguas ibéricas, propondo um encontro íntimo entre o português e o castelhano, onde a palavra e o som se cruzam num território comum de ressonâncias, tensões e cumplicidades.
Partindo do repertório ibérico dos séculos XVI e XVII — entre a tradição cortesã e a herança popular —, o programa percorre cancioneiros, fontes instrumentais e tradições orais que testemunham a circulação de formas, temas e sensibilidades através da Península. A voz e os instrumentos desenham um espaço de escuta onde as línguas se reflectem, se contaminam e se transformam.
The third volume of Noa Noa’s Língua project, Amor sin pena, opens a new series of dialogues between Iberian languages, bringing Portuguese and Castilian into an intimate encounter in which word and sound meet within a shared territory of resonances, tensions and affinities.
Drawing on Iberian repertory from the sixteenth and seventeenth centuries — between courtly traditions and popular heritage — the programme moves through songbooks, instrumental sources and oral traditions that bear witness to the circulation of forms, themes and sensibilities across the Peninsula. Voice and instruments create a space for listening in which languages reflect, mingle and transform one another.
Notas Notes
PT Todas as línguas mudam com o tempo. Evoluem e adaptam-se aos usos das comunidades, às suas idiossincrasias e aos seus hábitos. A língua não é uma entidade imutável, estanque, parada ou fixada no tempo. É, pelo contrário, o resultado de uma dinâmica que tem a mesma forma e o mesmo fulgor da comunidade — ou da humanidade — que muda… vagarosa, mas imparável.
Língua, projecto de Noa Noa iniciado em 2014, dedica-se à memória colectiva das línguas e culturas ibéricas. Depois da diversidade linguística dos primeiros volumes, Amor sin pena, o terceiro volume, concentra-se na proximidade entre o português e o castelhano, reunindo repertório profano proveniente de algumas das principais fontes da música ibérica dos finais do século XV, do século XVI e do século XVII, a par de canções da tradição oral.
Os cancioneiros são também testemunhos das escolhas culturais de cada época: do que foi escrito, copiado e reunido; do que perdurou e do que se perdeu. A sua constituição raramente corresponde a um único momento. Diferentes mãos acrescentam, corrigem, substituem ou reorganizam textos e músicas. Cada cancioneiro conserva um repertório e, simultaneamente, a história da sua própria formação.
O Cancioneiro de Paris — manuscrito Masson 56 — é a mais extensa colectânea portuguesa conhecida de música profana do século XVI. Provavelmente copiado em Portugal entre c. 1550 e 1570, com acrescentos posteriores até ao início do século XVII, reúne repertório palaciano em português e castelhano. As concordâncias entre algumas das suas peças e as de outros cancioneiros portugueses e espanhóis revelam a circulação do repertório entre diferentes fontes e contextos: uma mesma melodia pode surgir associada a um texto diferente ou receber uma nova versão polifónica.
O Cancionero Musical de Palacio, compilado em fases sucessivas entre c. 1496 e 1520, reúne maioritariamente repertório em castelhano e documenta práticas musicais associadas ao contexto cortesão dos Reis Católicos. Entre as numerosas peças anónimas encontram-se também obras de compositores como Juan del Encina, Francisco de Peñalosa, Pedro de Escobar e Francisco de la Torre.
A estas fontes juntam-se canções da tradição oral e repertório instrumental para vihuela. Entre a escrita dos cancioneiros, a cifra instrumental e a transmissão de ouvido em ouvido, estas músicas revelam diferentes formas de circulação, transformação e permanência da canção na Península Ibérica.
EN All languages change over time. They evolve and adapt to the ways in which communities use them, to their particular traits and habits. Language is not an immutable, closed or static entity, fixed in time. Rather, it is the result of a dynamic process that reflects the form and vitality of the community — or of humanity — as it changes… slowly but inexorably.
Língua, a Noa Noa project begun in 2014, is devoted to the collective memory of Iberian languages and cultures. After exploring linguistic diversity in its earlier volumes, the project turns in its third volume, Amor sin pena, to the close relationship between Portuguese and Castilian, bringing together secular repertory drawn from some of the principal sources of late fifteenth-, sixteenth- and seventeenth-century Iberian music alongside songs from the oral tradition.
Songbooks also bear witness to the cultural choices of each period: to what was written down, copied and collected; to what endured and what was lost. Their formation seldom corresponds to a single moment. Different hands add, correct, replace or rearrange texts and music. Each songbook preserves both a repertory and the history of its own formation.
