CONCERTO CONCERT
Serendipia
Espanha Spain
28.11.2026 21.30
Sábado Saturday
Zebreira
Lagar
Moisés Maroto flautas de bisel recorders
Rita Rógar flautas de bisel recorders
Nacho Laguna instrumentos de corda dedilhada plucked-string instruments
Bajo la piel
Ostinatos do Renascimento e do Barroco latino
Ostinatos of the Renaissance and Latin Baroque
Anoche cuando dormía
Passamezzo antico — Diego Ortiz (c. 1510–1570)
Batalla de Barrabaso Yerno de Satanas — Andrea Falconieri (1585–1656)
Soñé, ¡bendita ilusión!
Ciacona — Andrea Falconieri (1585–1656)
Folia — Andrea Falconieri (1585–1656)
Que una fontana fluía
Canarios — Gaspar Sanz (1640–1710)
Passamezzo moderno — Diego Ortiz (c. 1510–1570)
Ciacona — Nicola Matteis (c. 1650–1714)
Dentro de mi corazón
Canarios — Fabrizio Caroso (1535–1605)
Fandango — Santiago de Murcia (1673–1739)
Aria sopra la Bergamasca — Marco Uccellini (1603–1680)
¿Por qué acequia escondida?
Pasacalle — Jacques-Martin Hotteterre (1648–1720)
Jácara — No hay que decirle primor — Anon. (século XVII)
Pasacalles — Andrea Falconieri (1585–1656)
Agua, ¿vienes hasta mí?
Folia — Johann Christian Schickhardt (1682–1762)
Ciacona — Tarquinio Merula (1595–1665)
Bajo la piel explora o poder hipnótico do ostinato na música renascentista e barroca do sul da Europa. Chaconas, folias, passamezzos, passacalles e fandangos sucedem-se num percurso em que a repetição se transforma continuamente através da ornamentação, da improvisação e da invenção musical.
A partir de repertório sobretudo espanhol e italiano, duas flautas de bisel e instrumentos de corda dedilhada atravessam uma música ligada simultaneamente aos salões e teatros, à rua, ao corpo e à dança. O programa organiza-se em seis momentos inspirados no poema Anoche cuando dormía, de Antonio Machado, fazendo do movimento circular dos baixos obstinados um fluxo que se transforma a cada regresso.
Bajo la piel explores the hypnotic power of the ostinato in Renaissance and Baroque music from southern Europe. Chaconnes, folias, passamezzos, passacaglias and fandangos unfold in a journey in which repetition is continually transformed through ornamentation, improvisation and musical invention.
Drawing mainly on Spanish and Italian repertory, two recorders and plucked-string instruments move through music connected at once with salons and theatres, the street, the body and dance. The programme unfolds in six sections inspired by Antonio Machado’s poem Anoche cuando dormía, turning the circular movement of ostinato basses into a flow that changes with every return.
“Anoche cuando dormía soñé, ¡bendita ilusión!, que una fontana fluía dentro de mi corazón.”
“Ontem à noite, enquanto dormia, sonhei — bendita ilusão! — que uma fonte fluía dentro do meu coração.”
“Last night, as I slept, I dreamt — blessed illusion! — that a fountain flowed within my heart.”
— Antonio Machado, Anoche cuando dormía
Notas Notes
PT Bajo la piel explora o poder hipnótico do ostinato na música renascentista e barroca do sul da Europa. Mais do que um simples recurso composicional, a repetição de um padrão harmónico ou melódico transforma-se num motor rítmico, expressivo e quase corporal. Chaconas, folias, passamezzos, passacalles e fandangos sucedem-se como um ritual sonoro em que cada repetição abre novas possibilidades de ornamentação, improvisação e transformação musical.
Entre os séculos XVI e XVIII, estas formas circularam entre diferentes territórios e contextos sociais. Presentes nos salões aristocráticos, nos teatros, nas celebrações populares e nas tradições de dança, atravessaram as fronteiras entre a música escrita e a transmissão oral. Compositores como Diego Ortiz, Andrea Falconieri, Gaspar Sanz, Santiago de Murcia ou Tarquinio Merula testemunham a extraordinária vitalidade de uma linguagem musical partilhada, marcada pelo movimento, pela dança e pela invenção.
