CONCERTO À MEIA-LUZ DIMLY LIT CONCERT
Zuca-Truca
Portugal
21.11.2026 16.30
Sábado Saturday
Idanha-a-Nova
Espaço Feira Raiana
Mariana Campos
Rafael Freitas
Viagem sonora ao Minho esquecido
Uma conversa/concerto que viaja por dois milénios de música popular minhota
A sound journey through Minho’s forgotten traditions
A concert and talk spanning two millennia of traditional music from Minho
Ao longo desta viagem revela-se o lado menos conhecido dos sons, das cantigas e dos instrumentos guardados no baú da memória colectiva. Contextos, influências e repertórios dão a conhecer uma extraordinária diversidade de instrumentos, dos mais familiares, como a concertina e o bombo, aos mais peculiares, como o corno, as pedras, a sarronca, a gaita de foles, a sanfona ou o chamado «jazz do penico».
This journey reveals a lesser-known world of sounds, songs and instruments preserved in collective memory. Contexts, influences and repertoires uncover an extraordinary diversity of instruments, from the more familiar, such as the concertina and bass drum, to the more unusual, including the horn, stones, sarronca, bagpipes, hurdy-gurdy and the so-called jazz do penico.
NOTAS NOTES
A música de tradição oral do Minho construiu-se historicamente numa estreita relação com os contextos da vida colectiva: festas, romarias, danças, trabalhos, momentos de convívio e outras práticas comunitárias. Canto, dança e música instrumental encontram-se aí frequentemente ligados, numa cultura musical transmitida sobretudo pela prática, pela memória e pela aprendizagem entre gerações.
A investigação etnográfica portuguesa do século XX tornou particularmente visível a diversidade desta paisagem sonora. As recolhas desenvolvidas por investigadores como Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira documentaram instrumentos, práticas e contextos musicais de diferentes regiões do país, constituindo hoje um importante testemunho de universos que se encontravam já em profunda transformação. O trabalho de Veiga de Oliveira sobre os instrumentos musicais populares portugueses, iniciado no âmbito de um projecto de investigação da Fundação Calouste Gulbenkian entre 1960 e 1965, tornou-se uma referência fundamental neste domínio.
No Minho, a variedade das práticas musicais corresponde também a uma grande diversidade de materiais, formas de construção e modos de produzir som. Instrumentos associados à festa e à dança convivem com objectos sonoros de construção simples, por vezes feitos a partir de materiais disponíveis no quotidiano. A distinção entre instrumento, brinquedo sonoro e objecto de uso comum pode, por isso, tornar-se particularmente fluida.
Olhar para estes instrumentos é também olhar para os gestos que lhes dão som, para os contextos em que foram utilizados e para as comunidades que lhes atribuíram sentido. As colecções etnográficas preservam hoje não apenas objectos, mas também registos sonoros, visuais e documentais produzidos durante décadas de trabalho de campo, essenciais para compreender modos de fazer e transmitir música que não dependiam necessariamente da escrita.
Entre permanência, desaparecimento e transformação, este património lembra que uma tradição musical nunca é apenas um repertório: é também um conjunto de instrumentos, técnicas, memórias, relações sociais e formas de escuta.
— Filipe Faria
The oral musical traditions of Minho developed historically in close connection with the contexts of collective life: festivities, pilgrimages, dances, work, social gatherings and other communal practices. Singing, dancing and instrumental music are often closely intertwined within a musical culture transmitted primarily through practice, memory and learning between generations.
Twentieth-century Portuguese ethnographic research brought the diversity of this soundscape into particularly sharp focus. Fieldwork by researchers such as Ernesto Veiga de Oliveira and Benjamim Pereira documented instruments, practices and musical contexts from different regions of the country, providing an important record of worlds that were already undergoing profound transformation. Veiga de Oliveira’s work on Portuguese traditional musical instruments, begun as part of a Calouste Gulbenkian Foundation research project between 1960 and 1965, became a fundamental reference in this field.
In Minho, the variety of musical practices is matched by a great diversity of materials, construction methods and ways of producing sound. Instruments associated with festivities and dance coexist with simple sound-making objects, sometimes fashioned from materials available in everyday life. The distinction between musical instrument, sound toy and everyday object can therefore become particularly fluid.
To look at these instruments is also to look at the gestures that bring them to life, the contexts in which they were used and the communities that gave them meaning. Ethnographic collections today preserve not only objects, but also sound, visual and documentary records produced over decades of fieldwork, essential to understanding ways of making and transmitting music that did not necessarily depend on written notation.
Between continuity, disappearance and transformation, this heritage reminds us that a musical tradition is never merely a repertoire: it is also a body of instruments, techniques, memories, social relationships and ways of listening.
— Filipe Faria
Biografias Biographies
Zuca-Truca
PT Zuca-Truca é um projecto artístico criado em 2026 por Rafael Freitas e Mariana Campos para recuperar a memória sonora do Minho. Entre canas, folhas, paus, instrumentos e histórias, resgatam sons e gestos da cultura popular, devolvendo-lhes vida. Percorrendo os caminhos entre a transmissão oral e o registo mais erudito, procuram que vozes, brincadeiras e saberes antigos continuem a soar e a encontrar novas mãos, novos ouvidos e novas gerações.
EN Zuca-Truca is an artistic project created in 2026 by Rafael Freitas and Mariana Campos to recover the sonic memory of Minho. Through reeds, leaves, sticks, instruments and stories, they retrieve sounds and gestures from popular culture and bring them back to life. Moving between oral transmission and more scholarly forms of documentation, they seek to ensure that old voices, games and forms of knowledge continue to sound and to find new hands, new ears and new generations.
Mariana Campos e Rafael Freitas
Mariana Campos and Rafael Freitas
PT Arquitectos de formação, Mariana Campos e Rafael Freitas partilham a paixão pela cultura musical da tradição minhota: das danças aos cantares, do toque dos instrumentos à sua própria construção. Têm um percurso ligado a associações de referência no panorama da música tradicional portuguesa, como o GEFAC, de Coimbra, e os Gaiteiros de Bravães, que organizam o festival Antena 1 «Anda à Varanda». Entre os vários projectos musicais a que se associam destaca-se Zuca-Truca, que dá a conhecer, nas redes sociais, em concertos e oficinas, instrumentos e sonoridades menos conhecidos desta região portuguesa.
EN Architects by training, Mariana Campos and Rafael Freitas share a passion for Minho’s traditional musical culture: from dances to songs, from playing instruments to building them. Their paths are linked to well-established associations within Portuguese traditional music, including GEFAC, in Coimbra, and Gaiteiros de Bravães, organisers of the Antena 1 festival Anda à Varanda. Among the various musical projects with which they are involved, Zuca-Truca stands out, bringing lesser-known instruments and sounds from this region of Portugal to wider audiences through social media, concerts and workshops.