The Cancioneiro de Paris — the Paris Songbook, manuscript Masson 56 — is the most extensive known Portuguese collection of sixteenth-century secular music. Probably copied in Portugal between c. 1550 and 1570, with later additions extending into the early seventeenth century, it contains court repertory in Portuguese and Castilian. Concordances between some of its pieces and those found in other Portuguese and Spanish songbooks reveal how the repertory circulated between different sources and contexts: the same melody may appear with a different text or receive a new polyphonic setting.
The Cancionero Musical de Palacio — the Palace Songbook — was compiled in successive stages between c. 1496 and 1520. Predominantly in Castilian, it documents musical practices associated with the court of the Catholic Monarchs. Alongside numerous anonymous pieces, it contains works by composers such as Juan del Encina, Francisco de Peñalosa, Pedro de Escobar and Francisco de la Torre.
Alongside these sources are songs from the oral tradition and instrumental repertory for vihuela. From the written record of the songbooks and instrumental tablature to transmission from ear to ear, these musics reveal different ways in which song circulated, changed and endured across the Iberian Peninsula.
Biografias Biographies
Noa Noa
PT Fundado por Filipe Faria e Tiago Matias em 2012, o Ensemble de Música Antiga Noa Noa inspira-se no inovador livro-diário de Paul Gauguin, de 1901, no qual o artista descreve os tempos passados em retiro criativo na Polinésia francesa, em especial no Tahiti. Envolto em polémica, tanto Gauguin como o seu Noa Noa são ainda hoje sinónimos de liberdade criativa.
A tradição de resposta sem fronteiras ao apelo criativo é tão antiga como o Homem e volta a ter eco nas tendências recentes da moderna prática da Música Antiga, com a constatação de que o músico no passado tinha uma formação multifacetada, contrastando com a super-especialização dos séculos XX e XXI. A redescoberta dos instrumentos históricos e das suas técnicas de execução tem iluminado o passado, ao mesmo tempo que tem inspirado compositores contemporâneos a criar novas obras, linguagens e estéticas.
Em 2014, Noa Noa lançou o seu primeiro trabalho discográfico, Língua, vol. 1, dedicado à memória colectiva definida pelas diversas culturas e línguas da Península Ibérica — uma manta de sons «para além do Ebro», que resultou no português, castelhano, mirandês, galego, asturiano, basco e catalão. Este projecto explora o que é comum e distinto na história cultural ibérica, navegando pelas fronteiras geográficas, culturais e conceptuais entre tradição, ancestralidade e contemporaneidade. O disco atingiu o primeiro lugar no TOP de vendas FNAC na área de Música Clássica/Música do Mundo/Jazz durante três meses e tornou-se um dos mais vendidos em Portugal nesse ano, esgotando a primeira edição em apenas quatro meses.
Na mesma temporada, Noa Noa foi convidado para uma parceria artística na instalação A Manta, de Cristina Rodrigues, peça icónica do Museu Rural para o Século XXI (Idanha-a-Velha), desenvolvida em colaboração com o projecto Design for Desertification (DfD), a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Manchester Metropolitan University, MIRIAD e Oralities Project. A exposição esteve patente na Sé Catedral de Idanha-a-Velha, no MUDE — Museu do Design e da Moda, no Museu Nacional de Arqueologia/Mosteiro dos Jerónimos, na Manchester Cathedral e no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
Em 2015, Noa Noa lançou o segundo volume do projecto Língua — Língua, vol. 2 —, seguido em 2016 pelo álbum De la mar, dedicado às canções sefarditas cantadas em ladino. Palavricas d’amor foi lançado em 2017.
Desde a sua fundação, Noa Noa apresenta-se extensivamente em Portugal, em festivais, salas e temporadas, e convida para os seus projectos músicos de diferentes áreas. Em 2015 apresentou-se em digressão europeia com o projecto original Babel, encomenda do Centro Cultural de Belém / Fábrica das Artes, em parceria com Zonzo Compagnie, com concertos na Flemish Opera, em Ghent, Bozar, em Bruxelas, DeSingel, em Antuérpia, e Opéra de Lille. Em 2016, o ensemble levou a sua música em digressão ao Japão, apresentando-se no Main Hall do ACT CITY, em Hamamatsu.
Em 2021, Noa Noa juntou-se ao projecto Se chovesse um oceano, de Filipe Faria e Winnie Dias, um projecto multidisciplinar de vídeo-dança, música, fotografia e performance filmado na Alemanha, Suíça e Portugal. Os filmes fizeram parte da Selecção Oficial de festivais em Itália, Estados Unidos da América, Polónia, Portugal, Brasil, Inglaterra, Grécia, Israel e Chile, tendo recebido vários prémios.