A partir de um repertório predominantemente espanhol e italiano, Serendipia constrói um discurso próprio através do diálogo entre duas flautas de bisel e instrumentos de corda dedilhada. As diferentes dimensões e sonoridades das flautas, associadas à riqueza harmónica e rítmica do acompanhamento, permitem explorar contrastes de textura, cor e articulação.
Grande parte das obras apresentadas surge em arranjos originais do ensemble, concebidos especificamente para esta formação. Inspirados nas práticas de ornamentação, diminuição e improvisação características da época, estes arranjos fazem do repertório histórico um espaço de criação dentro da própria linguagem da Música Antiga.
O programa desenvolve-se em seis momentos inspirados no poema Anoche cuando dormía, de Antonio Machado. A imagem da água que corre no interior do coração estabelece uma relação poética com o movimento circular dos baixos obstinados: um fluxo constante que se transforma a cada regresso.
Bajo la piel reivindica, por fim, o carácter mediterrânico e latino deste repertório: uma música nascida do corpo e da dança, mas também da melancolia, da sensualidade e da intensidade emocional. Uma experiência sonora em que o ostinato se torna fio condutor e pulsar partilhado entre músicos e público.
EN Bajo la piel explores the hypnotic power of the ostinato in Renaissance and Baroque music from southern Europe. More than a compositional device, the repetition of a harmonic or melodic pattern becomes a rhythmic, expressive and almost physical driving force. Chaconnes, folias, passamezzos, passacaglias and fandangos follow one another like a musical ritual in which every repetition opens up new possibilities for ornamentation, improvisation and transformation.
Between the sixteenth and eighteenth centuries, these forms circulated across different territories and social contexts. Heard in aristocratic salons, theatres, popular celebrations and dance traditions, they crossed the boundaries between written music and oral transmission. Composers such as Diego Ortiz, Andrea Falconieri, Gaspar Sanz, Santiago de Murcia and Tarquinio Merula bear witness to the extraordinary vitality of a shared musical language shaped by movement, dance and invention.
Drawing on predominantly Spanish and Italian repertory, Serendipia creates its own musical discourse through the dialogue between two recorders and plucked-string instruments. The different sizes and sonorities of the recorders, combined with the harmonic and rhythmic richness of the accompaniment, make it possible to explore contrasts of texture, colour and articulation.
Much of the music is presented in original arrangements by the ensemble, conceived specifically for this instrumentation. Inspired by historical practices of ornamentation, diminution and improvisation, these arrangements make the historical repertory a space for creation within the language of Early Music itself.
The programme unfolds in six sections inspired by Antonio Machado’s poem Anoche cuando dormía. The image of water flowing within the heart establishes a poetic relationship with the circular movement of ostinato basses: a continuous flow that changes with every return.
Ultimately, Bajo la piel embraces the Mediterranean and Latin character of this repertory: music born from the body and from dance, but also from melancholy, sensuality and emotional intensity. A musical experience in which the ostinato becomes both a thread and a shared pulse between performers and audience.
Biografias Biographies
Serendipia
PT Rita Rógar e Moisés Maroto fundaram Serendipia em Abril de 2019. Com uma sólida formação em Música Antiga e Musicologia — ambos estudaram o Mestrado em Interpretação de Música Antiga na ESMUC —, o ensemble tem como um dos seus eixos centrais a exploração das possibilidades históricas e expressivas da flauta de bisel.
Os seus programas percorrem instrumentos de diferentes épocas e dimensões, combinando repertório originalmente escrito para flauta de bisel com arranjos concebidos pelo próprio ensemble. Desde os primeiros projectos, Serendipia tem cruzado música, teatro e pensamento, construindo propostas em torno de autores como William Shakespeare e Calderón de la Barca e explorando as relações entre interpretação histórica, criação e cena.
Desde 2019, apresentou-se em festivais e temporadas em Espanha e noutros países europeus, entre os quais ECOS — Festival Internacional de Música Antigua de Sierra Espuña, Festival Internacional de Arte Sacro de Madrid, Festival de Música Antiga dels Pirineus e Festival de Música Antigua de Granada. O ensemble foi também seleccionado para o programa AIEnRuta Clásicos, da Asociación de Intérpretes y Ejecutantes.
Em 2024, Rita Rógar e Moisés Maroto participaram no projecto europeu Towards an Anthology of Portuguese Renaissance Music, dirigido por Pedro Sousa Silva, dedicado à recuperação da música renascentista portuguesa. No mesmo ano editaram, pela IBS Classical, o primeiro disco de Serendipia, Corelli After Schickhardt, primeira gravação mundial das doze trio-sonatas de Johann Christian Schickhardt baseadas nos concerti grossi de Corelli. Actualmente, o ensemble desenvolve também investigação em torno de repertório esquecido escrito especificamente para flauta de bisel e outros instrumentos.
EN Rita Rógar and Moisés Maroto founded Serendipia in April 2019. With strong backgrounds in Early Music and Musicology — both studied for a Master’s degree in Early Music Performance at ESMUC — the ensemble places the historical and expressive possibilities of the recorder at the centre of its work.
Its programmes explore instruments of different periods and sizes, combining repertory originally written for recorder with arrangements created by the ensemble itself. From its earliest projects, Serendipia has brought music, theatre and thought into dialogue, developing programmes around authors such as William Shakespeare and Calderón de la Barca and exploring the relationships between historically informed performance, creation and the stage.
Since 2019, the ensemble has appeared at festivals and concert series in Spain and elsewhere in Europe, including ECOS — Festival Internacional de Música Antigua de Sierra Espuña, Festival Internacional de Arte Sacro de Madrid, Festival de Música Antiga dels Pirineus and Festival de Música Antigua de Granada. Serendipia was also selected for the AIEnRuta Clásicos programme of the Asociación de Intérpretes y Ejecutantes.
In 2024, Rita Rógar and Moisés Maroto took part in the European project Towards an Anthology of Portuguese Renaissance Music, directed by Pedro Sousa Silva and devoted to the recovery of Portuguese Renaissance music. That same year, Serendipia released its first album with IBS Classical, Corelli After Schickhardt, the world premiere recording of Johann Christian Schickhardt’s twelve trio sonatas based on Corelli’s concerti grossi. The ensemble is currently also developing research into forgotten repertory written specifically for recorder and other instruments.
Moisés Maroto
PT «Põe quanto és no mínimo que fazes.» Esta máxima de Ricardo Reis define a filosofia artística de Moisés Maroto, intérprete que tem desenvolvido o seu percurso no universo da Música Antiga entre interpretação, investigação e ensino.
Concluiu os seus estudos superiores no Conservatorio Superior de Música de Aragón, sob a orientação de Anna Margules, onde obteve Matrícula de Honor. Prosseguiu a formação na ESMAE, com Pedro Sousa e Silva, e na ESMUC, com Pedro Memelsdorff, voltando a obter a classificação máxima.
É co-director e flautista de Serendipia e membro fundador do ensemble hispano-alemão Continuum XXI. É também director do Festival de Música Antigua de Soria e exerceu funções docentes no Conservatorio Profesional de Música de Valladolid e na Staatliche Jugendmusikschule Hamburg. Como solista, apresentou-se com Camerata Antonio Soler e colaborou com Orquesta Barroca de Tenerife.
A sua actividade estende-se ao teatro histórico, tendo participado como músico e actor em produções de companhias como Nao d’Amores e La Máquina Real, explorando a relação entre música e representação cénica nos seus contextos históricos.
EN “Put all you are into the smallest thing you do.” This maxim by Ricardo Reis defines the artistic philosophy of Moisés Maroto, whose work in Early Music brings together performance, research and teaching.
He completed his higher studies at the Conservatorio Superior de Música de Aragón under Anna Margules, graduating with highest honours. He continued his training at ESMAE with Pedro Sousa e Silva and at ESMUC with Pedro Memelsdorff, again receiving the highest marks.
He is co-director and recorder player of Serendipia and a founding member of the Spanish-German ensemble Continuum XXI. He is also director of Festival de Música Antigua de Soria and has taught at the Conservatorio Profesional de Música de Valladolid and Staatliche Jugendmusikschule Hamburg. As a soloist, he has performed with Camerata Antonio Soler and collaborated with Orquesta Barroca de Tenerife.
His work also extends to historical theatre, appearing as both musician and actor in productions by companies including Nao d’Amores and La Máquina Real, exploring the relationship between music and theatrical performance within their historical contexts.
Rita Rógar
PT Natural de Madrid, Rita Rógar iniciou os estudos musicais no Conservatorio Profesional de Música Ángel Arias Maceín, concluindo-os em 2012 com o Premio de Fin de Grado. Entre 2013 e 2016 estudou na ESMAE, no Porto, sob a orientação de Pedro Sousa e Silva, terminando com a classificação máxima. Em 2019 concluiu o Mestrado na ESMUC, com Pedro Memelsdorff. O seu percurso académico valeu-lhe por duas vezes consecutivas uma bolsa de excelência da Comunidad de Madrid.