Nesse mesmo ano, Noa Noa desenvolveu Da estrada e do tempo, uma digressão de norte a sul de Portugal em dez concertos, ao longo da icónica N2, culminando no livro de fotografia Risco Branco Risco, de Filipe Faria, e num documentário sobre a viagem de quinze dias.
Em 2022, o ensemble foi convidado a integrar o programa oficial do Early Music Day, sob a tutela da REMA — Réseau Européen de Musique Ancienne.
Em 2023, Noa Noa juntou-se ao projecto Flow, de Filipe Faria, que resultou no livro com o mesmo título.
Em 2025/26 destacam-se os concertos no Festival Midis-Minimes, em Bruxelas, Zomer van Sint-Pieter/30CC, em Leuven, Costa Vicentina Early Music Fest, Festival de Música de Leiria e Festival de Música Antiga de Torres Vedras.
Em 2026, Noa Noa regressa à edição discográfica, com o apoio da DGARTES, com o álbum Amor sin pena, terceiro volume do projecto Língua.
EN Founded by Filipe Faria and Tiago Matias in 2012, the Early Music Ensemble Noa Noa draws its inspiration from Paul Gauguin’s innovative 1901 diary, in which the artist recounts his time in creative retreat in French Polynesia, especially Tahiti. Surrounded by controversy, both Gauguin and his Noa Noa remain enduring symbols of creative freedom.
The ensemble embraces a tradition of boundless response to creative impulses, echoing a time when musicians received multifaceted training, in contrast with the hyper-specialisation of the twentieth and twenty-first centuries. The rediscovery of historical instruments and their performance techniques has illuminated the past, while also inspiring contemporary composers to create new works, languages and aesthetics.
In 2014, Noa Noa released its first recording, Língua, vol. 1, dedicated to the collective memory shaped by the diverse cultures and languages of the Iberian Peninsula — a patchwork of sounds “beyond the Ebro”, sung in Portuguese, Castilian, Mirandese, Galician, Asturian, Basque and Catalan. The project explores what is shared and what is distinct in Iberian cultural history, navigating geographical, cultural and conceptual boundaries between tradition, ancestry and contemporaneity. The album topped FNAC’s Classical/World/Jazz sales chart for three months and became one of Portugal’s best-selling records of the year, with the first edition selling out in just four months.
During the same season, Noa Noa was invited to collaborate artistically in Cristina Rodrigues’s installation A Manta, an iconic work of the 21st Century Rural Museum in Idanha-a-Velha, developed in partnership with Design for Desertification (DfD), the Municipality of Idanha-a-Nova, Manchester Metropolitan University, MIRIAD and the Oralities Project. The exhibition was presented at the Cathedral of Idanha-a-Velha, MUDE — Museum of Design and Fashion, the National Archaeology Museum/Jerónimos Monastery, Manchester Cathedral and the São Paulo Museum of Modern Art.
In 2015, Noa Noa released the second volume of the Língua project — Língua, vol. 2 — followed in 2016 by De la mar, dedicated to Sephardic songs in Ladino. Palavricas d’amor was released in 2017.
Since its foundation, Noa Noa has performed extensively across Portugal at festivals, venues and concert series, collaborating with musicians from diverse backgrounds. In 2015, it toured Europe with its original project Babel, a commission from Centro Cultural de Belém / Fábrica das Artes in partnership with Zonzo Compagnie, performing at the Flemish Opera in Ghent, Bozar in Brussels, DeSingel in Antwerp and the Opéra de Lille. In 2016, the ensemble toured Japan, performing at the Main Hall of ACT CITY in Hamamatsu.
In 2021, Noa Noa joined Se chovesse um oceano, a multidisciplinary screendance, music, photography and performance project by Filipe Faria and Winnie Dias, filmed in Germany, Switzerland and Portugal. The films were selected for festivals in Italy, the United States, Poland, Portugal, Brazil, England, Greece, Israel and Chile, receiving several awards.
That same year, Noa Noa developed Da estrada e do tempo, a ten-concert tour from north to south of Portugal along the iconic N2 route, culminating in Filipe Faria’s photography book Risco Branco Risco and a documentary about the fifteen-day journey.
In 2022, the ensemble was invited to join the official programme of Early Music Day, under the auspices of REMA — Réseau Européen de Musique Ancienne.
In 2023, Noa Noa joined Filipe Faria’s project Flow, which resulted in the publication of a book of the same title.
Highlights of 2025/26 include performances at Festival Midis-Minimes in Brussels, Zomer van Sint-Pieter/30CC in Leuven, Costa Vicentina Early Music Fest, Festival de Música de Leiria and Festival de Música Antiga de Torres Vedras.
In 2026, Noa Noa returns to recording with Amor sin pena, the third volume of the Língua project, released with the support of DGARTES.