Em 2021 recebeu o Segundo Prémio, na categoria de solista, do concurso nacional de Música Antiga organizado pelas Juventudes Musicales de España. É co-fundadora de Serendipia, com o qual se apresentou em festivais como ECOS, Festival de Música Antigua de Úbeda y Baeza, Festival Internacional de Arte Sacro de Madrid, Festival de Música Antiga dels Pirineus e Festival Clásicos en Verano.
Em 2023 colaborou com Nao d’Amores em El misterio del Cristo de los Gascones e participou na produção de Orlando, de Händel, no Teatro Real de Madrid, sob a direcção de Ivor Bolton. Em 2024 editou com Serendipia Corelli After Schickhardt e integrou um projecto de investigação dedicado à polifonia portuguesa do século XVI, que culminou na gravação de motetes de Vicente Lusitano. O seu percurso inclui ainda projectos pedagógicos e colaborações com teatro musical e teatro clássico.
EN Born in Madrid, Rita Rógar began her musical studies at the Conservatorio Profesional de Música Ángel Arias Maceín, graduating in 2012 with the Premio de Fin de Grado. From 2013 to 2016 she studied at ESMAE in Porto with Pedro Sousa e Silva, graduating with the highest marks. In 2019 she completed a Master’s degree at ESMUC with Pedro Memelsdorff. Her academic record earned her an excellence scholarship from the Comunidad de Madrid on two consecutive occasions.
In 2021 she received Second Prize in the solo category of the national Early Music competition organised by Juventudes Musicales de España. She is a co-founder of Serendipia, with which she has appeared at festivals including ECOS, Festival de Música Antigua de Úbeda y Baeza, Festival Internacional de Arte Sacro de Madrid, Festival de Música Antiga dels Pirineus and Festival Clásicos en Verano.
In 2023 she collaborated with Nao d’Amores on El misterio del Cristo de los Gascones and took part in Handel’s Orlando at Madrid’s Teatro Real under Ivor Bolton. In 2024 she released Corelli After Schickhardt with Serendipia and participated in a research project devoted to sixteenth-century Portuguese polyphony, culminating in a recording of motets by Vicente Lusitano. Her work also includes educational projects and collaborations with music theatre and classical theatre.
Nacho Laguna
PT Tiorbista, guitarrista e artista sonoro, Nacho Laguna é fundador de Ballarte Ensemble e Ballarte Festival. Trabalha regularmente com formações como Gli Incogniti, La Ritirata e Le Consort e com artistas como Amandine Beyer e Philippe Jaroussky, realizando digressões pela Europa, América, África e Ásia e apresentando-se em salas como Théâtre des Champs-Élysées, Elbphilharmonie Hamburg, Tokyo Opera City e Concertgebouw Amsterdam.
O seu interesse pela interdisciplinaridade e pela criação artística colectiva tem-no levado a trabalhar com teatro, dança, performance e circo, participando em criações como Mystery Sonata, de Rosas, com direcção de Anne Teresa De Keersmaeker, El gran sarao del Mundo, de Ballarte Ensemble, e La incertidumbre, de +Dramas / CDN.
Em 2023 editou o primeiro trabalho discográfico a solo, Ferrarese, distinguido com cinco Diapasons pela revista francesa Diapason e seleccionado para AIEnRuta-Clásicos 2025.
EN Theorbist, guitarist and sound artist Nacho Laguna is the founder of Ballarte Ensemble and Ballarte Festival. He works regularly with ensembles including Gli Incogniti, La Ritirata and Le Consort, and with artists such as Amandine Beyer and Philippe Jaroussky, touring extensively throughout Europe, the Americas, Africa and Asia and performing at venues including Théâtre des Champs-Élysées, Elbphilharmonie Hamburg, Tokyo Opera City and the Concertgebouw Amsterdam.
His interest in interdisciplinarity and collective artistic creation has led him to work across theatre, dance, performance and circus, taking part in productions including Mystery Sonata by Rosas, directed by Anne Teresa De Keersmaeker, El gran sarao del Mundo by Ballarte Ensemble and La incertidumbre by +Dramas / CDN.
In 2023 he released his first solo recording, Ferrarese, awarded five Diapasons by the French magazine Diapason and selected for AIEnRuta-Clásicos 2025.
